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Após críticas dos EUA, Israel vincula retirada do Líbano ao desarmamento do Hezbollah

Após críticas dos EUA, Israel vincula retirada do Líbano ao desarmamento do Hezbollah

Reuters

13/08/2026

Placeholder - loading - Escombros em local atingido por ataques israelenses em Burj al-Shamali, sul do Líbano 6 de agosto de 2026 REUTERS/Stringer
Escombros em local atingido por ataques israelenses em Burj al-Shamali, sul do Líbano 6 de agosto de 2026 REUTERS/Stringer

Por Maayan Lubell e Maya Gebeily

JERUSALÉM/BEIRUTE, 13 Ago (Reuters) - Israel não ​se retirará do sul do Líbano até que o Hezbollah seja desarmado, afirmou o ministro da Defesa israelense nesta quinta-feira, esclarecendo declarações feitas no dia anterior que sugeriam que as forças israelenses ocupariam o território por tempo indeterminado e que geraram críticas dos Estados Unidos.

Israel tomou uma faixa do sul do Líbano durante uma guerra com o Hezbollah no início deste ano e afirmou que manterá forças na região para proteger o norte de Israel de ataques do grupo apoiado pelo Irã, que desencadeou as últimas hostilidades ao abrir fogo contra Israel dois dias após o início da guerra dos EUA e de Israel contra o Irã.

A ofensiva de Israel desalojou centenas de milhares de libaneses, a maioria deles membros da base eleitoral xiita ⁠do Hezbollah.

Durante uma ⁠visita ao sul do Líbano na quarta-feira, o ministro ​da Defesa, ‌Israel Katz, disse que ele e o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, haviam sido “inequivocamente claros” ao afirmar que “não vamos nos retirar desta zona de segurança”, acrescentando: “vamos limpar esta área e garantir a segurança dos moradores do norte”.

Após sua declaração, um funcionário do Departamento de Estado dos EUA afirmou que uma presença militar israelense permanente no sul do ⁠Líbano não é compatível com os compromissos estabelecidos no acordo de Israel com o governo ​libanês, apoiado pelos EUA.

O acordo prevê uma retirada progressiva de Israel, vinculada ao desarmamento comprovado do Hezbollah.

“Os Estados Unidos ​esperam que todas as partes ajam de maneira consistente com o Acordo-Quadro ‌que concordaram em seguir, e ​Israel ⁠afirmou claramente que não tem ambições territoriais no Líbano”, disse o funcionário norte-americano em declarações por escrito distribuídas aos jornalistas.

O Hezbollah, fundado pela Guarda Revolucionária do Irã em 1982, se opõe veementemente às negociações de Beirute com Israel e descartou qualquer discussão sobre ​seu armamento antes da retirada israelense.

“PRESENÇA PROLONGADA”

Nesta quinta-feira, Katz afirmou que Israel “não se retirará da zona de segurança no Líbano enquanto o Hezbollah não for desarmado e a ameaça do Hezbollah em todo o Líbano não for eliminada”.

“Instruí as Forças de Defesa de Israel (IDF) a se prepararem para uma presença prolongada na área a fim de proteger as forças de combate ​e as comunidades, até que esse objetivo seja plenamente alcançado”, acrescentou Katz em uma cerimônia que marcou a fundação de um assentamento israelense na Cisjordânia ocupada.

O partido Likud, de Netanyahu, ao qual Katz pertence, busca reforçar suas credenciais em matéria de segurança entre os eleitores antes das eleições de 27 de outubro — as primeiras em Israel desde os ataques liderados pelo Hamas em 7 de outubro de 2023.

A declaração de Katz ecoou comentários recentes de Netanyahu sobre Gaza e o Hamas. No domingo, Netanyahu afirmou que o mais recente plano para Gaza do presidente dos EUA, Donald Trump, era “inaceitável” e que Israel não ​se retiraria antes que o Hamas fosse desarmado.

O acordo mediado pelos EUA entre o Líbano e Israel mantém as tropas israelenses ‌dentro do Líbano até que o Hezbollah seja desarmado ⁠e as Forças Armadas libanesas assumam o controle do sul, um processo que envolve “zonas-piloto”.

O representante do Departamento de Estado dos EUA disse que as Forças Armadas libanesas estão implementando as primeiras zonas-piloto e que Washington “continuará a apoiar a implementação ⁠total desse processo”.

Hussam Mneimeh, morador de Beirute, disse que Israel “não pode continuar como ⁠ocupante”.

“Já houve experiências anteriores... eles ocuparam o Líbano e depois ⁠se retiraram de uma ⁠forma ​ou de outra, seja por meio de negociações políticas, seja por meio da guerra”, disse ele.

(Reportagem adicional de Ahmed Kerdi, em Beirute)

Reuters

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