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BCE vai discutir aumento de reservas mínimas de bancos, diz Lagarde

BCE vai discutir aumento de reservas mínimas de bancos, diz Lagarde

Reuters

23/07/2026

Placeholder - loading - Presidente do Banco Central Europeu, Christine Lagarde 23 de julho de 2026 REUTERS/Heiko Becker
Presidente do Banco Central Europeu, Christine Lagarde 23 de julho de 2026 REUTERS/Heiko Becker

Por Francesco Canepa e Balazs Koranyi

FRANKFURT, 23 Jul (Reuters) - ​O Banco Central Europeu vai discutir o aumento das reservas mínimas exigidas dos bancos, afirmou nesta quinta-feira a presidente do BCE, Christine Lagarde, abrindo caminho para uma medida que reduziria a carga tributária da própria instituição e mitigaria as perdas em alguns bancos centrais nacionais.

Fontes informaram à Reuters no mês passado que o BCE estava considerando dobrar a proporção de dinheiro que as instituições financeiras devem manter em uma conta sem remuneração como reserva de segurança em caso de crise de liquidez. A mudança reduziria o valor dos juros que as instituições recebem ⁠de ⁠seus bancos centrais nacionais.

Lagarde afirmou que o ​tema não ‌foi discutido na reunião do BCE desta quinta-feira, em que as taxas de juros foram mantidas sem alterações, mas disse que ele será abordado no futuro.

“Sobre a exigência de reservas mínimas, o assunto não foi discutido nesta reunião do Conselho do ⁠BCE, o que não significa que não será discutido”, disse Lagarde em coletiva ​de imprensa. “Será discutido, como sempre foi.”

As fontes afirmaram no mês passado que era provável ​que uma decisão fosse tomada no outono do ‌hemisfério norte.

Atualmente, os bancos ​comerciais devem ⁠manter 1% de seus depósitos e algumas outras formas de passivos de curto prazo em reserva em seus respectivos bancos centrais. Dobrar esse valor para 2% economizaria ao BCE e aos 21 ​bancos centrais nacionais do Eurosistema quase 4 bilhões de euros por ano, de acordo com cálculos da Reuters.

PERDAS DOS BANCOS CENTRAIS

A medida abordaria o tema politicamente delicado das perdas nos bancos centrais de alguns países da zona do euro, como a Alemanha e a Holanda.

Essas ​perdas são um efeito colateral das enormes injeções de liquidez realizadas pelo BCE entre 2015 e 2022 para combater a crise, realizadas quando as taxas de juros estavam negativas e a inflação baixa.

Atualmente, o Eurosistema não remunera as reservas mínimas, enquanto os bancos recebem a taxa de depósito do BCE -- hoje de 2,25% -- sobre cada euro adicional que depositam.

Isso faz com que o Eurosistema pague juros de quase 50 bilhões de euros por ano sobre pouco ​mais de 2 trilhões de euros em liquidez.

Essa enorme quantia em dinheiro foi injetada no sistema ‌bancário pelo próprio BCE, quando o banco ⁠central da zona do euro tentava estimular a atividade econômica e afastar a ameaça de deflação por meio de compras maciças de títulos.

Parte da dívida comprada pelos bancos centrais ⁠nacionais de países com alta recomendação de crédito apresentava rendimentos ⁠baixos ou negativos. Esses BCs acabaram arcando ⁠com pesadas perdas quando ⁠o ​BCE elevou sua taxa de depósito para combater a alta inflação em 2022-23.

(Reportagem de Francesco Canepa)

Reuters

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