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    Após 1º turno difícil, campanha de Haddad se reorganiza para enfrentar Bolsonaro

    Por Thomson Reuters

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    Atualizada em

    Por Lisandra Paraguassu

    BRASÍLIA (Reuters) - Depois de chegar ao segundo turno com o candidato do PSL, Jair Bolsonaro, em uma votação difícil, a campanha do petista Fernando Haddad começa a se reorganizar para reagrupar apoios, agregar novos nomes à coordenação política e mexer no discurso para enfrentar o ex-capitão do Exército, que abriu 17 pontos de vantagem na votação deste domingo.

    Nos próximos três dias, o partido começa uma séria de reuniões que devem mexer na comunicação do candidato e no comando da campanha para tentar reverter a vitória de Bolsonaro nas próximas três semanas.

    Já nesta segunda-feira, o ex-ministro Jaques Wagner, que se elegeu senador pela Bahia, chega a São Paulo para se integrar ao comando da campanha. Considerado um hábil negociar, Wagner foi escalado para começar as conversas com outros partidos e tentar atrair apoios formais a Haddad.

    Neste domingo, o próprio candidato ligou para Ciro Gomes (PDT), terceiro colocado na disputa, e Guilherme Boulos (PSOL), além de ter recebido um telefonema de Marina Silva (Rede), quando se preparava para lhe telefonar. No entanto, a soma dos candidatos de centro-esquerda -mesmo acrescidos do PSB, que tende a declarar apoio a Haddad- não chega ao necessário para bater Bolsonaro.

    Um dos coordenadores da campanha de Haddad, o deputado federal Emídio de Souza (SP), afirma que a prioridade é o campo de centro-esquerda e 'juntar o campo democrático', mas admitiu que o PT vai começar a telefonar para presidentes de outros partidos políticos.

    'Acordos partidários vão ter que ser pensados', disse.

    Emídio avalia que o movimento das últimas 48 horas foi muito forte e 'ter resistido a ele e ter chegado no segundo turno foi importante'. 'Tem um recado claro aí das urnas', afirmou.

    'MAIS HADDAD, MENOS LULA'

    A mudança, no entanto, vai além de tentar ampliar as negociações para formar, como disse o próprio Haddad, uma frente democrática. Parte da coligação quer dar mais voz ao candidato, e ter 'mais Haddad e menos Lula', como disse à Reuters uma fonte que participa do conselho político da campanha.

    Um grupo petista resiste à ideia de deixar o ex-presidente, preso em Curitiba, em segundo plano. O fato de Haddad ter perdido um percentual de votos para Bolsonaro na Região Nordeste, fortalece a ideia de que Lula ainda pode ter peso na campanha.

    No entanto, um grupo que cresce defende que Haddad precisa tomar controle da campanha e caminhar para o centro democrático e se colocar como uma alternativa clara a uma candidatura 'pouco democrática' como Bolsonaro.

    Ainda assim, Haddad irá nesta segunda-feira, como primeiro ato depois do primeiro turno, visitar Lula em Curitiba, onde o ex-presidente está preso desde o dia 7 de abril, acusado de lavagem de dinheiro e corrupção passiva. Sua primeira entrevista como candidato no turno deverá ser feita em frente à Superintendência da Polícia Federal.

    Novos nomes devem se agregar à coordenação, como o de Wagner, que tende a se alinhar com uma proposta mais moderada.

    O partido deve investir ainda em uma atuação mais forte nas redes sociais. Na reta final, a quantidade de notícias falsas usada contra a campanha de Haddad cresceu exponencialmente e a avaliação na campanha é que o partido reagiu tarde. Apenas na última semana.

    'Vamos mudar nossa política de rede. Teve uma disseminação de fake news absurda. O TSE não agiu para combater', disse Emídio.

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