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Brasil aguarda publicação de mais dados da eleição na Venezuela, diz Itamaraty

Brasil aguarda publicação de mais dados da eleição na Venezuela, diz Itamaraty

Reuters

29/07/2024

Placeholder - loading - Presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, celebra resultado da eleição, em Caracas 29/07/2024 REUTERS/Fausto Torrealba
Presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, celebra resultado da eleição, em Caracas 29/07/2024 REUTERS/Fausto Torrealba

Atualizada em  29/07/2024

Por Lisandra Paraguassu

BRASÍLIA (Reuters) -O governo brasileiro aguarda a publicação, pelo Conselho Nacional Eleitoral (CNE) da Venezuela, dos dados por mesa de votação da eleição realizada no domingo no país vizinho, disse nesta segunda-feira o Ministério das Relações Exteriores, em uma nota em que cobrou transparência na apuração e sem cumprimentar Nicolás Maduro pela reeleição declarada por ele.

Apesar de saudar o 'caráter pacífico' do pleito venezuelano, o governo brasileiro diz no texto que 'acompanha com atenção o processo de apuração' e 'reafirma ainda o princípio fundamental da soberania popular, a ser observado por meio da verificação imparcial dos resultados'.

A chancelaria brasileira disse ainda que a publicação de dados desagregados por mesa de votação pelo CNE é um 'passo indispensável para a transparência, credibilidade e legitimidade do resultado do pleito'.

A autoridade eleitoral venezuelana disse que o atual presidente Maduro conquistou um terceiro mandato com 51% dos votos, mas pesquisas de boca de urna independentes apontavam para uma grande vitória da oposição.

Tanto Maduro quanto o candidato de oposição, Edmundo González, reivindicaram vitória, enquanto os governos dos Estados Unidos e de outros países lançaram dúvidas sobre os resultados oficiais.

De acordo com uma fonte diplomática, o governo brasileiro considerou insuficiente a publicação do resultado pelo CNE e avalia como essencial a publicação das atas -- o que até agora o Conselho não fez -- para que o resultado possa ser crível.

Até o domingo da eleição, as informações que o Itamaraty recebia era de que a situação de Maduro era difícil e a oposição possivelmente venceria o pleito, o que leva a um ceticismo em relação à vitória declarada de Maduro sem a transparência da publicação das atas das mesas eleitorais, segundo a fonte.

Ainda de acordo com a fonte, a nota publicada pelo Itamaraty teve a aprovação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva antes de ser publicada, mas ele pessoalmente não deve se manifestar diretamente por enquanto.

Apesar de ter tido uma relação próxima com o presidente venezuelano, Lula vem mostrando irritação e incômodo com a postura adotada por Maduro nos últimos tempos. Na semana passada, em entrevista a agências internacionais de notícias, Lula se disse 'assustado' com a retórica do venezuelano, que chegou a falar de 'banho de sangue' caso não fosse eleito.

Lula revelou ainda que conversou por duas vezes com Maduro e que disse a ele que a única chance de a Venezuela voltar a crescer era não haver dúvidas sobre a lisura e o resultado das eleição.

O Brasil enviou o embaixador Celso Amorim, assessor especial da Presidência, para acompanhar o pleito. Em declaração enviada a jornalistas, Amorim disse que o governo brasileiro continua acompanhando os acontecimentos para 'poder chegar a uma avaliação baseada em fatos.'

'Como em toda eleição, tem que haver transparência, o CNE ficou de fornecer as atas que embasam o resultado anunciado. Também não vou endossar nenhuma narrativa de que houve fraude. É uma situação complexa e nós queremos apoiar a normalização do processo político venezuelano', afirmou.

Amorim deve ter encontros nesta segunda com Maduro e com González para ouvir as posições dos dois lados, e também com observadores internacionais.

(Reportagem de Lisandra ParaguassuEdição de Pedro Fonseca)

Reuters

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