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    Lula é condenado a 12 anos e 11 meses de prisão em caso do sítio de Atibaia, defesa vai recorrer

    Por Eduardo Simões e Ricardo Brito

    SÃO PAULO/BRASÍLIA (Reuters) - O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi condenado a 12 anos e 11 meses de prisão no processo sobre o sítio de Atibaia (SP), de acordo com sentença da juíza substituta da 13ª Vara Federal de Curitiba, Gabriela Hardt, publicada nos autos da ação penal nesta quarta-feira, e a defesa do petista já anunciou que irá recorrer.

    Lula foi condenado pela magistrada pelos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro a uma pena maior que a da outra condenação a que cumpre pena desde abril do ano passado, a de 12 anos e 1 mês de prisão no processo sobre o tríplex no Guarujá (SP) decretada pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4).

    Para o advogado Cristiano Zanin Martins, que representa Lula, a sentença de Gabriela Hardt 'atenta aos mais basilares parâmetros jurídicos e reforça o uso perverso das leis e dos procedimentos jurídicos para fins de perseguição política'.

    'Uma vez mais a Justiça Federal de Curitiba atribuiu responsabilidade criminal ao ex-presidente tendo por base uma acusação que envolve um imóvel do qual ele não é o proprietário, um 'caixa geral' e outras narrativas acusatórias referenciadas apenas por delatores generosamente beneficiados', disse Zanin em nota, na qual afirma ainda que a juíza 'desconsiderou as provas de inocência apresentadas pela defesa de Lula nas 1.643 páginas das alegações finais protocoladas há menos de um mês'.

    A juíza condenou o ex-presidente por entender que ele recebeu propinas em prol do PT pagas pela Odebrecht, praticou lavagem de dinheiro na reforma feita pela Odebrecht e pela OAS no sítio que era frequentado por ele e por sua família e recebeu 700 mil reais em vantagens indevidas da Odebrecht e 170 mil reais em vantagens indevidas da OAS.

    A magistrada --que tem substituído interinamente o juiz exonerado Sérgio Moro, atual ministro da Justiça, na condução da operação Lava Jato na primeira instância em Curitiba-- entendeu que a culpa do ex-presidente é elevada.

    'O condenado recebeu vantagem indevida em decorrência do cargo de presidente da República, de quem se exige um comportamento exemplar enquanto maior mandatário da República', disse.

    A juíza também condenou os empresários José Adelmário Pinheiro Neto, o Léo Pinheiro, ligado a OAS, o pecuarista José Carlos Bumlai, o advogado e amigo do ex-presidente Roberto Teixeira, o empresário e proprietário formal do sítio Fernando Bittar e o empresário ligado à OAS Paulo Gordilho.

    Também foram condenados os empresários Marcelo Odebrecht, Emilio Odebrecht, Alexandrino Alencar e Carlos Armando Guedes Paschoal e o engenheiro Emyr Diniz Costa. Contudo, por terem sido delatores, vão cumprir penas previstas nas suas respectivas colaborações premiadas.

    A juíza afirmou na sentença ter ficado 'amplamente comprovado' no processo que a família de Lula era assídua frequentadora do sítio e usufruía dele como se fosse dona, utilizando-o mais do que o proprietário formal, Fernando Bittar. Para ela, não importa se o ex-presidente é o dono da propriedade.

    'Portanto, sendo proprietário ou não do imóvel, é fato incontroverso que foram efetuadas reformas e comprados objetos para atender interesses de Luiz Inácio Lula da Silva e de sua família. Em razão de algumas destas reformas, em especial em razão dos significativos valores gastos nelas, e das empresas que as realizaram, foi imputado ao ex-presidente crimes de corrupção e lavagem de dinheiro', destacou ela.

    Na sentença de 360 páginas, Gabriela Hardt determinou a proibição de exercer cargo público em razão da condenação de lavagem a Lula e a outras 9 pessoas. Contudo, a magistrada destacou que não houve no curso da ação penal a decretação de qualquer prisão preventiva e, por isso, permitiu aos agora condenados recorrerem da sentença em liberdade. Ela faz uma ressalva para quem cumpre pena por outros motivos, caso de Lula.

