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Aperto no mercado de petróleo em 2026 aumentará com atraso na retomada dos fluxos do Golfo, diz IEA

Aperto no mercado de petróleo em 2026 aumentará com atraso na retomada dos fluxos do Golfo, diz IEA

Reuters

11/09/2026

Placeholder - loading - Embarcações no Estreito de Ormuz, vistas de Musandam, Omã, em 6 de setembro de 2026. REUTERS/Stringer
Embarcações no Estreito de Ormuz, vistas de Musandam, Omã, em 6 de setembro de 2026. REUTERS/Stringer

Por Alex Lawler

LONDRES, 11 Set (Reuters) - A oferta e a demanda ​globais de petróleo devem cair mais do que o previsto anteriormente neste ano, afirmou a Agência Internacional de Energia (IEA, na sigla em inglês) nesta sexta-feira, já que a falta de progressos para o fim do conflito no Oriente Médio adia o retorno dos fluxos normais de petróleo do Golfo até 2027 e faz com que os preços dos combustíveis disparem.

A oferta mundial em 2026 deve agora diminuir em 5,7 milhões de barris por dia, ou aproximadamente 6%, informou a IEA, em um relatório mensal. Esse valor representa um aumento em relação à queda de 4% prevista anteriormente.

Um aumento nos ataques a petroleiros nas rotas marítimas do Oriente Médio contribuiu para que os preços do petróleo bruto se aproximassem dos US$110 por barril nesta semana, pela primeira ⁠vez desde maio.

Os ⁠produtos refinados tiveram alta ainda mais acentuada, com combustíveis ​como o ‌diesel atingindo níveis recordes, à medida que o conflito no Oriente Médio e entre a Rússia e a Ucrânia prejudica as refinarias de petróleo.

Embora a demanda esteja enfraquecendo sob o peso dos preços altos dos combustíveis, a oferta está caindo ainda mais rapidamente, forçando os estoques a se esgotarem em um ritmo recorde. Os estoques globais ⁠caíram 3,1 milhões de bpd em agosto, informou a IEA, atingindo um nível visto pela última ​vez em 2023.

“Os estoques têm desempenhado, até o momento, um papel crucial no equilíbrio do mercado”, afirmou a IEA.

“Com ​as reservas diminuindo e o sistema global de refino operando no limite, ‌a necessidade de avanços na ​resolução do ⁠conflito no Oriente Médio -- e da guerra entre a Rússia e a Ucrânia, que já está em seu quinto ano -- é maior do que nunca para evitar um maior aperto no mercado.”

PRODUÇÃO DA ARÁBIA SAUDITA ATINGE NÍVEL MAIS BAIXO EM MAIS DE TRÊS ​DÉCADAS

Ataques a instalações energéticas sauditas e um bloqueio dos EUA ao Irã reduziram a produção de petróleo do grupo de produtores Opep+, que caiu 1,8 milhão de bpd, para 38,8 milhões de bpd em agosto, segundo o relatório da IEA.

A IEA informou que a oferta de petróleo bruto da Arábia Saudita caiu 2,3 milhões de bpd, para 6 milhões de bpd em ​agosto, o nível mais baixo em mais de três décadas, após ataques terem interrompido as instalações e as rotas de transporte.

Grupos ligados aos houthis atacaram navios que passavam por Bab el-Mandeb, a refinaria de Jazan e o tráfego marítimo próximo a Yanbu, enquanto milícias apoiadas pelo Irã no Iraque utilizaram ataques com drones para atingir o complexo de processamento de petróleo de Abqaiq.

Os houthis, alinhados ao Irã, assumiram o controle do porto de Mocha, no Iêmen, na quinta-feira, representando uma ameaça adicional ao tráfego no Mar Vermelho.

DEMANDA CAI MAIS DO QUE ESPERADO, COM RECUPERAÇÃO PREVISTA PARA 2027

A demanda por petróleo também está caindo mais ​do que o esperado, em parte devido aos preços recordes dos combustíveis. A demanda mundial por petróleo cairá 2,5 milhões de bpd ‌este ano, informou a IEA, acima da previsão anterior ⁠de um declínio de 1,6 milhão de bpd.

Em contrapartida, a Opep, grupo de produtores, ainda espera que a demanda mundial por petróleo cresça este ano, embora tenha reduzido sua previsão pela quinta vez consecutiva na quinta-feira. A Opep prevê ⁠um aumento da demanda de 380.000 bpd em 2026.

Ambos as organizações esperam uma recuperação ⁠no consumo de combustível no próximo ano. A IEA ⁠prevê que a demanda aumente ⁠em ​2,6 milhões de bpd em 2027, e a Opep aponta para uma expansão semelhante de 2,36 milhões de bpd.

(Reportagem de Alex Lawler)

Reuters

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