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Trump e Xi discutem Taiwan e soja em ligação telefônica para amenizar relações entre China e EUA

Trump e Xi discutem Taiwan e soja em ligação telefônica para amenizar relações entre China e EUA

Reuters

04/02/2026

Placeholder - loading - Presidente dos EUA, Donald Trump, e presidente da China, Xi Jinping, interagem após reunião bilateral no Aeroporto Internacional de Gimhae, na Coreia do Sul 30/10/2025 REUTERS/Evelyn Hockstein
Presidente dos EUA, Donald Trump, e presidente da China, Xi Jinping, interagem após reunião bilateral no Aeroporto Internacional de Gimhae, na Coreia do Sul 30/10/2025 REUTERS/Evelyn Hockstein

Atualizada em  04/02/2026

Por Trevor Hunnicutt e Xiuhao Chen

PEQUIM/WASHINGTON, 4 Fev (Reuters) - A China está considerando comprar mais soja ⁠cultivada nos Estados Unidos, disse o presidente Donald Trump, após o que ele chamou de conversas “muito positivas” com o presidente Xi Jinping nesta quarta-feira, mesmo com o alerta de Pequim a Washington sobre a venda de armas para Taiwan.

Em um gesto de boa vontade dois meses antes da visita prevista a Pequim, Trump disse que Xi consideraria aumentar as compras de soja dos EUA para 20 milhões de toneladas na safra atual, ante 12 milhões de toneladas. Os contratos futuros de soja subiram.

Horas após uma reunião virtual de Xi com o presidente russo Vladimir Putin, Xi conversou com Trump sobre Taiwan e uma ampla gama de questões comerciais e de segurança que continuam sendo fonte de tensão entre as duas maiores economias do mundo. Os dois líderes declararam publicamente seu interesse pessoal em manter laços fortes após a ligação, a primeira desde novembro.

Trump disse no Truth Social que a conversa por telefone foi “muito positiva”, que sua relação com Xi é “extremamente boa” e que “ambos percebemos como é importante mantê-la assim”. Uma conta oficial do governo chinês publicou uma frase atribuída a Xi: “Dou grande ​importância às relações sino-americanas”.

Embora Trump tenha apontado a China como a razão para diversas medidas agressivas do ⁠Canadá à Groenlândia ⁠e Venezuela, ele suavizou a política em relação a Pequim nos últimos meses em áreas-chave, desde tarifas até chips de computador avançados e drones.

“Ambos os lados estão sinalizando que desejam preservar a estabilidade nas relações entre os EUA e a China”, disse Bonnie Glaser, do German Marshall Fund of the United States, um think tank.

BOA VONTADE

Uma área de tensão na relação entre os dois países diz respeito a Taiwan. Em dezembro, os Estados Unidos anunciaram o maior acordo de venda de armas de todos os tempos com Taiwan, incluindo US$11,1 bilhões em armas que podem ser usadas para a defesa de eventual ataque chinês. ‌Taiwan nutre a expectativa por mais vendas do tipo.

A China considera Taiwan como seu próprio território, posição que Taipé rejeita. Os Estados Unidos têm relações diplomáticas formais ​com a China, mas mantêm relações não oficiais com Taiwan e são o mais importante fornecedor de ‌armas à ilha. Os EUA são obrigados ​por lei ​a fornecer a Taiwan meios para se defender.

“Os Estados Unidos devem lidar com cuidado com a venda de armas a Taiwan”, afirmou a China em um resumo oficial da reunião.

Investigações sobre altos líderes militares na China suscitaram preocupações sobre as implicações para a política externa chinesa. Trump minimizou a investigação sobre o vice-presidente da Comissão Militar Central, Zhang Youxia, afirmando no fim de ​semana que “no que me diz respeito, há um único chefe na China” e “esse chefe é o presidente Xi”.

O último tratado nuclear entre a Rússia e os Estados Unidos está prestes a expirar, aumentando o risco de uma nova corrida armamentista na qual a China também teria um papel fundamental com seu crescente arsenal nuclear. Trump afirmou que deseja que a China faça parte do controle de armas.

SOJA, AVIÕES E PETRÓLEO

Questões econômicas continuam sendo um ponto de atrito entre o maior consumidor e a maior fábrica do mundo. Trump fez das tarifas sobre as importações um pilar de sua estratégia para reativar os empregos na indústria nacional. O vice-presidente dos EUA, JD Vance, revelou nesta quarta-feira planos para um bloco comercial preferencial de aliados para minerais críticos, como parte de um esforço para eliminar a influência da China sobre os Estados Unidos devido ao seu controle sobre metais importantes.

Os dois lados trabalham para encontrar áreas de consenso antes da esperada visita de Estado de Trump a Pequim em abril. Trump e Xi se encontraram pessoalmente pela última vez em outubro na Coreia do Sul, onde foi firmada a atual trégua comercial.

A soja é fundamental porque os agricultores norte-americanos em dificuldades são um importante eleitorado político interno para Trump, e a China é o maior consumidor. As vendas internacionais de soja norte-americana caíram neste ano para o nível mais baixo em 14 anos devido às tensões comerciais com a China.

Os estoques dos EUA ⁠não são suficientes para exportar mais 8 milhões de toneladas para a China e, ao mesmo tempo, atender à demanda esperada de outros importadores, avaliou Arlan Suderman, economista-chefe de commodities da consultoria ‌StoneX.

Os preços da soja dos EUA podem subir e alguns compradores norte-americanos ⁠e internacionais podem satisfazer a demanda comprando soja do Brasil, acrescentou.

O Ministério do Comércio da China não respondeu imediatamente a um pedido da Reuters para comentar a possibilidade de compras de soja.

Além da soja, os líderes dos EUA e da China discutiram o Irã, a guerra da Rússia na Ucrânia, motores de avião e petróleo e gás, disse ‍Trump.

A China é o maior comprador de petróleo da Venezuela há anos, e as vendas ajudaram Caracas a pagar empréstimos maciços a Pequim em acordos de dívida por petróleo. Os Estados Unidos destituíram o presidente Nicolás Maduro no mês passado ​e ‌sugeriram que a China terá que comprar petróleo venezuelano nos termos dos EUA.

(Reportagem de Trevor Hunnicutt, Xiuhao Chen, Shi Bu, Karl Plume, David Brunnstrom, Michael Martina, Tom Polansek e Ryan Woo)

Reuters

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