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    BC eleva taxa básica de juros a 3,50% e sinaliza terceira alta de 0,75 ponto para junho

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    Banco Central em Brasília 29/3/2019 REUTERS/Adriano Machado

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    Por Isabel Versiani

    BRASÍLIA (Reuters) - O Banco Central anunciou nesta quarta-feira a segunda alta consecutiva de 0,75 ponto percentual da taxa básica de juros, para 3,50%, e indicou a intenção de fazer novo aperto da mesma magnitude em sua próxima reunião, em junho.

    O movimento ocorre em meio ao aumento persistente da inflação corrente e das expectativas para a inflação de 2022.

    'Neste momento, o cenário básico do Copom indica ser apropriada uma normalização parcial da taxa de juros, com a manutenção de algum estímulo monetário ao longo do processo de recuperação econômica', afirmou o Comitê de Política Monetária (Copom) em comunicado em que se mostrou mais preocupado com a inflação do que com a atividade econômica.

    'Para a próxima reunião, o Comitê antevê a continuação do processo de normalização parcial do estímulo monetário com outro ajuste da mesma magnitude', acrescentou o colegiado, ressaltando que os passos futuros poderão ser ajustados para assegurar o cumprimento da meta de inflação.

    O aumento de 0,75 p.p. era amplamente esperada pelo mercado, após o Copom ter explicitado a intenção de repetir em maio a dose de aperto promovida na reunião anterior, em março, quando a Selic foi elevada pela primeira vez em quase seis anos.

    Todos os 29 analistas entrevistados em pesquisa Reuters realizada em 28 e 29 de abril previam uma alta de 0,75 p.p. para esta reunião.

    A projeção de inflação do cenário básico do BC, que leva em conta a trajetória para a Selic estimada pelo mercado e uma taxa de câmbio que evolui mantendo a paridade do poder de compra, aponta para um IPCA de 5,1% em 2021 (5% na reunião de março) e de 3,4% em 2022 (3,5% antes). O BC destaca, no entanto, que seu balanço de riscos sugere que esses patamares de inflação podem potencialmente ser superados por causa do risco fiscal do país.

    Sobre a atividade econômica, o BC disse que indicadores recentes mostram uma evolução mais positiva do que o esperado, mesmo com a segunda onda da pandemia da Covid-19 tendo surpreendido negativamente.

    'Prospectivamente, a incerteza sobre o ritmo de crescimento da economia ainda permanece acima da usual, mas aos poucos deve ir retornando à normalidade', disse o Copom.

    NORMALIZAÇÃO

    Ao elevar os juros em março, o BC anunciou estar dando início a um processo de 'normalização parcial' da política monetária, indicando a intenção de ainda manter um estímulo à economia, com os juros abaixo do patamar considerado neutro (6,5%, segundo cenário básico citado pelo BC no mês passado).

    Neste novo comunicado, a autoridade monetária fez um ajuste à linguagem, destacando que 'no momento' o cenário básico indica a normalização parcial da taxa de juros como apropriada, 'com a manutenção de algum estímulo monetário ao longo do processo de recuperação econômica'.

    Para André Muller, economista-chefe da gestora AZ Quest, com o comunicado desta quarta-feira, 'fica explícito o compromisso do BC com a meta de inflação, e não com um cenário de normalização parcial'.

    'Acredito que vamos manter os movimentos recentes dos mercados, com câmbio mais apreciado e descompressão do juro longo, dado o compromisso mais forte do Copom com a meta de inflação', disse Muller.

    O país tem sofrido uma escalada da inflação, sob a pressão da alta de preços de commodities e, até recentemente, de combustíveis, mesmo em meio à intensificação das medidas de restrição devido ao recrudescimento da pandemia de Covid-19. Como destacado pelo BC em seu comunicado, os patamares mais elevados da bandeira tarifária de energia também prometem manter a inflação pressionada no curto prazo.

    O IPCA superou os 6% nos 12 meses até março, acima do teto da meta deste ano, que é de 3,75%, com margem de tolerância de 1,5 ponto para mais ou para menos. Expectativa do mercado é que a inflação feche o ano em 5,04%, segundo a mais recente pesquisa Focus do BC.

    Para 2022, horizonte em que está agora focada a política monetária, as expectativas do mercado apontam para uma inflação de 3,61%, acima da meta central para o período, que é de 3,5%, também sujeita à margem de tolerância.

    O mercado espera que a Selic feche este ano em 5,50%, chegando a 6,25% no final de 2022, segundo o Focus mais recente.

    O Copom volta a se reunir em 15 e 16 de junho.

    (Com reportagem adicional de José de Castro; edição de Maria Pia Palermo)

    Escrito por Reuters

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