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    BC eleva Selic a 9,25%, sinaliza nova alta de 1,5 ponto e diz que buscará inflação 'em torno' das metas

    Placeholder - loading - Sede do Banco Central em Brasília 04/10/2021 REUTERS/Adriano Machado
    Sede do Banco Central em Brasília 04/10/2021 REUTERS/Adriano Machado

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    Por Marcela Ayres e Bernardo Caram

    BRASÍLIA (Reuters) - O Banco Central subiu a Selic em 1,5 ponto percentual pela segunda vez consecutiva, a 9,25% ao ano, em mais um passo de seu agressivo aperto monetário para conter a inflação, e indicou novo ajuste do mesmo tamanho na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), em fevereiro.

    Em comunicado, o BC também afirmou que agora passará a trabalhar para ancorar as expectativas de inflação em torno da meta, e não mais no alvo central definido pelo governo, estimando IPCA de dois dígitos neste ano e mais perto do topo da meta em 2022.

    'O Copom considera que, diante do aumento de suas projeções e do risco de desancoragem das expectativas para prazos mais longos, é apropriado que o ciclo de aperto monetário avance significativamente em território contracionista', disse.

    'O Comitê irá perseverar em sua estratégia até que se consolide não apenas o processo de desinflação como também a ancoragem das expectativas em torno de suas metas.'

    Na ata da última reunião do Copom, do fim de outubro, o BC já tinha afirmado que por conta da assimetria altista no seu balanço de riscos, agravada pela mudança na regra do teto de gastos, o grau de aperto monetário precisava ser 'significativamente mais contracionista do que o utilizado no cenário básico'.

    A magnitude da elevação na Selic nesta quarta-feira foi ao encontro de expectativa unânime do mercado, de acordo com pesquisa Reuters com 31 economistas.

    Com a investida, o BC fecha 2021 com a Selic 7,25 pontos acima da mínima histórica de 2%, nível atingido em meio à pandemia e que vigorou até março, numa tentativa de recolocar a inflação nos trilhos em meio ao galopante avanço de preços na economia.

    O diretor da Asa Investimentos e ex-secretário do Tesouro, Carlos Kawall, acredita que trazer a inflação para a meta em 2023 será 'tarefa hercúlea', descartando a possibilidade de sua execução para 2022. Mesmo assim, ele avaliou que o BC manteve uma sinalização dura e não simplesmente jogou a toalha em relação ao ano que vem.

    'Entendemos que além dos 150 pontos-base que ele sugere repetir em fevereiro, que continue a subir em março e, se necessário, também após. Nossa previsão é que (a Selic) vai para 12% ou um pouco acima', disse.

    O economista-chefe do Banco Original, Marco Caruso, classificou o comunicado como 'duro', com o BC explicitando que a piora das inflações está transbordando para períodos mais longos.

    'Desconfio que o Copom atualizou premissas de juro real neutro para cima', afirmou ele. 'É mais juro por mais tempo.”

    INFLAÇÃO ALTA

    O BC reiterou que a inflação ao consumidor continua elevada, surpreendendo para cima tanto nos componentes mais voláteis como nos itens associados à inflação subjacente, ao mesmo tempo em que apontou que os mais recentes indicadores de atividade mostraram evolução 'moderadamente abaixo da esperada', e não mais 'ligeiramente' aquém das expectativas.

    A autoridade monetária também piorou suas projeções para o IPCA nesta quarta-feira, enxergando alta de 10,2% em 2021 e de 4,7% em 2022, acima dos percentuais de 9,5% e 4,1% calculados no último Copom e acima das metas centrais de 3,75% e 3,5%, respectivamente, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual.

    Para 2023, a estimativa subiu a 3,2% (3,1% antes), contra meta de 3,25%, também com banda de 1,5 ponto.

    Com as alterações, os cálculos da autoridade monetária ficaram mais próximos aos traçadas pelos agentes econômicos no boletim Focus mais recente: IPCA estourando o teto da meta tanto em 2021 (+10,18%) quanto em 2022 (+5,02%), e ficando acima do alvo central em 2023 (+3,50%).

    Apesar de o tamanho do ajuste na Selic não ter causado surpresa, o mercado aguardava a decisão para ter mais clareza quanto aos próximos passos do BC e sua visão sobre a tarefa de guiar as expectativas de inflação, num cenário em que elas têm se distanciado cada vez mais das metas, mesmo em meio à fraca atividade econômica.

    No último Copom, o discurso do BC era de que, com o ritmo de aperto de 1,5 ponto, mas mirando uma taxa terminal diferente, ainda seria possível fazer o IPCA de 2022 convergir para a meta de 3,5% --alvo que já era visto com ceticismo pelo mercado.

    Na ata, o BC chegou a ressaltar que, de olho nas consequências econômicas negativas da desancoragem das expectativas, tinha escolhido uma trajetória de alta nos juros 'compatível com a convergência da inflação para a meta ainda em 2022'.

    De lá para cá, a inflação mostrou persistência, a economia deu sinais retumbantes de desaceleração e o governo abraçou oficialmente a defesa de uma flexibilização da regra do teto de gastos na PEC dos Precatórios para conseguir acomodar mais gastos no ano eleitoral de 2022. O mecanismo, que limita a expansão anual dos gastos públicos, era encarado como a única âncora fiscal efetiva do país.

    DETERIORAÇÃO NO FISCAL

    A PEC, inclusive, foi promulgada nesta quarta-feira nos trechos em que Câmara dos Deputados e Senado mostraram convergência para sua aprovação, justamente envolvendo as mudanças no teto. A iniciativa abrirá espaço de cerca de 60 bilhões de reais no Orçamento de 2022.

    Apesar disso, o BC se limitou a dizer que 'questionamentos em relação ao arcabouço fiscal elevam o risco de desancoragem das expectativas de inflação, mantendo a assimetria altista no balanço de riscos'.

    'Isso implica maior probabilidade de trajetórias para inflação acima do projetado de acordo com o cenário básico', acrescentou o BC, em mensagem idêntica à inserida no comunicado do Copom de outubro.

    DESAFIO PARA EMERGENTES

    Em relação ao ambiente externo, o BC citou a disseminação da variante Ômicron de Covid-19 durante o inverno no hemisfério norte como um fator a adicionar incerteza quanto ao ritmo de recuperação nas economias centrais.

    O BC também ressaltou que alguns bancos centrais das principais economias expressaram claramente a necessidade de cautela frente à maior persistência da inflação, quadro que impõem condições financeiras mais desafiadoras para economias emergentes.

    Analistas têm dito que o rápido e significativo encarecimento do custo do empréstimo em função das últimas altas da Selic deverão atuar no esfriamento da economia, com as perspectivas de alta do Produto Interno Bruto (PIB) em 2022 sendo sucessivamente revistas para baixo. No terceiro trimestre deste ano, o PIB recuou 0,1%, pondo o país em cenário de recessão técnica, após ter encolhido também no segundo trimestre.

    O novo patamar da Selic aciona ainda outra fórmula de remuneração da poupança, que será menos vantajosa para os poupadores conforme a taxa básica for subindo. Com a Selic acima de 8,5% ao ano a tradicional caderneta passa a render 0,5% ao mês mais correção pela Taxa Referencial (TR), ante regra até então vigente de remuneração de 70% da Selic.

    Escrito por Reuters

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