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    Araújo critica embaixador chinês, mas diz que Eduardo não representa o governo

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    Chanceler Ernesto Araújo ie embaixador da China no Brasil, Yang Wanming, se cumprimentam durante seminário em Brasília 25/04/2019 REUTERS/Adriano Machado

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    Por Lisandra Paraguassu

    BRASÍLIA (Reuters) - O ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, criticou o embaixador da China no Brasil por ter retuitado comentário de um seguidor que chamava a família Bolsonaro de 'veneno', antes de dizer que as posições do deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), filho do presidente, não refletem as do governo brasileiro.

    Em uma nota divulgada em sua conta no Twitter, Araújo concentra o texto em críticas ao enviado chinês.

    'As críticas do deputado Eduardo Bolsonaro à China, feitas também em postagens ontem à noite, não refletem a posição do governo brasileiro. Cabe lembrar, entretanto, que em nenhum momento ele ofendeu o chefe de Estado chinês. A reação do embaixador foi, assim, desproporcional e feriu a boa prática diplomática', escreveu Araújo.

    O embaixador da China apagou o retuíte sobre a família Bolsonaro antes da nota do chanceler.

    Em seguida, o deputado Eduardo Bolsonaro também distribuiu uma nota em sua conta no Twitter, em tom semelhante à do chanceler. Apesar de dizer que não quis ofender o povo chinês, Eduardo afirma que não viu nos posts do embaixador resposta às suas críticas, mas apenas irritação e ofensas a sua família.

    O deputado também deixa claro que não fala em nome do governo brasileiro, mas reafirma críticas à maneira como a China lidou com a epidemia.

    'As vidas das pessoas devem vir em primeiro lugar, não os interesses do Estado. Não desejamos problemas com a China, e certamente o país asiático também não busca conflitos com o Brasil', escreveu.

    Eduardo se manteve afastado da rede social desde a noite de quarta-feira, apesar de normalmente ser extremamente ativo nas redes pela manhã. Seu primeiro tuíte do dia foi a nota sobre as críticas ao governo chinês.

    Ao compartilhar na véspera uma sequência de tuítes sobre a maneira que a China tratou o início da epidemia de coronavírus, Eduardo escreveu que o país era responsável pela epidemia por esconder informações -- o que disse representar ações típicas de uma ditadura.

    A embaixada da China reagiu em sua conta no Twitter e na conta pessoal do embaixador, exigindo um pedido de desculpas e afirmando que Eduardo repetia as ações de seus 'amigos' norte-americanos, além de dizer que o deputado havia contraído um 'vírus mental' durante viagem a Miami.

    Em seu posicionamento, Araújo afirma que já comunicou ao embaixador a 'insatisfação do governo brasileiro com seu comportamento', mas acrescenta que irá conversar com Eduardo e com o próprio embaixador para promover um 'reentendimento recíproco'.

    De acordo com fontes ouvidas pela Reuters, o tuíte de Eduardo causou estupefação dentro do Itamaraty, mas a ordem até agora era silêncio total.

    Em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo, o vice-presidente Hamilton Mourão, que é presidente do Conselho Sino-brasileiro, também disse que a fala de Eduardo não representa o governo brasileiro.

    'O Eduardo Bolsonaro é um deputado. Se o sobrenome dele fosse Eduardo Bananinha, não era problema nenhum. Só por causa do sobrenome. Ele não representa o governo', disse à Folha.

    CONGRESSO

    Depois das desculpas do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), às declarações de Eduardo Bolsonaro, o Senado se manifestou oficialmente na tarde desta terça.

    Em função de estar em autoisolamento por estar infectado com o novo coronavírus, o presidente do Senado e do Congresso, Davi Alcolumbre (DEM-AP), pediu ao primeiro-vice-presidente do Senado, Antonio Anastasia (PSD-MG), apresentar as desculpas da Casa à China.

    'Apresento a Vossa Excelência e a todo o povo chinês, em meu nome e em nome do Congresso Nacional, nosso respeito, solidariedade e também nossas desculpas, reafirmando que nenhum obstáculo poderá separar nossos povos no combate a uma doença tão intensa e arrasadora', disse Anastasia em carta endereçada ao presidente da China, Xi Jinping.

    (Reportagem adicional de Maria Carolina Marcello)

    Escrito por Reuters

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