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Caso Master abala imagem do STF e mudanças precisam ser feitas, diz Lula

Caso Master abala imagem do STF e mudanças precisam ser feitas, diz Lula

Reuters

08/04/2026

Placeholder - loading - Presidente Lula ao lado do ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes 29 de setembro de 2025 REUTERS/Mateus Bonomi
Presidente Lula ao lado do ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes 29 de setembro de 2025 REUTERS/Mateus Bonomi

Por Lisandra Paraguassu

BRASÍLIA, 8 Abr (Reuters) - O presidente Luiz Inácio Lula ​da Silva afirmou nesta quarta-feira que as acusações contra ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) de envolvimento com o banqueiro Daniel Vorcaro abalam a imagem da Suprema Corte, e defendeu que algumas mudanças precisam ser feitas.

'Prejudica a imagem e, obviamente, o companheiro Alexandre de Moraes sabe que prejudica. Você pode ter uma coisa que é legal, mas nas circunstâncias o que acontece é que o povo trata como uma coisa imoral. E em um ano político as pessoas vão tratar de dar destaque para isso', disse Lula em entrevista ao site ICL Notícias.

O escritório de advocacia da esposa do ministro do STF Alexandre de Moraes, Viviane Barci de Moraes, teria recebido, em um contrato ao longo de 2024 e 2025, cerca de R$80 milhões do Banco ⁠Master, de Vorcaro, ⁠de acordo com dados da Receita Federal repassados à ​CPI do ‌Crime Organizado e revelados pelo jornal Folha de S.Paulo.

Em nota, o escritório de Viviane Barci de Moraes detalhou vários serviços prestados ao Master, mas ressaltou que nunca representou o banco no STF.

Lula defendeu Moraes e afirmou que o ministro virou alvo da oposição por seu papel nas investigações da tentativa de golpe de Estado do 8 ⁠de janeiro de 2023, que resultaram na prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro.

O presidente revelou ter conversado ​com o ministro do Supremo sobre o caso, e disse que o magistrado precisa se defender e deixar clara ​sua posição.

'Diga textualmente: 'A minha mulher estava advogando, a minha mulher não ‌tem que pedir licença para mim. ​Eu ⁠só prometo que, aqui na Suprema Corte, caso da minha mulher eu me sentirei impedido de votar.' Alguma coisa que passe para a sociedade uma firmeza, que ele tem', disse Lula.

Lula não mencionou o também ministro do STF Dias Toffoli, originalmente relator da ​investigação do caso Master, mas que abdicou da relatoria após a revelação de várias ligações entre sua família e Vorcaro, além de indícios de que ele mesmo teria uma relação com o banqueiro.

O Banco Master foi liquidado extrajudicialmente pelo BC no ano passado, e Vorcaro foi preso após operações da PF que investigam suspeita de fraudes bilionárias e suposto comprometimento das apurações ​das autoridades.

Na entrevista, Lula defendeu alguma reforma na Suprema Corte. Ele afirmou que uma decisão tomada pelos ministros não pode ser contestada por ninguém, e disse que os magistrados precisam ter consciência de que não estão sendo indicados para o cargo para ganharem dinheiro.

'As pessoas têm que fazer uma opção. Quando vai para a Suprema Corte tem que ter um compromisso quase religioso. Ele não está lá para ganhar dinheiro, está para cuidar da nossa Constituição e da nossa democracia', afirmou. 'Então temos que pensar como a gente regula isso numa Constituição. Vai ter mandato? De quanto tempo? Tem que criar critérios', disse Lula.

O presidente ​demonstrou, ainda, preocupação com os efeitos da crise no STF nas próximas eleições.

O impeachment de ministros do Supremo é uma das pautas ‌da extrema-direita, tendo como alvo principal Moraes, visto ⁠como algoz de Bolsonaro. Cabe ao Senado decidir sobre abrir um processo contra os ministros do STF, e a disputa por assentos na Casa será acirrada na eleição de outubro.

'Todo mundo tem que ter clareza que a extrema-direita vai utilizar ⁠o caso do Banco Master, envolvimento com a Suprema Corte, na campanha. Vão ⁠fazer pedindo voto. 'Quem quiser caçar a Suprema Corte, vote tal ⁠deputado ou tal senador.' ⁠Vai ​ser assim a campanha, isso já está dito, isso já está explicitado', disse o presidente.

(Reportagem de Lisandra Paraguassu; Edição de Pedro Fonseca)

Reuters

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