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    BC eleva Selic a 5,25% e indica que juros vão superar patamar neutro para conter inflação

    Placeholder - loading - Pessoas passam em frente à sede do Banco Central em Brasília 16/05/2017 REUTERS/Ueslei Marcelino
    Pessoas passam em frente à sede do Banco Central em Brasília 16/05/2017 REUTERS/Ueslei Marcelino

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    Por Marcela Ayres

    BRASÍLIA (Reuters) - O Banco Central aumentou o ritmo de aperto monetário nesta quarta-feira ao subir a Selic em 1 ponto, a 5,25% ao ano, indicando que deve repetir a dose em setembro diante das pressões inflacionárias.

    Para domá-las, o BC também apontou que a necessidade agora é de uma taxa básica de juros acima do patamar neutro, ou seja, em nível suficiente para desaquecer a economia.

    Antes, a comunicação do BC destacava que o processo de ajustes na Selic mirava a normalização da taxa de juros para a neutralidade.

    'O Copom considera que, neste momento, a estratégia de ser mais tempestivo no ajuste da política monetária é a mais apropriada para garantir a ancoragem das expectativas de inflação', afirmou o Comitê de Política Monetária do BC, em comunicado.

    'Neste momento, o cenário básico e o balanço de riscos do Copom indicam ser apropriado um ciclo de elevação da taxa de juros para patamar acima do neutro', acrescentou o texto.

    Em pesquisa Reuters, 37 dos 46 economistas ouvidos pela Reuters estimavam uma elevação na Selic nesta magnitude. Os nove restantes previam que a alta seria menor, de 0,75 ponto.

    Esta foi a quarta vez seguida que o BC subiu os juros básicos, mas a primeira desde fevereiro de 2003 em que lançou mão de um aperto de 1 ponto percentual.

    Quando iniciou a elevação na Selic em março, após deixá-la por quatro reuniões seguidas na mínima histórica de 2%, o BC assinalou que buscava a normalização parcial da taxa, reduzindo assim o estímulo que buscou injetar na economia após a crise com a pandemia de coronavírus ter levado a atividade a sofrer um tombo recorde no ano passado.

    Mas já em junho, quando se reuniu pela última vez, o Copom passou a indicar que avistava a normalização da taxa de juros para o patamar considerado neutro, em que a Selic não aquece e nem esfria a economia. Esse nível está ao redor de 6,5%, segundo indicação do próprio BC.

    INFLAÇÃO PERSISTENTE

    A mudança de agora veio na esteira de renovadas pressões inflacionárias, embaladas por preços mais altos de combustíveis e da energia elétrica.

    Segundo o BC, a inflação ao consumidor continua se revelando persistente.

    'Os últimos indicadores divulgados mostram composição mais desfavorável. Destacam-se a surpresa com o componente subjacente da inflação de serviços e a continuidade da pressão sobre bens industriais, causando elevação dos núcleos', afirmou.

    'Além disso, há novas pressões em componentes voláteis, como a possível elevação do adicional da bandeira tarifária e os novos aumentos nos preços de alimentos, ambos decorrentes de condições climáticas adversas. Em conjunto, esses fatores acarretam revisão significativa das projeções de curto prazo', acrescentou.

    Aliado a uma recuperação econômica mais forte, o cenário já havia feito muitos agentes econômicos apostarem que o BC, na decisão desta quarta-feira, mostraria a intenção de levar os juros para além do patamar neutro para conseguir domar as expectativas de inflação para o ano que vem, horizonte que atualmente tem maior peso nas suas decisões de política monetária.

    Para o economista-chefe do Fator, José Francisco Gonçalves, a posição do BC já eram amplamente esperada.

    'Nosso call de Selic a 7,50% parece mesmo estar se dirigindo a um piso. O dólar talvez ceda um pouco, reduzida a incerteza sobre o Copom se limitar ao juro neutro', afirmou ele, em nota.

    Até a decisão do Copom, a avaliação no mercado era de que os juros básicos fechariam o ano em 7%, conforme Boletim Focus mais recente, embora muitos analistas já estivessem revisando suas contas para cima.

    Em seu comunicado, o BC manteve suas previsões para o IPCA em 2022, pelo seu cenário básico, a 3,5%, indicando uma inflação em 3,2% para 2023. Já para este ano, o BC elevou a estimativa de inflação a 6,5%, sobre 5,8% antes.

    O centro da meta de inflação é de 3,75% para 2021, de 3,5% para o ano que vem e de 3,25% para 2023, sempre com margem de tolerância de 1,5 ponto para mais ou para menos.

    No Focus, as perspectivas são piores, com IPCA em 6,79% este ano, 3,8% em 2022 e 3,25% em 2023. Ao contrário do BC, portanto, o mercado já enxerga a inflação acima do centro da meta no ano que vem.

    Considerado uma prévia da inflação oficial, o IPCA-15 subiu 0,72% em julho, a maior alta para o mês desde 2004, com o acumulado em 12 meses passando a 8,59%.

    Sobre a dinâmica da recuperação econômica, o BC avaliou que os últimos indicadores continuam mostrando evolução positiva e não ensejam mudança relevante para o cenário à frente, que contempla retomada robusta ao longo do segundo semestre.

    No fim de junho, o BC havia divulgado uma expectativa de crescimento do PIB de 4,6% neste ano. Pelo Focus, o mercado já enxerga uma expansão de 5,3% para a atividade.

    FISCAL

    Apesar de preocupações com o rumo das contas públicas terem mexido com o mercado nos últimos dias, o BC não fez novas ponderações sobre o tema, limitando-se a repetir no comunicado mensagens que já vinha martelando, incluindo a de que o risco fiscal elevado segue criando uma assimetria altista no balanço de riscos para a inflação.

    O presidente Jair Bolsonaro tem feito acenos constantes de que irá aumentar o benefício do Bolsa Família apesar de não haver definição formal sobre como isso irá ocorrer, especialmente após a divulgação de uma conta de cerca de 90 bilhões de reais em precatórios a serem pagos pela União no ano que vem.

    Diante do desafio, a equipe econômica quer aprovar no Congresso Nacional uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que possibilite o parcelamento do pagamento dos precatórios, que são requisições de pagamento expedidas pela Justiça após derrotas definitivas sofridas pelo governo em processos judiciais. Com isso, a proposta abriria espaço no Orçamento para acomodação de outros gastos, incluindo um Bolsa Família mais robusto.

    Parte dos agentes econômicos, contudo, encara a investida como uma espécie de calote, com o governo buscando cavar brechas orçamentárias para fazer mais despesas em ano eleitoral.

    Escrito por Reuters

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