    REAÇÕES

    No mundo político, a nova condenação do petista gerou esperadas repercussões. A presidente do PT, deputada Gleisi Hoffmann, disse que a 'perseguição a Lula não para'.

    'Uma segunda condenação a jato foi proferida, exatamente quando cresce a possibilidade de Lula ser Nobel da Paz. Na memória do povo e na história, Lula será sempre maior do que seus carrascos', afirmou.

    O presidente Jair Bolsonaro, que se colocou como um antípoda do ex-presidente, usou sua conta no Twitter para reproduzir o título de uma notícia referente à nova condenação de Lula. Pouco antes da publicação, no entanto, o porta-voz da Presidência, Otávio Rêgo Barros, quando indagado sobre a nova condenação de Lula, disse que o presidente deixava as questões de Justiça circunscritas à Justiça.

    Em entrevista a jornalistas em Brasília, o vice-presidente Hamilton Mourão comentou a condenação do ex-presidente. 'Coitado do Lula. Infelizmente ele não soube distinguir o público do privado. É triste', disse Mourão.

    O senador Major Olímpio (PSL-SP), aliado de Bolsonaro, disse que a nova condenação de Lula é 'mais uma sinalização da Justiça brasileira de que o Brasil está deixando de ser o país da impunidade'.

    'A condenação do Lula, mais do que justa, ela é exemplar do que o nosso país está verdadeiramente mudando para muito melhor', destacou, ao ressalvar que não é motivo de comemoração condenações, mas que a 'Justiça está sendo feita'.

    A notícia da nova decisão condenatória contra Lula também tensionou o clima na Câmara dos Deputados. O deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), filho do presidente da República, anunciou a condenação em plenário e foi saudado com uma salva de palmas.

    Em resposta, o deputado petista Henrique Fontana (RS) defendeu a criação de uma CPI das Milícias, que teria como alvo outro filho de Bolsonaro, o senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), o que gerou um princípio de tumulto na Casa.

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    Após irmão ser enterrado, Lula decide não encontrar família mesmo autorizado pelo STF

    Por Lisandra Paraguassu e Ricardo Brito

    BRASÍLIA (Reuters) - O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva decidiu não deixar a prisão em Curitiba para encontrar familiares em São Bernardo de Campo, apesar de decisão do Supremo Tribunal Federal que permitiu a ida do petista ao ABC Paulista para se reunir com familiares após a morte de seu irmão Genival Inácio da Silva, o Vavá, cujo corpo foi enterrado pouco depois da decisão do STF.

    O presidente do STF, Dias Toffoli, havia autorizado Lula a se reunir com familiares, mas rejeitou pedido da defesa para que ele pudesse ir ao enterro do irmão. Toffoli apontou em sua decisão que o corpo de Vavá, morto na terça-feira por conta de um câncer, poderia ser levado a uma unidade militar. O sepultamento, entretanto, estava marcado para às 13h e ocorreu pouco depois da decisão do Supremo.

    Ao informar o presidente do STF da decisão do ex-presidente, a defesa afirmou que a decisão chegou a Lula depois que seu irmão já havia sido enterrado.

    'Diante disso e por entender que o encontro com seus familiares horas após o sepultamento de seu irmão em uma unidade militar, na forma consignada na referida decisão, terá o condão de agravar o sofrimento já bastante elevado de seus membros, o peticionário informou à sua defesa técnica que não tem o desejo de realizar o deslocamento nesta oportunidade', diz o documento.

    Um dos advogados do ex-presidente, Manoel Caetano Ferreiro, que visitou Lula nesta quarta, afirmou que a hora em que a decisão de Toffoli foi tomada, tornou-se inviável que fosse cumprida.

    'O presidente não concordaria em se reunir com sua família em um quartel. Ele disse isso claramente, seria um vexame, um desrespeito com a família que ele fosse se encontrar com eles em um momento como esse em um quartel', disse o advogado, lembrando que a família de Lula o visita toda quinta-feira.

