Capa do Álbum: Antena 1
A Rádio Online mais ouvida do Brasil
Antena 1

Captura de Maduro pelos EUA testa limites de investida diplomática da China

Captura de Maduro pelos EUA testa limites de investida diplomática da China

Reuters

05/01/2026

Placeholder - loading - Ministro das Relações Exteriores da China, Wang Yi, em Pequim 27/10/2025 REUTERS/Maxim Shemetov
Ministro das Relações Exteriores da China, Wang Yi, em Pequim 27/10/2025 REUTERS/Maxim Shemetov

Por Joe Cash

PEQUIM, 5 Jan (Reuters) - O principal diplomata da China acusou os Estados ⁠Unidos de agirem como um 'juiz mundial' ao prenderem o líder venezuelano, Nicolás Maduro, para levá-lo a julgamento em Nova York, com Pequim pronta para confrontar Washington na Organização das Nações Unidas sobre a legalidade da ação.

Pequim segue uma política de não-intervenção e critica rotineiramente as atividades militares realizadas sem a aprovação do Conselho de Segurança da ONU.

A remoção do líder de um dos parceiros estratégicos da China de sua capital pelos militares dos EUA, na calada da noite, será um teste decisivo para a afirmação de Pequim de que pode desempenhar um papel na resolução de problemas globais sem seguir Washington pelo caminho militar.

'Nunca acreditamos que qualquer país possa agir como a polícia do mundo, nem aceitamos que qualquer nação possa reivindicar ser o juiz do mundo', disse o ministro das Relações Exteriores da China, Wang Yi, ao seu colega paquistanês durante uma reunião em Pequim no domingo, referindo-se aos 'acontecimentos repentinos na Venezuela' sem mencionar diretamente ​os Estados Unidos.

'A soberania e a segurança de todos os países devem ser totalmente protegidas ⁠pelo direito internacional', ⁠acrescentou Wang, em seus primeiros comentários desde que as imagens de Maduro, de 63 anos, com os olhos vendados e algemado, no sábado, surpreenderam o mundo.

Maduro deve comparecer a um tribunal de Nova York na segunda-feira para enfrentar acusações de tráfico de drogas. A poucos quarteirões de distância, o Conselho de Segurança da ONU se reunirá a pedido da Colômbia -- com o apoio da China e da Rússia -- para debater a decisão do presidente dos EUA, Donald Trump, de prender Maduro, uma medida que o secretário-geral da ONU, António ‌Guterres, advertiu que poderia estabelecer 'um precedente perigoso'.

Os analistas observam que a China, a segunda maior economia do mundo e importante parceira comercial global, será ​crucial para reunir críticas às ações de Washington.

'Não há muito em termos de apoio ‌material que a China possa oferecer à ​Venezuela ​neste momento, mas, retoricamente, Pequim será muito importante quando liderar o esforço na ONU e com outros países em desenvolvimento para reunir opiniões contra os EUA', disse Eric Olander, cofundador do Projeto China-Global South.

'O que vimos nos casos do Zimbábue e do Irã, ambos sancionados pelo Ocidente, é que a China demonstra seu compromisso ​com essas relações por meio do comércio e dos investimentos, mesmo em circunstâncias difíceis', acrescentou.

Com Trump também ameaçando uma ação militar contra a Colômbia e o México e tendo observado que o regime comunista de Cuba 'parece estar pronto para cair' por conta própria, os países latino-americanos que assinaram a Iniciativa de Segurança Global do presidente chinês, Xi Jinping, podem agora se perguntar como o pacto os protegerá se for posto à prova.

Na segunda-feira, Xi pediu a todos os países que respeitem as leis internacionais e os princípios da ONU. Ele disse que as principais potências deveriam dar o exemplo, mas não chegou a citar os EUA ou a Venezuela.

Pequim tem tido um sucesso considerável em persuadir os Estados latino-americanos a mudar o reconhecimento diplomático de Taiwan para a China, com Costa Rica, Panamá, República Dominicana, El Salvador, Nicarágua e Honduras, todos apoiando o discurso de parceria estratégica da economia de US$19 trilhões nos últimos 20 anos.

A Venezuela trocou o reconhecimento em 1974, uma relação que se aprofundou com Hugo Chávez, o ex-soldado socialista que assumiu o poder em 1998 e se tornou o aliado mais próximo de Pequim na América Latina, distanciando seu país de Washington, elogiando o modelo de governança do Partido Comunista Chinês e ⁠presidindo o retrocesso democrático na Venezuela.

O relacionamento estreito continuou após a morte de Chávez em 2013 e Maduro se tornou líder, chegando a matricular seu filho na ‌Universidade de Pequim em 2016.

Em troca, Pequim investiu dinheiro nas refinarias ⁠de petróleo e na infraestrutura da Venezuela, fornecendo uma linha de vida econômica à medida que os EUA e seus aliados reforçaram as sanções a partir de 2017. A China comprou cerca de US$1,6 bilhão em mercadorias venezuelanas em 2024, de acordo com dados da alfândega chinesa, os últimos números ‍disponíveis para o ano inteiro. O petróleo representou cerca de metade do total.

'Foi um grande golpe para a China, pois queríamos parecer um amigo confiável da Venezuela', disse uma autoridade do governo chinês informada ​sobre ‌uma reunião entre Maduro e o representante especial da China para assuntos da América Latina e do Caribe, Qiu Xiaoqi, horas antes da captura do presidente venezuelano.

Reuters

Compartilhar matéria

Mais lidas da semana

 

Carregando, aguarde...

Este site usa cookies para garantir que você tenha a melhor experiência.