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América Latina deve enfrentar El Niño intenso, diz representante da ONU

América Latina deve enfrentar El Niño intenso, diz representante da ONU

Reuters

30/07/2026

Placeholder - loading - Maximo Torero, economista-chefe da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura, concede entrevista à Reuters em Adis Abeba, Etiópia 28 de julho de 2025 REUTERS/Tiksa Negeri
Maximo Torero, economista-chefe da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura, concede entrevista à Reuters em Adis Abeba, Etiópia 28 de julho de 2025 REUTERS/Tiksa Negeri

Por Juana Casas

SANTIAGO, 30 Jul (Reuters) - ​A América Latina deve enfrentar um grave fenômeno climático conhecido como El Niño entre outubro e dezembro, o que provavelmente agravará os choques no abastecimento agrícola causados pelo conflito no Estreito de Ormuz, afirmou à Reuters o economista-chefe da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), Máximo Torero.

Torero alertou que a região enfrenta um “duplo golpe”: ⁠condições ⁠climáticas extremas e redução no ​abastecimento ‌de fertilizantes e sementes híbridas. Esses itens foram afetados pelo bloqueio efetivo do Estreito de Ormuz durante o conflito entre Estados Unidos e o Irã.

“Há ⁠uma alta probabilidade de que este seja um El ​Niño intenso — como o de 2015”, disse Torero.

Espera-se que ​o impacto seja desigual na ‌América Latina. No ​Peru, ⁠a costa norte enfrenta inundações, enquanto as regiões montanhosas sofrem com a escassez de água — um padrão que provavelmente se ​repetirá entre o norte e o sul do Chile.

Torero disse que os governos devem elaborar políticas para lidar com ambos os extremos simultaneamente.

O Centro de Previsão Climática ​dos EUA estimou recentemente uma probabilidade de 81% de um El Niño “muito forte”, que pode se classificar entre os mais severos desde 1950.

Torero pediu investimentos em preparação, afirmando que cada dólar dedicado a isso gera um retorno de US$7, em comparação com apenas US$3 para medidas reativas.

Torero recomendou ​concentrar esforços na infraestrutura para evitar interrupções no transporte, no ‌desenvolvimento de sementes resilientes e ⁠na antecipação das colheitas para mitigar os danos causados por tempestades.

A FAO identificou o Corredor Seco da América ⁠Central, uma região de floresta tropical ⁠na costa do Pacífico, ⁠como uma zona ⁠de ​risco muito alto durante o El Niño.

(Reportagem de Juana Casas)

Reuters

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