    Em nota, o PT classificou de 'crueldade' a decisão judicial que terminou por impedir que Lula fosse ao enterro de Vavá, lembrou que há previsão legal para a autorização e que o ex-presidente, preso durante a ditadura militar, pôde deixar a prisão naquela época para acompanhar o enterro de sua mãe.

    'Negar-lhe, por ação, protelação ou omissão, o direito de compartilhar, com a família e os amigos, as despedidas ao irmão mais velho é um gesto mesquinho, além de ilegal, que reforça sua condição de preso político, vítima de odiosa armação jurídica', diz o texto.

    IMPOSSIBILIDADE

    Em sua decisão, Toffoli disse ter recebido informações da Polícia Federal de que não havia tempo hábil para que Lula fosse ao local do sepultamento no horário marcado. Isso, destacou, 'impossibilita o acolhimento do pedido'.

    'Além disso, há informações da autoridade policial aportadas aos autos, em especial aquela emanada da Diretoria de Inteligência da PF sobre o risco quanto à segurança dos presentes e dos agentes públicos mobilizados, mormente se levado em conta as notícias veiculadas em redes sociais sobre a convocação de militantes para comparecerem a São Bernardo do Campo, o que corrobora as informações da inteligência policial', destacou.

    Contudo, o presidente do STF afirmou que é um 'dever indeclinável do Estado' prestar assistência ao preso, citando previsão legal. Por isso, ele decidiu conceder um habeas corpus de ofício para permitir Lula a se 'encontrar exclusivamente com os seus familiares, na data de hoje, em unidade militar na região', inclusive com a possibilidade do corpo do falecido 'ser levado à referida unidade militar, a critério da família'.

    'Fica assegurada a presença de um advogado constituído e vedado o uso de celulares e outros meios de comunicação externo, bem como a presença de imprensa e a realização de declarações públicas. Essas medidas visam garantir a segurança dos presentes, do requerente, e dos agentes públicos que o acompanharem', acrescentou Toffoli.

    O presidente do STF determinou às autoridades competentes que fornecessem 'todos os meios necessários para viabilizar o cumprimento da decisão' e determinou a comunicação, com urgência, ao ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, ao diretor-geral da Polícia Federal, Maurício Valeixo, e à procuradora-geral da República, Raquel Dodge.

    A autorização de Toffoli ocorreu após o ex-presidente --que cumpre pena desde abril do ano passado após condenação no caso do tríplex do Guarujá (SP)-- ter tido pedidos semelhantes rejeitados pela Polícia Federal, onde está detido, pela Justiça Federal do Paraná e pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4).

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    Desembargador nega recurso de Lula para ir a velório de irmão

    (Reuters) - O desembargador Leandro Paulsen, do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4), negou recurso apresentado pela defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva que solicitava que ele deixasse temporariamente a prisão para comparecer ao velório de um irmão que morreu na terça-feira.

    De acordo com o despacho do magistrado, divulgado pelo TRF-4 no início da manhã desta quarta-feira, fica mantida a decisão da juíza Carolina Lebbos, da Vara de Execuções Penais de Curitiba, que rejeitou pedido da defesa de Lula pela saída do ex-presidente para comparecer ao velório.

    A Polícia Federal do Paraná também havia se posicionado contra a saída de Lula, apontando inexistência de helicópteros da PF disponíveis para o transporte do ex-presidente e 'elevada possibilidade' de manifestações de apoiadores e detratores de Lula, com risco de confrontos violentos, entre outras razões.

    O desembargador lembrou na decisão que a Lei de Execução Penal prevê a saída temporária de réu preso para comparecer ao velório de familiares, mas aponta que depende de juízos de razoabilidade, sendo analisada a viabilidade operacional e econômica.

    'O indeferimento, portanto, não foi arbitrário ou infundado. Pelo contrário, está adequado à situação concreta. Aliás, conforme já destacou a digna magistrada, inclusive com amparo no parecer do Ministério Público, 'o indeferimento da autoridade administrativa encontra-se suficiente e adequadamente fundamentado na impossibilidade logística de efetivar-se o deslocamento pretendido em curto espaço de tempo, bem como no risco de sérios prejuízos à segurança pública e do próprio apenado'', afirmou o desembargador.

