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Argentina aprova reforma para facilitar mineração em regiões glaciais

Argentina aprova reforma para facilitar mineração em regiões glaciais

Reuters

09/04/2026

Placeholder - loading - Vista da geleira Perito Moreno perto da cidade de El Calafate, na Argentina 21 de abril de 2025 REUTERS/Bernat Parera
Vista da geleira Perito Moreno perto da cidade de El Calafate, na Argentina 21 de abril de 2025 REUTERS/Bernat Parera

Por Lucila Sigal

BUENOS AIRES, 9 Abr (Reuters) - ​Os parlamentares da Argentina aprovaram nesta quinta-feira uma reforma apoiada pelo governo que visa promover o investimento em mineração nas regiões glaciais do país, uma medida que, segundo ambientalistas e cientistas, enfraqueceria as proteções e ameaçaria os recursos hídricos.

A Câmara dos Deputados aprovou a reforma por 137 votos a 111, com 3 abstenções. A lei entrará em vigor assim que for publicada no diário oficial.

Promovida pelo governo do presidente Javier ⁠Milei, ⁠a reforma gerou polêmica por ​permitir que ‌as províncias estabeleçam seus próprios padrões de proteção para geleiras e periglaciais. Essa mudança, segundo os críticos, poderia minar as salvaguardas das formações de gelo de alta altitude que servem ⁠como reservas importantes de água doce.

Espera-se que a medida gere ​US$165 bilhões em exportações até 2035 e crie milhares de empregos, ​disse o ministro da Economia, Luis Caputo, ‌no X. 'Algumas províncias ​mudarão ⁠para sempre', afirmou.

Os parlamentares da oposição acusaram as autoridades de censura, dizendo que apenas 0,3% das mais de 100.000 pessoas que se inscreveram para ​falar contra a medida em audiências públicas puderam se manifestar.

Desde 2010, a legislação proíbe a mineração e a atividade industrial nessas áreas e estabelece padrões mínimos para proteger as reservas de água.

Os governadores ​das principais províncias e empresas de mineração dizem que a reforma esclarece as regras para investimentos e pode posicionar a Argentina como um importante fornecedor de cobre e lítio para a transição energética.

Cientistas do país afirmam que a reforma é motivada por interesses econômicos e políticos, enquanto grupos ambientalistas argumentam que ela favorece projetos de mineração em larga ​escala em detrimento das proteções ambientais.

'As tentativas de interferência de organizações estrangeiras ‌fracassaram, e os ambientalistas determinados a ⁠bloquear o progresso da República Argentina foram derrotados mais uma vez', disse Milei em um comunicado saudando a aprovação da reforma.

A ⁠Universidade de Buenos Aires manifestou preocupação com a ⁠reforma em fevereiro, pedindo 'critérios científicos ⁠unificados, apoiados por ⁠conhecimentos ​técnicos'.

(Reportagem de Lucila Sigal; Reportagem adicional de Gnaneshwar Rajan e Aida Pelaez-Fernandez)

Reuters

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