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Ações de viagens despencam após conflito entre EUA e Irã provocar pior interrupção desde a pandemia

Ações de viagens despencam após conflito entre EUA e Irã provocar pior interrupção desde a pandemia

Reuters

02/03/2026

Placeholder - loading - Telão mostra voos cancelados para o Oriente Médio no aeroporto internacional de Hong Kong  02/03/2026. REUTERS/Tyrone Siu
Telão mostra voos cancelados para o Oriente Médio no aeroporto internacional de Hong Kong 02/03/2026. REUTERS/Tyrone Siu

Por Joanna Plucinska e Byron Kaye e Samuel Indyk

LONDRES/SÍDNEY, 2 Mar (Reuters) - As ações do setor de viagens ​despencavam nesta segunda-feira, perdendo US$22,6 bilhões, uma vez que o conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã afetou voos em todo o mundo, fechou importantes hubs no Oriente Médio e fez os preços do petróleo dispararem, com analistas alertando para semanas de interrupções.

Dados mostraram que pelo menos 4.000 voos foram cancelados em todo o mundo nos últimos três dias.

Dubai, o hub internacional mais movimentado do mundo, e Doha permaneceram fechados pelo terceiro dia consecutivo, deixando dezenas de milhares de passageiros retidos, enquanto a aviação enfrentava seu maior desafio desde a pandemia da Covid-19. Nesta segunda-feira, a Jordânia se tornou o mais recente país da região a fechar parcialmente seu espaço aéreo.

Os preços do petróleo chegaram a saltar 13%, atingindo o nível mais alto desde janeiro de 2025, conforme o Irã e Israel intensificavam os ataques, aumentando a perspectiva de custos mais altos de combustível para as companhias aéreas.

As ações das companhias aéreas norte-americanas caíram quando os mercados abriram nesta segunda-feira, com a American Airlines e a United Airlines recuando mais de 6%. Um grupo de 29 companhias aéreas, hotéis e agências de viagens líderes da Europa, Ásia e América do Norte perderam um total de US$22,6 bilhões em valor de mercado nesta segunda-feira, de ⁠acordo com cálculos da Reuters.

A empresa de ⁠análise de aviação Cirium disse que pelo menos 1.560 voos foram cancelados ​nesta segunda, o que ‌significa que mais de 4.000 foram cancelados desde sábado.

As ações da TUI, a maior empresa de viagens da Europa, tinham queda de 9,6%, enquanto a Lufthansa caía 5,7% e a IAG, proprietária da British Airways, perdia 5,4%. A rede hoteleira Accor e a empresa de cruzeiros Carnival também registravam quedas acentuadas.

“Todas as companhias aéreas estão lotadas e todos os voos estão lotados porque as pessoas estão tendo que aceitar o que podem”, disse Paul Charles, chefe da consultoria de viagens PC Agency, que ficou preso no exterior. Charles disse que as aeronaves e ⁠as tripulações estavam espalhadas pelo mundo nos lugares errados, em um “cenário de pesadelo”.

Analistas destacaram o aumento dos custos com combustível, cancelamentos e despesas com ​redirecionamentos como os principais pontos de pressão para as companhias aéreas. JPMorgan, Goodbody e Citi apontaram a Wizz Air como a companhia aérea europeia mais exposta devido à sua grande presença ​em Israel. Suas ações tinham queda de 7% nesta segunda-feira.

A Etihad, de Abu Dhabi, retomou alguns voos, enquanto ‌o Aeroporto Ben Gurion, de Israel, disse que reabrirá ​de forma ⁠limitada.

A autoridade de aviação civil dos Emirados Árabes Unidos começará a operar “voos especiais” nos aeroportos do país, informou a agência de notícias estatal WAM, como parte dos esforços para permitir que algumas das dezenas de milhares de passageiros retidos no Oriente Médio deixem a região.

Mesmo antes do conflito o setor já estava sob pressão, uma vez que os viajantes preocupados com os custos evitavam férias caras. A Norwegian Cruise Line ​Holdings previu na segunda-feira lucro em 2026 mais fraco do que o esperado.

Muitas companhias aéreas do Oriente Médio continuavam cancelando voos. A flydubai suspendeu todos os voos de e para Dubai até as 15h (8h, horário de Brasília) de terça-feira.

As ações das companhias aéreas asiáticas também foram afetadas, incluindo a japonesa ANA Holdings, a Air China, a China Eastern Airlines e a malaia AirAsia X, que caíram pelo menos 4%. A Cathay Pacific cancelou todos os voos para o Oriente Médio, incluindo para Dubai e Riad, e dispensou as taxas de remarcação.

A Singapore Airlines cancelou voos de e para Dubai até 7 de março, ​enquanto a Japan Airlines suspendeu os serviços entre Tóquio e Doha.

O analista independente de aviação Brendan Sobie disse que as companhias aéreas indianas estavam particularmente expostas devido aos intensos horários de voos para o Oriente Médio, que atendem trabalhadores migrantes, e à proibição do uso do espaço aéreo do Paquistão em voos de e para a Europa.

A Air India cancelou voos entre a Índia e Zurique, Copenhague, Birmingham, Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita, Israel e Catar, e informou que voos para Nova York e Newark reabastecerão em Roma.

PASSAGEIROS CORREM PARA MUDAR DE VOO

Os efeitos em cadeia afetaram viajantes em todo o mundo. Dubai foi o aeroporto internacional mais movimentado do mundo em 2024, com 92 milhões de passageiros, de acordo com o Conselho Internacional de Aeroportos, à frente do Heathrow, de Londres, por 13 milhões. Doha ficou em 10º lugar.

A Lufthansa cancelou voos de passageiros de e para os Emirados Árabes Unidos, mas tentou voar com um jato Airbus de Dubai para Munique sem passageiros.

Passageiros da Catar Airways ​em Sydney disseram à Reuters que se apressaram para reorganizar suas viagens com poucas informações. Ascanio Giorgetti, 16, e sua mãe, Alessandra Giorgetti, da Itália, descobriram que seu voo para Milão via Doha havia sido cancelado. ‌Eles garantiram uma rota alternativa para casa via Los Angeles em outra companhia ⁠aérea.

“Não temos nenhuma informação, nenhuma resposta no telefone da Catar (Airways)”, disse ela, acrescentando que as passagens custaram 4.000 euros.

Jenni e Doug Stewart, ambos com 78 anos, estavam voando de Sydney para a Escócia via Doha quando seu voo voltou para Melbourne, antes de seguir para Sydney. “Fomos informados de que o espaço aéreo havia sido fechado”, disse Jenni. “Estava caótico em Melbourne, centenas de pessoas procurando até mesmo ⁠a mais vaga informação”, disse Doug.

(Reportagem de Byron Kaye e Hollie Adams em Sydney; Shivangi Lahiri e Yadarisa Shabong em Bengaluru; ⁠Joanna Plucinska, Josephine Mason e Samuel Indyk en Londres; Tim Hepher em Paris, Federico Maccioni em ⁠Dubai; Alessandro Parodi em Gdansk; Danilo Masoni em ⁠Milão; ​Rajesh Kumar Singh em Chicago; Ben Blanchard em Taipé; Julie Zhu em Hong Kong; Samuel Shen em Xangai; David Dolan e Maki Shiraki em Tóquio; Jun iuan Yong em Cingapura e Juarawee Kittsilpa na Malásia)

Reuters

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