    Lula cumpre pena na Superintendência da Polícia Federal em Curitiba desde abril do ano passado, após ter sido condenado a 12 anos de prisão pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro no caso do tríplex no Guarujá (SP), no âmbito da operação Lava Jato.

    (Por Pedro Fonseca, no Rio de Janeiro)

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    Lula se torna réu por lavagem de dinheiro em caso ligado à Guiné Equatorial

    SÃO PAULO (Reuters) - O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva se tornou réu nesta sexta-feira pelo crime de lavagem de dinheiro no âmbito da força-tarefa da Operação Lava Jato em São Paulo.

    O caso está relacionado a uma doação que o Instituto Lula recebeu da empresa brasileira ARG após suposta influência em decisões do Guiné Equatorial.

    No entendimento do Ministério Público Federal, que ofereceu a denúncia acatada pela 2ª Vara Federal de São Paulo nesta sexta-feira, a doação na realidade foi um pagamento de vantagem da ARG a Lula por ele ter influenciado o presidente da Guiné Equatorial, o que configura crime de lavagem de dinheiro.

    A defesa de Lula classificou a abertura da ação penal como 'mais um passo da perseguição que vem sendo praticada contra o ex-presidente com o objetivo de impedir sua atuação política'.

    Segundo nota dos advogados, a denúncia não aponta nenhum ato praticado por Lula que pudesse configurar a prática de lavagem de dinheiro ou tráfico de influência.

    'Os equívocos do Ministério Público Federal na nova ação contra Lula serão apontados ao longo da ação, que deverá resultar na absolvição do ex-presidente', afirmaram.

    Lula foi condenado por corrupção passiva e lavagem de dinheiro no processo do tríplex do Guarujá (SP), crime pelo qual cumpre pena em Curitiba desde abril. Entre outros processos nos quais Lula é réu, o caso do sítio de Atibaia está próximo da sentença.

    (Por Laís Martins)

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    Lula é denunciado por lavagem de dinheiro pela Lava Jato em São Paulo

    (Reuters) - O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi denunciado nesta segunda-feira por crime de lavagem de dinheiro pela força tarefa da Operação Lava Jato em São Paulo.

    'Lula influiu em decisões do presidente da Guiné Equatorial, Teodoro Obiang, que resultaram na ampliação dos negócios do grupo brasileiro ARG naquele país africano. Em troca, o presidente recebeu R$ 1 milhão dissimulados na forma de uma doação da empresa ao Instituto Lula', afirmou o Ministério Público Federal em nota.

    No entendimento do órgão, a doação na realidade foi um pagamento de vantagem da ARG a Lula por ele ter influenciado o presidente da Guiné Equatorial, o que configura crime de lavagem de dinheiro.

    Segundo o comunicado, as provas que comprovariam o crime foram encontradas em e-mails do Instituto Lula apreendidos em busca e apreensão realizada no local em março de 2016 na Operação Aletheia, 24ª fase da Operação Lava Jato de Curitiba.

    O inquérito agora será analisado pela 2ª Vara Federal de São Paulo, especializada em crimes financeiros e lavagem de dinheiro, afirmou o MPF em nota.

    Em nota, um dos advogados de Lula, Cristiano Zanin Martins, classificou a denúncia como 'mais um duro golpe no Estado de Direito' e afirmou que espera que a Justiça Federal de São Paulo rejeite a denúncia.

    'A denúncia pretendeu, de forma absurda e injurídica, transformar uma doação recebida de uma empresa privada pelo Instituto Lula, devidamente contabilizada e declarada às autoridades, em tráfico internacional de influência e lavagem de dinheiro', afirma Zanin na nota.

    Lula foi condenado por corrupção passiva e lavagem de dinheiro no processo do tríplex do Guarujá (SP), crime pelo qual cumpre pena em Curitiba desde abril. Entre outros processos nos quais Lula é réu, o caso do sítio de Atibaia está próximo da sentença.

