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BC abre ciclo de cortes na Selic com redução de 0,25 ponto e prega cautela diante de guerra no Irã

BC abre ciclo de cortes na Selic com redução de 0,25 ponto e prega cautela diante de guerra no Irã

Reuters

18/03/2026

Placeholder - loading - Logotipo do Banco Central na sede da instituição em Brasília 17/12/2024 REUTERS/Adriano Machado
Logotipo do Banco Central na sede da instituição em Brasília 17/12/2024 REUTERS/Adriano Machado

Atualizada em  18/03/2026

Por Bernardo Caram

BRASÍLIA, 18 Mar (Reuters) - O Banco Central deu início a um aguardado ciclo ​de corte de juros ao reduzir nesta quarta-feira a Selic em 0,25 ponto percentual, a 14,75% ao ano, defendendo cautela para passos futuros da calibração da taxa básica ao destacar “forte aumento da incerteza” em meio ao acirramento dos conflitos no Oriente Médio.

O Comitê de Política Monetária (Copom) do BC afirmou que avalia em particular o impacto dos conflitos sobre a cadeia de suprimentos global e os preços de commodities que afetam a inflação no Brasil, e enfatizou que suas projeções para a alta de preços se afastaram da meta de 3%.

'O Comitê reafirma serenidade e cautela na condução da política monetária, de forma que os passos futuros do processo de calibração da taxa básica de juros possam incorporar novas informações que aumentem a clareza sobre a profundidade e a extensão dos conflitos no Oriente Médio, assim como seus efeitos diretos e indiretos sobre o nível de preços”, afirmou.

O primeiro corte na taxa básica de juros desde maio de 2024 -- e o primeiro feito sob a presidência de Gabriel ⁠Galípolo -- vem após cinco reuniões ⁠consecutivas com manutenção da Selic em 15% ao ano, maior ​nível em quase ‌duas décadas.

No documento, o BC disse que julgou ser apropriado dar início ao ciclo de calibração da política monetária, já que o período prolongado dos juros em nível contracionista trouxe evidências da transmissão da política monetária sobre a desaceleração da atividade econômica.

Para a autarquia, esse cenário criou 'condições para que ajustes no ritmo dessa calibração, à luz de novas informações, sejam possíveis de forma a assegurar o nível compatível com a convergência da inflação à meta'.

Em janeiro, ⁠ao manter a taxa em 15%, o BC havia indicado que iniciaria um ciclo de corte de juros neste mês, ​mas apostas de mercado vinham migrando nos últimos dias para um afrouxamento menos intenso na política monetária sob risco de pressões inflacionárias geradas pelo conflito ​no Irã, que elevou preços do petróleo. Algumas casas de grande porte, como a XP ‌e BGC Liquidez, já estavam prevendo, inclusive, ​uma manutenção ⁠na Selic nesta quarta.

Em pesquisa da Reuters, 30 dos 44 economistas entrevistados entre 9 e 13 de março projetaram que o BC cortaria a Selic em 0,50 ponto neste mês, mas, em meio às tensões no Oriente Médio, a maior parte das previsões coletadas no último dia da pesquisa já apontava para uma redução de 0,25 ponto.

CAUTELA

Para o ​economista-chefe do banco BV, Roberto Padovani, a decisão do BC mostra um início cauteloso do afrouxamento monetário diante de incertezas geopolíticas, com ênfase na dependência de dados para as próximas reuniões do Copom.

“A gente imagina que é possível mais um corte de 0,25 ponto percentual na próxima reunião e depois, superadas as incertezas do conflito, ele aumenta o ritmo para 0,50 ponto e encerra 2026 com uma taxa de juros 12%”, afirmou.

Na visão do estrategista-chefe da GCB Investimentos, Lucas Constantino, ainda que o ​início do ciclo de cortes tenha sido confirmado, a comunicação do Copom sugere menor espaço para reduções mais intensas no curto prazo. Para ele, o ciclo deve prosseguir, mas em ritmo “bem gradual”.

O BC afirmou no comunicado que os riscos para a inflação, tanto de alta quanto de baixa, 'que já se encontravam mais elevados do que o usual', se intensificaram após o início dos conflitos militares.

Nesta quarta, a autarquia piorou sua projeção de inflação para 2026 em relação a janeiro, de 3,4% para 3,9%, considerando o cenário de referência, que segue projeções de mercado para os juros. Em relação ao terceiro trimestre de 2027, atual horizonte relevante da política monetária, a expectativa subiu para 3,3%, contra previsão anterior de 3,2%.

Para fazer as projeções do cenário de referência, o Copom considerou uma taxa de câmbio que parte de R$5,20, ​ante patamar de R$5,35 usado na última reunião.

O BC ressaltou que a incerteza acerca dessas projeções 'foi elevada consideravelmente' em razão da falta de clareza sobre a duração dos conflitos ‌militares e de seus efeitos sobre indicadores econômicos.

A decisão do Copom ⁠foi tomada de forma unânime pelo colegiado, que pela segunda reunião seguida contou com apenas sete dos nove membros, após a saída de Diogo Guillen da diretoria de Política Econômica e de Renato Gomes da diretoria de Organização do Sistema Financeiro e de Resolução em dezembro. O governo ainda não indicou novos nomes ⁠para os cargos e dificuldades no Senado podem manter o desfalque por mais reuniões.

Mais cedo nesta quarta, o ⁠Federal Reserve manteve as taxas de juros dos Estados Unidos estáveis e projetou ⁠uma inflação mais alta, desemprego estável ⁠e ​um único corte nos juros para o ano, em sua primeira reunião de política monetária desde a eclosão da guerra de EUA e Israel com o Irã.

(Por Bernardo Caram)

Reuters

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