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Taxa de desemprego no Brasil cai a 5,4% no 2º trimestre, mas renda diminui

Taxa de desemprego no Brasil cai a 5,4% no 2º trimestre, mas renda diminui

Reuters

30/07/2026

Placeholder - loading - Trabalhadores na linha de produção de carrocerias de ônibus na fábrica da Marcopolo em Caxias do Sul (RS) 25 de março de 2026. REUTERS/Diego Vara
Trabalhadores na linha de produção de carrocerias de ônibus na fábrica da Marcopolo em Caxias do Sul (RS) 25 de março de 2026. REUTERS/Diego Vara

Atualizada em  30/07/2026

Por Camila Moreira e Rodrigo Viga Gaier

SÃO PAULO/RIO ​DE JANEIRO, 30 Jul (Reuters) - O Brasil encerrou o segundo trimestre com uma taxa de desemprego de 5,4%, a mais baixa para o período na série histórica iniciada em 2012, mas a renda recuou no período.

Os dados divulgados nesta quinta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram forte queda ante a taxa de 6,1% do primeiro trimestre.

No mesmo período do ano anterior a taxa de desemprego fora de 5,8%. O resultado ficou em linha com a expectativa em pesquisa da Reuters.

Analistas consideram que o mercado de trabalho deve continuar aquecido, com a taxa em níveis baixos para os padrões nacionais, mesmo com ⁠uma esperada ⁠desaceleração da economia.

'De modo geral, vemos um ​mercado de ‌trabalho ainda muito robusto, mas com sinais de moderação, apresentando menor dinamismo, reflexo, na nossa visão, do estoque de aperto monetário dos últimos anos. Esperamos a continuidade dessa tendência de moderação, com a taxa de desocupação encerrando 2026 em 5,7%', avaliou André Valério, economista sênior ⁠do Inter.

O mercado de trabalho segue sendo ponto de atenção para o Banco Central, ​uma vez que o desemprego em mínima histórica e renda em níveis altos alimenta o ​consumo, somando-se aos estímulos fiscais e de crédito do ‌governo, dificultando o controle da ​inflação.

O ⁠BC volta a se reunir na próxima semana para definir a taxa básica de juros Selic, com expectativa de redução de 0,25 ponto percentual, a 14,0% ao ano.

A renda mensal real de todos os trabalhos, ​entretanto, caiu 1,5% no segundo trimestre, a R$3.738, de R$3,795 nos três meses de janeiro a março, embora isso tenha representado alta de 2,8% ante o mesmo trimestre do ano anterior.

'A renda passou a não crescer mais por causa do aumento da ocupação em setores de nível de instrução ​mais baixa, produtividade menor e renda menor. Isso afeta o rendimento geral', explicou o analista do IBGE William Kratochwill.

No segundo trimestre, o contingente de desempregados teve queda de 10,9% sobre os três meses anteriores, chegando a 5,861 milhões de pessoas, o que representa ainda uma queda de 6,3% na comparação com o mesmo período do ano anterior.

O período foi marcado ainda por alta de 1,1% no número de pessoas ocupadas na comparação trimestral e de 0,7% sobre o ano anterior, chegando a 103,057 milhões, ​novo recorde da série.

Isso se deu, entretanto, principalmente com alta nos empregados do setor privado sem carteira de ‌trabalho assinada. O número de trabalhadores com ⁠carteira assinada no setor privado cresceu 0,6% entre abril e junho sobre o primeiro trimestre, enquanto os que não tinham carteira aumentaram 2,2%.

'O que se viu agora também foi um movimento de ⁠pessoas saindo da população fora da força de trabalho. Foi uma ⁠absorção de mão de obra que estava ⁠sem trabalho e que ⁠está ​fora do mercado e voltou a procurar emprego. Até os desalentados se ocuparam', disse Kratochwill.

(Edição de Pedro Fonseca)

Reuters

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