    (Por Laís Martins)

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    Em depoimento, Lula trava embates com juíza e chama acusação sobre sítio em Atibaia de 'farsa'

    SÃO PAULO (Reuters) - O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva prestou um depoimento tenso à juíza substituta Gabriela Hardt no processo sobre o sítio em Atibaia em que travou embates com a magistrada em alguns momentos e classificou de 'farsa' a acusação do Ministério Público Federal de que ele teria recebido propina na forma de reformas realizadas no imóvel.

    Nas mais de duas horas de depoimento, Lula declarou-se 'desconfortável' e demonstrou incômodo durante todo o tempo. Ele se irritou com representantes do MPF e, mais de uma vez, a juíza, que substitui Sérgio Moro nos processos da Lava Jato em Curitiba, pediu que o ex-presidente mudasse seu tom.

    Isso aconteceu logo no começo do depoimento, quando Lula indagou à juíza do que era acusado e, depois da explicação de que a ação se tratava dos supostos benefícios obtidos com a reforma, o petista indagou: 'Doutora, eu só queria perguntar para o meu esclarecimento, porque eu estou disposto a responder toda e qualquer pergunta: eu sou dono do sítio ou não?'

    A juíza, que assumiu os processos após Moro aceitar ser ministro da Justiça do presidente eleito Jair Bolsonaro, foi dura na resposta.

    'Isso é o senhor que tem que responder, não eu, e eu não estou sendo interrogada neste momento', rebateu.

    'Senhor ex-presidente, esse é um interrogatório e se o senhor começar nesse tom comigo a gente vai ter problema. Então vamos começar de novo, eu sou a juíza do caso, eu vou fazer as perguntas que eu preciso para que o caso seja esclarecido, para que eu possa sentenciá-lo, ou algum colega possa sentenciá-lo... Eu não vou responder interrogatório nem questionamentos aqui, está claro?'

    Claramente irritado, Lula, que deixou a sede da Polícia Federal em Curitiba pela primeira vez nesta quarta desde que foi preso em abril, criticou o Ministério Público, referindo-se mais de uma vez à apresentação em power point feita pelo coordenador da força-tarefa da Lava Jato, procurador da República Deltan Dallagnol, que apontava o ex-presidente como chefe de uma organização criminosa que atuava na Petrobras.

    'O primeiro processo que eu fui vítima foi uma farsa, uma mentira do Ministério Público com um power point. A segunda é outra farsa e eu estou pagando esse preço. Eu vou pagar porque sou um homem que crê em Deus, creio na Justiça e um dia a verdade vai prevalecer', afirmou.

    Em outro momento de tensão, Lula disse que, se fosse presidente do PT à época da apresentação do power point, pediria que todos os filiados do partido processassem o MP.

    'Eu estou cansando, não sei até onde isso vai e o que vai acontecer. É um processo de mentira atrás de mentira... e tudo começou com o power point, se o power point tivesse sido desmentido no ato em que ele foi feito', disse Lula.

    'Eu vou dizer uma coisa para você, procurador, que eu não poderia dizer. Quando eu vi o power point, eu falei para o PT, se eu fosse o presidente do PT, eu pediria para que todos os filiados do PT no Brasil inteiro abrissem processo contra o Ministério Público para ele provar.'

    Gabriela Hardt, então, interrompeu Lula e afirmou que ele estava tentando intimidar a acusação.

    'O senhor está intimidando a acusação assim. Por favor, vamos mudar o tom', disse a juíza. 'O senhor está intimidando, instigando. O senhor está intimidando, eu não vou permitir', afirmou a magistrada. Lula negou que estivesse tentando intimidar os procuradores.

    DONA MARISA

    No depoimento, Lula, que é acusado de corrupção e lavagem de dinheiro no caso por supostamente ter recebido as reformas como vantagem indevida pagas pela Odebrecht, pela OAS e pelo pecuarista José Carlos Bumlai, também disse não acreditar na versão dada por Bumlai e por outros envolvidos de que a ex-primeira-dama Marisa Letícia Lula da Silva, já falecida, tenha solicitado a reforma no sítio.

