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Autoridades dos EUA defendem tiros contra homem em Nova York e criticam as políticas de “santuário”

Autoridades dos EUA defendem tiros contra homem em Nova York e criticam as políticas de “santuário”

Reuters

09/10/2026

Placeholder - loading - Veículo danificado no local de tiroteio no bairro do Bronx, na cidade de Nova York, EUA 8 de outubro de 2026 REUTERS/David Dee Delgado
Veículo danificado no local de tiroteio no bairro do Bronx, na cidade de Nova York, EUA 8 de outubro de 2026 REUTERS/David Dee Delgado

Por Jonathan Allen e Joseph Ax

NOVA YORK, 9 Out (Reuters) - Autoridades de imigração ​dos Estados Unidos defenderam, nesta sexta-feira, os agentes federais que atiraram e feriram um homem da cidade de Nova York dentro de seu carro, com uma criança pequena no banco de trás, e repreenderam o prefeito Zohran Mamdani por sua condenação aos agentes de imigração.

O secretário de Segurança Interna dos EUA, Markwayne Mullin, disse em uma coletiva de imprensa que os policiais não sabiam que a criança estava no carro no momento em que abriram fogo e acusou o homem, um dominicano que era o alvo da operação, de colocar em risco tanto os policiais quanto a criança.

O homem, identificado pelas autoridades como Oscar Belgal, recusou-se a sair do carro quando abordado por agentes do Serviço de Imigração e Alfândega na tarde de quinta-feira em Marble Hill, bairro mais ao norte de Manhattan.

Antes de Belgal, agentes federais de imigração haviam atirado em pelo menos 21 pessoas, matando 7 delas, em ⁠todo o território dos ⁠EUA desde que o presidente Donald Trump reassumiu o cargo ​em janeiro de ‌2025, prometendo recordes de deportações.

Marcos Charles, autoridade de alto escalão do ICE, disse na coletiva de imprensa que Belgal acelerou o carro e bateu em dois veículos do ICE, parecendo estar “indo em direção aos agentes” quando eles começaram a atirar.

Em outros incidentes violentos, os relatos iniciais do ICE ou do Departamento de Segurança Interna foram repetidamente contraditos por vídeos e outras evidências, às vezes em tribunal, e a Reuters ⁠não conseguiu verificar a versão de Charles.

Belgal sofreu um ferimento superficial no pescoço, disse Charles. Ele está detido ​em um centro de detenção nos arredores do Estado de Nova York. O filho de 5 anos de Belgal estava no banco de ​trás no momento, segundo a polícia.

Em um vídeo de três minutos gravado por uma ‌câmera corporal divulgado pelo Departamento de ​Polícia ⁠de Nova York nesta sexta-feira, Belgal pode ser visto sentado ao lado de um carro, com as mãos algemadas atrás das costas e manchas do que parecia ser sangue fresco na pista, e com agentes à paisana em volta dele. Um deles segura um fuzil e usa um colete refletivo fluorescente.

Uma multidão ​de curiosos enfurecidos, reunida do lado de fora de uma loja de esquina, grita com os policiais da calçada. Vários policiais municipais pegam Belgal pelos braços e pelas pernas, colocam-no no carro e o levam para um hospital.

Mullin disse que o vídeo das câmeras corporais dos agentes do ICE também deve ser divulgado.

Belgal é um dominicano que está no país ilegalmente e já havia escapado de uma tentativa dos agentes do ICE de prendê-lo em ​setembro, segundo autoridades norte-americanas. Ele se declarou culpado no ano passado por furto qualificado de quarto grau, o que resultou em uma sentença de cinco anos de liberdade condicional, e deve comparecer ao tribunal em dezembro sob a acusação de venda criminosa de substância controlada, da qual se declarou inocente, de acordo com registros judiciais de Nova York.

Ao falar com jornalistas na noite de quinta-feira no local do tiroteio, Mamdani, ressaltando que ele próprio era imigrante, condenou o ICE como “podre até a medula” e disse que havia tentado, sem sucesso, garantir a libertação de Belgal em ligações telefônicas com Trump e Mullin.

Mamdani afirmou que o tiroteio é “mais uma confirmação devastadora do que já sabemos há muito tempo: que o ICE age com impunidade, que ​semeia o caos e o terror por todo o nosso país e que já matou muito mais vizinhos nossos do que jamais poderia alegar ter salvado”.

Em ‌resposta, nesta sexta-feira, Mullin atacou Mamdani e criticou as políticas ⁠de “santuário” de Nova York, que restringem o grau de cooperação das agências municipais e da polícia com as autoridades de imigração, a menos que uma pessoa tenha sido condenada por crimes violentos ou graves.

Trump afirma que esforços agressivos para deportar imigrantes são necessários para proteger a segurança dos ⁠norte-americanos nascidos no país.

Defensores públicos de órgãos que representaram Belgal no tribunal também condenaram o tiroteio.

A ⁠Legal Aid afirmou em um comunicado que o tiroteio representa “um apelo ⁠urgente para coibir o uso da ⁠força ​pelo ICE e responsabilizar os agentes federais de imigração”, exortando os promotores municipais a investigarem os agentes envolvidos.

(Reportagem de Doina Chiacu, Kristina Cooke e Joseph Ax)

Reuters

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