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BC vê “problema crescente” de superendividamento e aponta disparada em empréstimos sem garantia e cartão de crédito

BC vê “problema crescente” de superendividamento e aponta disparada em empréstimos sem garantia e cartão de crédito

Reuters

13/04/2026

Placeholder - loading - Logotipo do Banco Central do Brasil em sua sede em Brasília, Brasil, em 18 de dezembro de 2024. REUTERS/Adriano Machado
Logotipo do Banco Central do Brasil em sua sede em Brasília, Brasil, em 18 de dezembro de 2024. REUTERS/Adriano Machado

Por Bernardo Caram

BRASÍLIA, 13 Abr (Reuters) - O Brasil ​registrou nos últimos anos uma explosão nas concessões de empréstimos pessoais sem garantia e um comprometimento de renda cada vez maior das famílias com cartões de crédito, apontou o Banco Central nesta segunda-feira, classificando o superendividamento como “um problema crescente” no país.

Em relatório sobre cidadania financeira, o BC afirmou que a digitalização e a ampliação de acesso a linhas de crédito têm aspectos positivos, mas expõem pessoas ao superendividamento, o que demanda ações na área de educação e “medidas robustas” de regulação e supervisão.

“A facilidade de acesso ao crédito, sem uma oferta responsável e ⁠adequada ao ⁠perfil do cliente por parte das ​instituições, sem ‌uma devida proteção ao consumidor e, não menos importante, sem a devida educação financeira, leva muitos brasileiros a contraírem dívidas que não conseguem pagar”, disse a autarquia.

A poucos meses do início do período eleitoral, quando o presidente Luiz Inácio Lula da ⁠Silva deve tentar a reeleição, o governo se prepara para anunciar um ​novo pacote nL1N40Q0SC de medidas para aliviar famílias endividadas, com a previsão de renegociação ​de dívidas com desconto a partir da concessão ‌de garantias pela União.

O ​governo já ⁠havia implementado outro programa com esse objetivo entre 2023 e 2024, o Desenrola, que renegociou R$53 bilhões em dívidas de aproximadamente 15 milhões de pessoas. No entanto, dados de endividamento da ​população seguiram em alta em meio a iniciativas de estímulo ao crédito e taxas de juros elevadas.

Dados do BC mostram que o número de brasileiros com empréstimo pessoal sem garantia mais que triplicou desde 2020, atingindo 41,7 milhões de pessoas no final de 2024.

No ​mesmo período, o número de clientes com dívidas no cartão de crédito, nas linhas do rotativo ou parcelado, subiu 55%, alcançando cerca de 53 milhões de pessoas.

Segundo o relatório, o número de cartões de crédito ativos no Brasil superou 220 milhões, o que significa que o país passou a ter mais cartões em uso do que habitantes. São quase 96 milhões de pessoas usando cartão de crédito, e mais da metade tem dívidas no rotativo, com ​juros que ultrapassam 430% ao ano, ou parcelado, com taxas médias de cerca de 200% ao ‌ano.

Com a ampliação do uso e ⁠taxas de juros em trajetória de alta, o comprometimento médio de renda do usuário do cartão de crédito com gastos nesse instrumento financeiro passou de 38,5% em 2020 para ⁠54% em 2024.

No relatório, o BC ainda apontou necessidade ⁠de aprofundar estudos sobre o fenômeno das “bets”, que ⁠pode intensificar riscos ⁠de ​endividamento e perda de renda, especialmente entre públicos mais vulneráveis.

(Por Bernardo Caram, edição de Isabel Versiani)

Reuters

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