    'Eu tenho muita dúvida se a Dona Marisa pediu para fazer a reforma, muita dúvida. Como ela não está aqui para se explicar, eu fico com a minha dúvida', disse Lula. 'Agora ficou fácil citar o nome da Dona Marisa, porque ela morreu.'

    O ex-presidente afirmou que Dona Marisa não tinha relações com as empreiteiras e que o sítio não pertencia a ela e, portanto, não havia motivo para que ela solicitasse a reforma.

    Lula também disse que não tinha conhecimento das obras de reforma feitas no sítio de Atibaia e declarou, mais de uma vez, que o MPF estava reconhecendo que o imóvel não lhe pertencia. Também mais de uma vez, Gabriela Hardt disse que a acusação não era a de que o petista é o proprietário do sítio.

    'Vamos definir isso? Veja, eu nunca conversei com ninguém sobre as obras no sítio de Atibaia porque eu queria provar que o sítio não era meu. E hoje, aqui, nessa tribuna, vocês me deram o testemunho: o sítio não é do seu Lula', disse.

    'Primeiro, nenhum empresário disse que as obras eram vinculadas a mim. Segundo, você hoje me dá um testemunho de que o sítio não é meu. Eu vim aqui achando que vocês iam me desmoralizar, mostrar um escritura, que eu paguei, que eu recebi, mas vocês não fizeram nada disso.'

    Em nota, a defesa de Lula disse que ele 'rebateu ponto a ponto as infundadas acusações do Ministério Público em seu depoimento, reforçando que durante o seu governo foram tomadas inúmeras providências voltadas ao combate à corrupção e ao controle da gestão pública e que nenhum ato de corrupção ocorrido na Petrobras foi detectado e levado ao seu conhecimento'.

    Lula foi o último acusado a prestar depoimento no processo do sítio. Agora será aberto prazo para que as partes apresentem suas alegações finais e, após isso, o processo ficará pronto para sentença.

    (Por Eduardo Simões, Laís Martins e Leonardo Benassatto)

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    Fachin envia pedido de habeas corpus de Lula para 2ª Turma do STF

    BRASÍLIA (Reuters) - O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Edson Fachin enviou para análise da 2ª Turma da corte o pedido de habeas corpus feito pela defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva apontando suspeição do juiz Sérgio Moro depois que o magistrado aceitou convite para ser ministro da Justiça e Segurança Pública no governo do presidente eleito Jair Bolsonaro.

    'Indico desde já inclusão na pauta da 2ª Turma para julgamento colegiado', escreveu Fachin em despacho publicado nesta terça-feira sobre o pedido da defesa de Lula, que alega perda da imparcialidade de Moro.

    O ministro também solicitou informações à 13ª Vara da Justiça Federal de Curitiba (PR) e ao Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4), que condenaram Lula em primeira e segunda instância, respectivamente.

    Na segunda-feira, a defesa do ex-presidente entrou com um pedido de habeas corpus no STF com base na suspeição de Moro, alegando a perda da imparcialidade do magistrado para julgá-lo após Moro aceitar o convite para ser ministro de Bolsonaro.

    Os advogados alegaram que o juiz estabeleceu 'relação de inimizade capital' com Lula e também apontaram interesses 'exoprocessuais' de Moro.

    A defesa pediu que o STF decrete a nulidade de todos os atos processuais relativos ao processo sobre o tríplex no Guarujá (SP), em que Lula já foi condenado por corrupção passiva e lavagem de dinheiro e pelo qual cumpre pena em Curitiba desde abril.

    (Reportagem de Ricardo Brito)

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    Lula pede calma ao PT e reafirma Haddad como liderança pós-eleição

    Por Lisandra Paraguassu

    SÃO PAULO (Reuters) - Em seu primeiro recado ao PT depois do final das eleições, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva pediu ao partido para ter calma, esperar a poeira baixar e não se precipitar na avaliação do cenário pós-eleição, e reafirmou a posição de liderança no partido que o presidenciável da sigla, Fernando Haddad, conquistou depois do segundo turno.

