Bradesco vê crescimento do crédito convergindo até o fim do ano e reforça o guidance
Bradesco vê crescimento do crédito convergindo até o fim do ano e reforça o guidance
Reuters
06/08/2026
Atualizada em 06/08/2026
Por Paula Arend Laier
SÃO PAULO, 6 Ago (Reuters) - O presidente-executivo do Bradesco, Marcelo Noronha, reforçou nesta quinta-feira as previsões do banco para o ano, mesmo enxergando um mercado de crédito ainda restritivo em razão do nível da taxa de juros e comprometimento de renda da população.
'Nós estamos com uma crença absoluta de que vamos estar dentro do guidance em todos os indicadores', afirmou o executivo em coletiva à imprensa sobre o balanço divulgado na véspera, que mostrou lucro líquido de R$7,05 bilhões no segundo trimestre, com retorno sobre o patrimônio de 16,2%.
Ele afirmou que, no crédito, continuará focado na alta renda, além de ter apetite para linhas com garantias. 'Linhas 'clean' é onde não queremos crescer', afirmou, acrescentando que o banco está trabalhando com um apetite a risco 'bem, bem, bem moderado' nas linhas para rendas menores.
As projeções divulgadas pelo Bradesco em fevereiro para este ano incluem expansão de 8,5% a 10,5% para a carteira de crédito expandida, com margem financeira líquida entre R$42 bilhões e R$48 bilhões, além de crescimento de 3% a 5% nas receitas de prestação de serviços, entre outras estimativas.
O atingimento do guidance significará uma desaceleração no ritmo do crescimento do crédito do banco, que terminou junho com uma carteira de R$1,1 trilhão, aumento de 11,6% ano a ano e de 4,3% em relação ao final de março.
'Provavelmente desacelera até o final do ano, mas é uma desaceleração gradual em direção ao guidance que prometemos', afirmou o diretor de relações com investidores, André Carvalho.
O presidente do Bradesco explicou que o banco de atacado cresceu mais de 12% ano contra ano no segundo trimestre e que, em razão de características do segmento, pode se observar eventualmente uma desaceleração na carteira no terceiro ou quarto trimestre.
Mas ressaltou que a carteira de consignado cresce, assim como a de veículos e nas linhas de FGI (Fundo Garantidor para Investimentos) e o FGO (Fundo Garantidor de Operações).
'Mas é natural que se tenha uma convergência maior do mercado. Nós estamos vendo uma certa desaceleração no próprio Banco Central... Mas temos esse fenômeno do banco de atacado', afirmou.
No segundo trimestre, a carteira de grandes empresas somou R$389,4 bilhões, alta de 12,7% ano a ano.
Na bolsa paulista, por volta de 11h05, as ações preferenciais do banco recuavam 2,49%, a R$17,60.
AGRO
O executivo também chamou a atenção para a performance da carteira rural, destacando que o agro 'está passando por um ciclo que não é um bom ciclo'.
Ele disse que se observa uma inadimplência maior dentro do mercado brasileiro, que não é só relacionada ao preço de commodities, de fertilizantes, mas também da própria valorização do real, que prejudica um pouco certas culturas que são exportadoras.
Do lado do negócio de seguros do conglomerado, ao comentar sobre os potenciais efeitos do El Niño, o presidente da Bradesco Seguros, Ney Dias, afirmou que o grupo tem uma diversificação muito grande no território nacional, o que pulveriza o risco.
'Temos uma boa proteção, um bom painel de resseguradores, então não esperamos um aumento sensível de sinistralidade.'
O presidente-executivo do Bradesco também comentou o recente anúncio de aumento de capital do banco de até R$10 bilhões, com o compromisso de subscrição de até R$8 bilhões pelos controladores.
'Nós vemos isso como extremamente positivo. Primeiro, é um voto de confiança na empresa, na organização. Segundo, um voto de confiança em toda a administração, em tudo que a gente vem fazendo no plano de transformação. E, terceiro, ele dá mais resiliência para a gente crescer. Ele aumenta o nosso capital tangível', afirmou.
JUROS
Noronha afirmou que, com os indicadores de inflação recentes, o banco avalia que ocorrerão novas quedas da taxa de juros.
'A taxa de juros real... está muito alta no Brasil. Acho que a política monetária já fez o efeito. Ela jogou a inflação para baixo. Eu não vejo por que o Copom não reduzir. Em que magnitude, em que velocidade? Vamos acompanhar, mas eles estão sendo conservadores, eu acho até na comunicação', disse.
'Eu acho que a gente vai ver essa taxa de juros continuar a cair.'
O Banco Central decidiu na quarta-feira cortar a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, a 14,00% ao ano, e deixou os próximos passos em aberto em meio a uma melhora no cenário corrente, argumentando que manterá “a restrição adequada” para assegurar a convergência da inflação à meta.
O executivo destacou que quando a taxa fica elevada por um longo tempo machuca aquelas empresas que têm margem e dívida comprimidas. 'Não é positivo para o mercado de crédito', acrescentando que o comprometimento de renda da pessoa física, na média, cresceu e o mercado como um todo está mais restritivo.
(Por Paula Arend Laier;Edição de Pedro Fonseca e Michael Susin)
Reuters

