Capa do Álbum: Antena 1
A Rádio Online mais ouvida do Brasil
Antena 1

Abordagem proativa do BC foi oportuna, mas desinflação agora tende a ser lenta, diz Campos Neto

Abordagem proativa do BC foi oportuna, mas desinflação agora tende a ser lenta, diz Campos Neto

Reuters

17/05/2023

Placeholder - loading - Presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, durante cerimônia no Tribunal Superior Eleitoral em Brasília 07/03/2023 REUTERS/Adriano Machado
Presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, durante cerimônia no Tribunal Superior Eleitoral em Brasília 07/03/2023 REUTERS/Adriano Machado

Atualizada em  17/05/2023

Por Bernardo Caram

BRASÍLIA (Reuters) -A abordagem proativa da política monetária no Brasil foi oportuna e tem dado resultado, mas o processo está agora em uma fase na qual a redução da inflação é mais lenta, disse nesta quarta-feira o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, ressaltando que o Brasil enfrenta desafios para consolidar a desinflação.

Em apresentação por videoconferência na Conferência Anual do Banco Central, ele enfatizou que as expectativas de inflação para 2024 e 2025, que estavam estáveis, mostram desancoragem, com questionamentos sobre possível mudança nas metas de inflação e incertezas fiscais.

Campos Neto afirmou que os núcleos de inflação -- que desconsideram itens voláteis -- estão mais resilientes por conta de uma difusão da alta de preços entre os setores da economia e pressões ainda fortes em componentes mais rígidos, como o setor de serviços.

'Assim, a velocidade da desinflação tende a ser mais lenta nessa segunda etapa, tanto no Brasil como nos demais países', disse. 'Embora tenhamos progredido até agora, ainda enfrentamos desafios para consolidar a desinflação no Brasil.'

De acordo com o boletim Focus do BC, que capta as projeções de mercado para indicadores econômicos, as expectativas de inflação estão em 6,03% para este ano, 4,15% em 2024 e 4% em 2025.

As metas estabelecidas são de 3,25% neste ano e 3% em 2024 e 2025, com tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos em todos os casos.

Em meio a críticas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à taxa básica de juros praticada pelo BC para segurar a inflação, atualmente em 13,75% ao ano, o governo passou a estudar possíveis alterações no regime de metas. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, já sinalizou ser favorável a um alongamento do horizonte para as metas, o que desobrigaria o BC a cumpri-las ao fim de cada ano.

'Decisões que induzam a reancoragem das expectativas e que elevem a confiança nas metas de inflação contribuem para um processo de inflacionário mais célere e menos custoso', afirmou Campos Neto.

O presidente do BC voltou a afirmar que o arcabouço fiscal proposto pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva pode ajudar na missão de reancorar as expectativas, embora não haja uma relação direta entre a proposta fiscal e o nível de preços no país.

Na apresentação, Campos Neto afirmou que incidentes em bancos nos Estados Unidos e na Europa despertaram atenção para riscos, como o de contágio mais disseminado no sistema financeiro. Segundo ele, até o momento, esse contágio é limitado, mas requer monitoramento.

(Edição de Eduardo Simões e Pedro Fonseca)

Reuters

Compartilhar matéria

Mais lidas da semana

 

Carregando, aguarde...

Este site usa cookies para garantir que você tenha a melhor experiência.