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Alunos de Gaza voltam às aulas presenciais pela primeira vez em três anos

Alunos de Gaza voltam às aulas presenciais pela primeira vez em três anos

Reuters

21/09/2026

Placeholder - loading - Alunos palestinos participam do primeiro dia do novo ano letivo em uma escola da UNRWA em Nuseirat, na Faixa de Gaza 19 de setembro de 2026 REUTERS/Mahmoud Issa
Alunos palestinos participam do primeiro dia do novo ano letivo em uma escola da UNRWA em Nuseirat, na Faixa de Gaza 19 de setembro de 2026 REUTERS/Mahmoud Issa

21 Set (Reuters) - Centenas de milhares de crianças em Gaza voltaram às ​aulas presenciais no sábado pela primeira vez em quase três anos, embora em prédios escolares danificados ou improvisados e em tendas, e com uniformes, cadernos e canetas que muitas famílias não têm condições de comprar.

O Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) afirma que 98% das escolas em Gaza foram destruídas ou danificadas durante a guerra, e autoridades educacionais de Gaza indicam que cerca de 660 mil alunos foram privados do ensino presencial e da participação regular na educação.

A reabertura é um marco frágil para Gaza após um conflito que matou cerca de 22 mil alunos e mais de 770 profissionais da educação, incluindo 532 professores, segundo Ibrahim Ramadan, diretor de educação de Khan Younis Oriental.

“A última vez que fui à escola foi há três anos. Agora, estamos começando o ano letivo; é ⁠um ano de alegria, ⁠felicidade e sucesso”, disse Moayed Abu Mustafa, em ​Khan Younis.

Mustafa disse ‌que está determinado a aprender, mesmo que tenha que se sentar no chão de uma barraca sem ventilação, não tenha sapatos decentes, nem caderno e caneta, e tenha perdido amigos durante a guerra.

“Apesar de tudo isso, vamos aprender, vamos aprender mesmo que seja em uma barraca.”

Samar Abu Salmi, aluna deslocada de 15 anos que mora com a família em uma ⁠barraca, também está voltando às aulas.

“Estudávamos nos celulares e não víamos nossos professores... agora, estamos de volta, ​perseguindo nosso sonho... de uma barraca para outra”, disse ela, falando no pátio de sua nova escola improvisada.

Ela também não ​tem grande parte do material escolar essencial, que se tornou inacessível para ‌sua família.

“Antes da guerra, tudo ​estava ao ⁠nosso alcance — cadernos, canetas, produtos, roupas, passeios, coisas que podíamos comprar por um preço baixo”, disse Salmi.

COLCHÕES E UM QUADRO NEGRO

Apesar da devastação no enclave, o Ministério da Educação, com o apoio de organizações internacionais e locais, deu continuidade ao ano letivo de 2026-2027, criando dezenas ​de escolas temporárias feitas de barracas, lonas, chapas de metal e madeira para acomodar os alunos.

Algumas foram construídas em solo arenoso; outras têm salas de aula com apenas alguns colchões e um quadro-negro, nas quais os alunos se amontoam. Outras ainda abrigam dezenas de famílias deslocadas.

Em outra escola estava Yamen Abu Samra, de 14 anos.

“Costumávamos acordar felizes para ir à escola... Agora, quando chegamos à escola, ​temos medo de balas perdidas, foguetes, ataques, tudo”, disse ele.

“Agora, estou sentado em uma barraca que não tem absolutamente nada, apenas o sol e o calor”, acrescentou.

Estima-se que pelo menos 540 mil alunos frequentem aulas presenciais este ano em escolas particulares improvisadas, centros de aprendizagem temporários e pontos educacionais, com o apoio do Unicef, segundo autoridades da área de educação. O ensino à distância continuará para aqueles que não podem frequentar as aulas ou que deixaram Gaza durante a guerra.

As forças israelenses continuam controlando mais de 60% de Gaza, apesar do cessar-fogo do ano passado, que interrompeu os principais combates, mas não conseguiu pôr fim ao conflito.

As autoridades palestinas afirmam ​que mais de 73.000 pessoas foram mortas no ataque de Israel a Gaza, lançado depois que combatentes liderados pelo Hamas mataram cerca de ‌1.200 pessoas no sul de Israel em outubro de ⁠2023.

O comerciante de artigos de papelaria Khaled Aliyan, de 30 anos, disse que as restrições de importação impostas por Israel reduziram o abastecimento e elevaram os preços.

“Este caderno, que costumava custar 3 shekels (US$1), agora custa 15 (shekels). Todos os artigos de papelaria estão ⁠caros”, disse ele.

A agência militar israelense Cogat, que controla o acesso a Gaza, não respondeu ⁠a um pedido da Reuters por comentários sobre as restrições ⁠ao abastecimento e os ataques ⁠a ​escolas. Israel acusou repetidamente o Hamas de usar escolas para fins militares, o que o Hamas nega.

(Reportagem de Nidal al-Mughrabi e Haseeb Alwazeer)

Reuters

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