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APARELHO QUE ACOMPANHA A GLICOSE MELHORA INDICADORES DO DIABETES TIPO 2

Estudo publicado no New England Journal of Medicine encontrou melhora nos indicadores de glicose entre adultos que utilizaram monitoramento contínuo durante seis meses, mesmo sem usar insulina

Bruna Valle

21/10/2026

Placeholder - loading - Sensores vestíveis podem ajudar mais pessoas com diabetes a acompanhar a glicose e ajustar os cuidados com a saúde
Sensores vestíveis podem ajudar mais pessoas com diabetes a acompanhar a glicose e ajustar os cuidados com a saúde

A tecnologia vestível pode ter um papel cada vez maior no acompanhamento de doenças crônicas. Um estudo recente realizado nos Estados Unidos indica que sensores capazes de medir continuamente a glicose podem ajudar pessoas com diabetes tipo 2 que não utilizam insulina a controlar melhor os níveis de açúcar no sangue.

Publicado no New England Journal of Medicine, o estudo acompanhou 283 adultos durante 26 semanas. Ao final do período, os participantes que utilizaram os sensores apresentaram uma redução maior da hemoglobina glicada (indicador que reflete a média da glicose no sangue nos últimos meses) do que aqueles que receberam os cuidados habituais. 

Acompanhamento contínuo, além das medições pontuais

Os monitores contínuos de glicose utilizam um pequeno sensor aplicado à pele para acompanhar as variações da glicose ao longo do dia. As informações podem ser consultadas em um dispositivo compatível e ajudam a visualizar como os níveis mudam em diferentes situações, inclusive após as refeições e durante a atividade física.

A tecnologia já é utilizada por muitas pessoas com diabetes que precisam de insulina. A nova pesquisa investigou se o recurso também poderia beneficiar pacientes com diabetes tipo 2 que controlam a condição sem esse medicamento.

Para isso, os pesquisadores dividiram os participantes em dois grupos: um utilizou o monitor contínuo, enquanto o outro seguiu o acompanhamento habitual. O estudo foi realizado em 22 unidades de atenção primária nos Estados Unidos.

Diferença nos indicadores após seis meses

No grupo que usou os sensores, a hemoglobina glicada média caiu de 8,8% para 7,2%. Entre os participantes que receberam os cuidados habituais, o indicador passou de 8,7% para 8,0%.

Após o ajuste estatístico, a diferença entre os grupos foi de 0,9 ponto percentual a favor do monitoramento contínuo. Os pesquisadores também observaram que os participantes que utilizaram os sensores passaram mais tempo com a glicose dentro da faixa considerada-alvo pelo estudo: entre 70 e 180 miligramas por decilitro. 

Esses resultados sugerem que acompanhar as variações da glicose pode ajudar os pacientes e as equipes de saúde a identificar padrões e avaliar melhor a resposta aos cuidados adotados.

Sensores contínuos registram variações da glicose ao longo do dia e permitem acompanhar tendências

A tecnologia não substitui o acompanhamento médico

Um possível benefício do monitoramento é tornar mais visíveis as mudanças relacionadas à alimentação, à atividade física e aos medicamentos. Com essas informações, profissionais de saúde podem discutir ajustes no tratamento e orientar decisões de maneira mais individualizada.

O sensor, porém, não substitui consultas, exames laboratoriais ou o acompanhamento clínico. A interpretação dos resultados precisa considerar as características de cada paciente, e eventuais mudanças no tratamento devem ser discutidas com profissionais de saúde.

Também é importante considerar que o estudo foi realizado durante seis meses e contou com financiamento da fabricante de sensores Dexcom. Embora os resultados sejam promissores, pesquisas adicionais podem ajudar a esclarecer os efeitos em períodos mais longos e em diferentes grupos de pacientes. 

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