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Calor extremo ameaça os sistemas de alimentos no mundo, alertam agências da ONU

Calor extremo ameaça os sistemas de alimentos no mundo, alertam agências da ONU

Reuters

22/04/2026

Placeholder - loading - Trabalhadores iraquianos colhem batatas, que foram danificadas por onda de calor, em Mosul 15 de julho de 2023 REUTERS/Khalid Al-Mousily
Trabalhadores iraquianos colhem batatas, que foram danificadas por onda de calor, em Mosul 15 de julho de 2023 REUTERS/Khalid Al-Mousily

Por Crispian Balmer

ROMA, 22 Abr (Reuters) - O calor extremo está ​levando os sistemas agroalimentares globais ao limite, ameaçando os meios de subsistência e a saúde de mais de 1 bilhão de pessoas, de acordo com um novo relatório das agências de alimentação e de meteorologia da Organização das Nações Unidas (ONU).

A Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) e a Organização Meteorológica Mundial (OMM) afirmaram que as ondas de calor estão se tornando mais frequentes, intensas e prolongadas, prejudicando as colheitas, a pecuária, a pesca e as florestas.

'O calor extremo está reescrevendo o roteiro sobre o que os agricultores, pescadores e silvicultores podem cultivar e quando podem cultivar. Em alguns casos, está até mesmo determinando se eles ⁠ainda podem ⁠trabalhar', disse Kaveh Zahedi, chefe do escritório de ​mudanças climáticas ‌da FAO.

'Em sua essência, esse relatório está nos dizendo que enfrentamos um futuro muito incerto', disse ele à Reuters.

Conjuntos de dados climáticos recentes mostram que o aquecimento global está se acelerando, com 2025 entre os três anos mais quentes já registrados, provocando extremos climáticos mais frequentes e ⁠severos.

Atuando como um multiplicador de riscos, o calor extremo intensifica as secas, os incêndios ​florestais e os surtos de pragas e reduz drasticamente a produtividade das colheitas quando os limites ​críticos de temperatura são ultrapassados.

O relatório afirma que as temperaturas ‌mais altas estão diminuindo a ​margem ⁠de segurança da qual as plantas, os animais e os seres humanos dependem para funcionar, com queda na produtividade da maioria das principais culturas quando as temperaturas ultrapassam cerca de 30 graus Celsius.

Zahedi citou o Marrocos, onde ​seis anos de seca foram seguidos por ondas de calor recordes. 'Isso levou a uma queda na produção de cereais em mais de 40%. Isso dizimou a colheita de azeitonas e frutas cítricas. Basicamente, essas colheitas fracassaram', disse ele.

As ondas de calor marinhas também estão se tornando mais frequentes, reduzindo os níveis de ​oxigênio na água e ameaçando os estoques de peixes. Em 2024, 91% dos oceanos do mundo sofreram pelo menos uma onda de calor marinha, segundo o relatório.

Os riscos aumentam acentuadamente à medida que o aquecimento se acelera. Espera-se que a intensidade dos eventos extremos de calor dobre aproximadamente a 2 graus Celsius de aquecimento e quadruplique a 3 graus, em comparação com 1,5 grau, segundo o relatório.

Zahedi disse que cada aumento de um grau na temperatura média global reduz a produção das quatro principais culturas do mundo - milho, ​arroz, soja e trigo - em cerca de 6%.

A FAO e a OMM disseram que as respostas fragmentadas são ‌inadequadas e pediram uma melhor governança dos riscos ⁠e sistemas meteorológicos de alerta antecipado para ajudar os agricultores e pescadores a tomar medidas preventivas.

'Se você conseguir colocar os dados nas mãos dos agricultores, eles poderão ajustar quando plantam, o que plantam ⁠e quando colhem', disse Zahedi.

Mas o relatório afirma que a adaptação ⁠por si só não é suficiente, argumentando que ⁠a única solução duradoura ⁠para ​a crescente ameaça do calor extremo é uma ação ambiciosa e coordenada para conter a mudança climática.

(Reportagem de Crispian Balmer)

Reuters

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