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Alemanha diz que Rússia estimulou oposição à candidatura ao Conselho de Segurança da ONU

Alemanha diz que Rússia estimulou oposição à candidatura ao Conselho de Segurança da ONU

Reuters

03/06/2026

Placeholder - loading - Ministro das Relações Exteriores da Alemanha, Johann Wadephul 2 de junho de 2026 REUTERS/Heather Khalifa
Ministro das Relações Exteriores da Alemanha, Johann Wadephul 2 de junho de 2026 REUTERS/Heather Khalifa

Por Rachel More

BERLIM, 3 Jun (Reuters) - O papel ​de liderança da Alemanha no apoio à Ucrânia e suas relações estreitas com Israel podem ter custado a Berlim a chance de um assento no Conselho de Segurança da ONU, disse o ministro das Relações Exteriores, Johann Wadephul, nesta quarta-feira.

A votação do Conselho, que elegeu Áustria e Portugal para um mandato de dois anos, juntamente com Zimbábue e Trinidad e Tobago, foi um golpe para o governo do chanceler Friedrich Merz.

Ele tem procurado posicionar Berlim como uma voz de liderança na Europa em questões ⁠globais.

'Sempre ⁠assumimos uma posição clara em relação ​a certas ‌questões, e essas são posições que nem todos os Estados-membros compartilham', disse Wadephul aos repórteres, dizendo que não era segredo que a Rússia havia despertado sentimentos contra a Alemanha.

'Há o nosso firme apoio à Ucrânia; o ⁠fato de que a Rússia não quer essa voz no Conselho de ​Segurança', disse ele.

'O fato de que a Alemanha deve sempre assumir uma ​responsabilidade especial por Israel no conflito do Oriente ‌Médio também pode ​ter custado ⁠votos', disse ele, referindo-se ao apoio da Alemanha a Israel após o Holocausto nazista da Segunda Guerra Mundial.

Wadephul disse que a Alemanha manteria essa responsabilidade, mesmo que criticasse ​o governo israelense em certos pontos.

Não houve reação imediata da Rússia à acusação da Alemanha de fazer lobby contra ela.

OPOSIÇÃO LAMENTA 'DERROTA EMBARAÇOSA'

Em uma declaração separada, Merz disse que a Alemanha continuaria a ser um apoiador confiável do sistema internacional e ​parabenizou a Áustria e Portugal, que competiam diretamente com a Alemanha por dois dos cinco assentos disponíveis no conselho de 15 membros.

'Nós nos candidatamos com convicção. Não atingimos nosso objetivo', disse ele. 'Esse resultado não altera as tarefas que enfrentamos nas Nações Unidas. A Alemanha continua sendo um pilar confiável do sistema multilateral.'

Embora o governo de Merz tenha enfrentado dificuldades internas com um pacote difícil de reformas econômicas e ​de gastos que prejudicaram sua coalizão com os social-democratas de centro-esquerda, ele ganhou mais ‌respeito na frente da política externa, onde ⁠reuniu apoio para a Ucrânia.

No entanto, os Verdes, da oposição, disseram que a 'derrota embaraçosa' se deveu a Merz e Wadephul, que estava em Nova York ⁠para a votação.

'No ano passado, o governo alemão fez ⁠muito pouco para sustentar essa candidatura ⁠com ideias modernas', disse ⁠Agnieszka ​Brugger, vice-líder parlamentar do partido, em um comunicado.

(Reportagem de Rachel More e James Mackenzie)

Reuters

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