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Atlas avalia até 500 MW de baterias no Brasil e vê leilão como 'ponto de inflexão'

Atlas avalia até 500 MW de baterias no Brasil e vê leilão como 'ponto de inflexão'

Reuters

21/07/2026

Placeholder - loading - Torres de transmissão de energia elétrica em uma subestação da Centerpoint Energy em Bellaire, perto de Houston, Texas, EUA, em 13 de maio de 2026.  REUTERS/Shahrzad Rasekh
Torres de transmissão de energia elétrica em uma subestação da Centerpoint Energy em Bellaire, perto de Houston, Texas, EUA, em 13 de maio de 2026. REUTERS/Shahrzad Rasekh

Por Leticia Fucuchima

SÃO PAULO, 21 Jul (Reuters) - A geradora ​Atlas Renewable Energy avalia o desenvolvimento de até 500 MW em projetos de baterias no Brasil, que poderiam ser viabilizados tanto em leilão quanto de forma independente junto a seu portfólio de usinas renováveis, disse à Reuters o presidente da companhia para o país nesta terça-feira.

Na avaliação de Fabio Bortoluzo, a principal oportunidade para desenvolvimento dessas tecnologias de armazenamento de energia será o certame inédito previsto para dezembro, que poderá marcar um 'ponto de inflexão' para as energias renováveis no Brasil, já que ajudará o setor a entender qual será o nível 'normal' de cortes de geração ⁠de eólicas ⁠e solares.

'Temos olhado para o leilão como ​uma potencial ‌oportunidade, muito nessa base de combinar com a geração existente. Entendemos que, com a tecnologia sendo viável, podemos inclusive instalar mais geração', disse, à margem de um evento em São Paulo.

A empresa controlada pelo Global Infrastructure Partners (GIP), da BlackRock, é um dos ⁠grandes investidores em energias renováveis no Brasil que, assim como seus pares, tem ​sofrido com as elevadas restrições à produção das usinas eólicas e solares, impostas na operação ​do sistema elétrico.

A companhia suspendeu planos de US$1 ‌bilhão em novos investimentos no ​mercado ⁠brasileiro, diante do problema do 'curtailment'.

Segundo Bortoluzo, o primeiro leilão de baterias ajudará o setor nacional a entender o ponto de equilíbrio das restrições energéticas com as quais a matriz brasileira terá que conviver ​no futuro.

'Acho que é consenso que nunca será zero, a gente sempre vai ter alguma restrição energética no sistema, mas a gente deveria ter uma visão de quanto ela é e quando ela acontece, quando ela normaliza', avaliou o executivo, durante evento.

O primeiro leilão de baterias ​prevê um incentivo para instalação dos sistemas no Nordeste, principalmente polo para as energias eólica e solar no Brasil. Projetos localizados em pontos específicos da região contarão com um 'bônus', saindo à frente na disputa pelos contratos.

O potencial de 500 MW para desenvolvimento de baterias pela Atlas no Brasil é metade do que a empresa já tem em projetos do tipo em construção e operação no Chile, mercado que está mais avançado na implementação de baterias em larga escala no ​setor elétrico.

Para o certame de dezembro, o presidente da geradora no Brasil avalia que há espaço ‌para aprimoramento das regras inicialmente postas pelo ⁠governo, principalmente para permitir baterias co-localizadas, isto é, associadas a usinas já existentes e que possam consumir energia diretamente delas, sem puxar da rede elétrica nacional.

Embora já seja viável do ⁠ponto de vista regulatório, a instalação de baterias por conta ⁠própria dos geradores em seus parques ainda esbarra ⁠em custos elevados, ⁠apontou ​Bortoluzo, citando uma alta carga tributária incidente sobre os equipamentos importados.

(Por Letícia Fucuchima; edição de Marta Nogueira)

Reuters

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