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Base de apoio em declínio é desafio para novo líder do Irã e República Islâmica

Base de apoio em declínio é desafio para novo líder do Irã e República Islâmica

Reuters

09/03/2026

Placeholder - loading - Aiatolá Mojtaba Khamenei 01/10/2024 Office of the Iranian Supreme Leader/WANA (West Asia News Agency)/Divulgação via REUTERS
Aiatolá Mojtaba Khamenei 01/10/2024 Office of the Iranian Supreme Leader/WANA (West Asia News Agency)/Divulgação via REUTERS

Por Parisa Hafezi e Angus McDowall

DUBAI, 9 Mar (Reuters) - O novo líder supremo do Irã enfrenta ​um ataque externo massivo e uma crescente revolta interna, em um momento em que o apoio dos ideólogos radicais que deram suporte a seus antecessores é menos claro do que antes.

O aiatolá Mojtaba Khamenei, que possui grande influência dentro da Guarda Revolucionária do Irã e em suas vastas redes empresariais, sobreviveu aos ataques aéreos dos EUA e de Israel contra o Irã, nos quais seu pai, o aiatolá Ali Khamenei, foi morto há mais de uma semana.

A televisão estatal exibiu imagens de apoiadores da República Islâmica comemorando nas ruas após sua escolha por um conselho clerical linha-dura.

No entanto, entrevistas da Reuters com três membros da milícia voluntária da Guarda Revolucionária, a Basij, bem como com iranianos comuns, autoridades, pessoas próximas ao partido e analistas políticos, apontam para uma base de apoio muito mais restrita do que a que a República Islâmica já teve.

'A estratégia ao escolher um linha-dura como novo líder seria consolidar a base, mas eles estão acabando com um círculo de apoiadores cada vez menor', disse Ali Ansari, professor de história moderna da Universidade de St Andrews, no Reino Unido.

'E quanto ⁠mais isso se prolongar, mais tudo ⁠vai se deteriorar', afirmou.

A República Islâmica surgiu de uma revolução em ​1979 apoiada por ‌milhões de iranianos. Mas décadas de governo marcadas por corrupção, repressão e má gestão enfraqueceram seu apoio.

Ainda assim, permanece um núcleo de apoiadores leais -- pessoas que comparecem repetidamente às urnas para dar suporte ao sistema islâmico e que saem às ruas para reprimir os protestos da oposição.

'Estou muito feliz que ele (Mojtaba Khamenei) seja nosso novo líder. Foi um tapa na cara dos nossos inimigos que pensavam que o sistema iria ruir com o assassinato de seu pai. O legado do nosso falecido líder ⁠continuará', disse a estudante universitária Zahra Mirbagheri, de 21 anos, de Teerã.

Altamente organizados e capazes de se mobilizar rapidamente, os iranianos leais ​ao governo ainda representam um grande obstáculo a quaisquer esperanças dos EUA ou de Israel de efetuar uma mudança de regime.

'Já demos muitos mártires. Eles se sacrificaram pelo ​nosso líder. Agora devemos mostrar que o caminho do líder Khamenei continua', disse Mahdi Rastegari, de ‌32 anos, professor de religião e membro da ​Basij.

'Nós daríamos ⁠até a nossa vida por ele', acrescentou.

APOIO

O presidente dos EUA, Donald Trump, havia rejeitado anteriormente Mojtaba como candidato a novo líder supremo do Irã, e Israel afirmou que atacaria quem quer que liderasse o país. Questionado sobre a nomeação de Mojtaba, Trump disse apenas: 'Veremos o que acontece'.

Na última eleição presidencial, o candidato mais linha-dura, Saeed Jalili, obteve cerca de 9 milhões de votos ​no primeiro turno e 13 milhões no segundo, segundo os resultados oficiais, uma fração dos mais de 61 milhões de iranianos aptos a votar.

No entanto, o bombardeio contínuo no país gerou o temor de caos e opressão entre aqueles que anseiam por mudanças.

'A Guarda Revolucionária e o sistema ainda são poderosos. Eles têm dezenas de milhares de soldados prontos para lutar e manter este regime no poder. Nós, o povo, não temos nada', disse Babak, de 34 anos, um empresário de Arak que pediu para que seu sobrenome fosse mantido em ​segredo.

REDE DE CONTROLE

Com a morte de seu líder no primeiro dia da guerra e o surgimento de fissuras na hierarquia do país, o apoio dos linha-dura à República Islâmica será agora testado como nunca antes.

Homens como Rastegari, membro da Basij, representam uma rede de poder que se estende do escritório do líder supremo, agora destruído por bombardeios, no centro de Teerã, a todos os vilarejos e bairros da cidade.

Todas as noites, desde a morte de Khamenei, os radicais realizam cerimônias de luto apoiadas pelo Estado, apesar das bombas que caem por todo o país.

Entre eles, há pessoas dispostas a morrer como mártires por sua crença fervorosa no governo daquele que consideram um clérigo divinamente guiado. Há ainda iranianos que se beneficiaram de seu status como apoiadores públicos do sistema.

Outro membro da Basij, Ali Mohammad Hosseini, sai do trabalho na mercearia do pai, na cidade de Qom, conhecida por seus seminários muçulmanos ​xiitas, para passar as noites em postos de controle, com o objetivo de impedir qualquer manifestação de dissidência pública.

'A questão mais importante é preservar o regime, que é o alvo dos americanos', ‌disse o jovem de 29 anos, acrescentando que apoiaria qualquer clérigo que ⁠substituísse Khamenei como um 'dever religioso' pelo qual estava preparado para morrer.

Esse grau de comprometimento, porém, não é universal. Outro membro da Basij, que pediu para ser identificado apenas pelo primeiro nome, Hassan, e por sua localização na cidade sagrada xiita de Mashhad, disse ter dúvidas de que a República Islâmica sobreviveria.

'Precisamos ser realistas', disse ele, apontando para a ⁠pressão contínua dos EUA e as consequências devastadoras dos ataques aéreos.

Membros da Basij e outros iranianos que demonstram lealdade ⁠ao sistema desfrutam há décadas de privilégios, incluindo vagas preferenciais em universidades, ofertas de emprego ⁠e empréstimos bancários subsidiados -- mas uma ⁠economia ​em colapso pode acabar com essas regalias.

'Nem sequer temos mais aeroportos. Nem portos. Como é que vão reconstruir esta economia?', disse Hassan, de 29 anos.

(Reportagem de Parisa Hafezi; texto de Angus McDowall)

Reuters

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