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Taxa de desemprego no Brasil sobe a 6,1% no 1º tri, maior nível desde maio de 2025

Taxa de desemprego no Brasil sobe a 6,1% no 1º tri, maior nível desde maio de 2025

Reuters

30/04/2026

Placeholder - loading - Homens entregam currículos perto de um anúncio de emprego no centro de São Paulo  6 de outubro de 2020. REUTERS/Amanda Perobelli
Homens entregam currículos perto de um anúncio de emprego no centro de São Paulo 6 de outubro de 2020. REUTERS/Amanda Perobelli

Atualizada em  30/04/2026

Por Camila Moreira e Rodrigo Viga Gaier

SÃO PAULO/RIO DE ​JANEIRO, 30 Abr (Reuters) - O Brasil registrou nova alta na taxa de desemprego no primeiro trimestre na comparação com os três meses anteriores, atingindo o maior nível desde maio de 2025 sob o impacto de efeitos sazonais mas ainda assim marcando a menor leitura da série para um trimestre encerrado em março, em meio a um esfriamento gradual do mercado de trabalho.

A taxa de desemprego subiu a 6,1% nos três primeiros meses do ano em comparação com 5,1% no quarto trimestre de 2025, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quinta-feira.

Essa é a taxa mais elevada desde os três meses encerrados em maio de 2025, quando o desemprego foi de 6,2%, última vez que ⁠o indicador havia ⁠ficado na casa dos 6%. No primeiro trimestre ​de 2025 ‌a taxa de desemprego foi de 7,0%.

O resultado do primeiro trimestre deste ano ficou em linha com a expectativa de economistas consultados em pesquisa da Reuters.

'Essa expansão já era esperada porque vem logo após as contratações de fim de ano, sobretudo comércio, serviços domésticos e administração pública', disse a coordenadora do ⁠IBGE, Adriana Beringuy.

'O mercado sofre no primeiro trimestre uma fricção sazonal, mas no geral está ​melhor quando se olha para ocupação, nível de ocupação, carteira de trabalho. Tudo isso é maior e ​melhor que no começo de 2025.”

A renda média real dos trabalhadores ‌chegou a novo valor recorde ​no ⁠período, R$3.722, aumento de 1,6% no trimestre e 5,5% no ano, já descontada a inflação nos dois períodos.

Analistas preveem que a taxa de desemprego deve registrar alta gradual ao longo deste ano depois de ter alcançado os menores valores da ​história, acompanhando o enfraquecimento esperado da economia, porém com o mercado de trabalho ainda resiliente.

Essa resiliência ajuda a sustentar a demanda das famílias e a renda, ponto de atenção do Banco Central, que na véspera voltou a cortar a taxa básica de juros Selic em 0,25 ponto percentual, a 14,50%.

'Para 2026, a tendência é de um ​mercado de trabalho ainda resiliente, que deve seguir como um dos principais vetores de sustentação do consumo das famílias e do PIB. Mesmo diante da desaceleração da atividade econômica, projetamos uma queda gradual da taxa de desemprego nos próximos meses, encerrando o ano abaixo de 6%', disse Rafael Perez, economista da Suno Research.

No primeiro trimestre, o número de desempregados saltou 19,6% ante os três meses anteriores, a 6,579 milhões, o que representou uma queda de 13,0% na comparação com o mesmo período do ano passado.

Já o total de ocupados caiu 1,0% na comparação trimestral e ​aumentou 1,5% sobre o primeiro trimestre do ano passado, chegando a 101,976 milhões.

Os trabalhadores com carteira assinada no setor privado ‌registraram recuo de 0,6% nos três meses até ⁠março sobre o quarto trimestre, enquanto os que não tinham carteira diminuíram 2,1%.

'Vemos um mercado de trabalho ainda robusto, mas com piora em alguns indicadores importantes, como o aumento da população desocupação e queda da população ⁠ocupada. Porém, a PNAD é uma média móvel trimestral, e os impactos ⁠do conflito no Irã na renda real em particular, ⁠e no mercado de ⁠trabalho ​em geral, só irão ficar mais visíveis nas próximas leituras', avaliou André Valério, economista sênior do Inter.

(Edição de Isabel Versiani)

Reuters

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