    Convocada pela presidente do partido, senadora Gleisi Hoffmann, a Executiva da sigla, acrescida de parlamentares e outros petistas graúdos, se reúne nesta terça-feira em São Paulo para fazer uma primeira avaliação de cenário. No entanto, embalada pelo recado de Lula, a tendência Construindo um Novo Brasil (CNB) --da qual o ex-presidente e Haddad fazem parte-- ecoa a posição lulista.

    'A maioria (da CNB) avaliou que a reunião de amanhã é precipitada. Vamos recomendar que não se tenha nenhuma avaliação. Precisamos ter calma', defendeu o presidente do PT do Rio, Washington Quaquá. 'Todo mundo que ganha uma eleição tem legitimidade democrática. Precisamos fazer oposição a coisas concretas.'

    Um dos coordenadores da campanha de Haddad, o deputado Emídio de Souza esteve nesta segunda-feira com Lula em Curitiba e fez um relato aos membros da CNB em uma reunião nesta tarde. O recado do ex-presidente foi entendido.

    Sua avaliação foi de que o resultado eleitoral não foi bom, obviamente, pela derrota, mas permitiu ao PT liderar um processo que reuniu gente para além dos partidos, em uma frente que envolveu a sociedade, e ir além do que se esperava em uma eleição em que Lula foi impedido de concorrer pela Lei da Ficha Limpa.

    Antes de definir um discurso de atuação, o partido tem que decidir como trabalhar para manter isso, contou uma fonte.

    Haddad foi derrotado no segundo turno da eleição presidencial para Jair Bolsonaro (PSL), que teve 55,1 por cento dos votos válidos, contra 44,9 por cento do petista. Apesar da derrota, foram 47 milhões de votos.

    O ex-presidente coloca Haddad, que foi seu substituto na chapa, no centro das discussões daqui para frente. Recomendou que o ex-prefeito de São Paulo seja consultado sobre seus planos e como planeja liderar essa frente de oposição ao governo Bolsonaro.

    Alinhada com os desejos do ex-presidente, a CNB --e outros petistas aliados diretamente a Haddad-- avaliam que o ex-candidato conquistou um espaço que precisa ser usado para que o PT possa continuar liderando essa frente de oposição.

    'Haddad saiu como uma grande liderança, saiu com estatura para ser uma liderança nacional. Antes só tinha Lula', disse Quaquá. 'Haddad passa a ser um grande interlocutor com a sociedade e se credenciou para liderar uma frente democrática. Essa é a posição do Lula também.'

    O tamanho e o papel que Haddad irá desempenhar nesse futuro PT está no centro das preocupações de Lula e do próprio partido. Seus defensores crêem que o tempo de resistências ao ex-prefeito acabou e reconhecem que foi a capacidade dele de conversar com diferentes setores que levou o partido a conseguir ampliar seu leque de apoios --além, claro, da rejeição a Bolsonaro.

    Ainda assim, reconhecem fontes petistas, há setores no partido que temem a perda de liderança e de holofotes para um 'novato'.

    'A discussão é mais complexa que uma avaliação de cenário. Que papel Haddad terá? Isso terá que ser discutido mais profundamente. Que espaço tem? Para cumprir esse papel virá para a estrutura do partido?', disse uma das fontes. 'Precisa pensar o que vai ser feito... as coisas precisam ter um compasso.'

    Em seu discurso depois do anúncio da eleição de Bolsonaro, Haddad se colocou à disposição para liderar uma oposição mas, lembra a fonte, não foi conversado com ele ainda até que ponto pretende colocar seu envolvimento.

    Nesta segunda, o ex-prefeito não foi à reunião da CNB. Pela manhã, saiu de casa apenas para ir até o Insper, onde dá aulas, e perguntado sobre o que faria daqui para frente, disse que voltaria a trabalhar porque tinha apenas tirado uma licença de 90 dias para a campanha.

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    Em carta, Lula faz apelo por união em torno de Haddad contra 'ameaça fascista'

    BRASÍLIA (Reuters) - O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez um apelo, em carta divulgada nesta quarta-feira, por união em torno do nome do candidato do PT à Presidência, Fernando Haddad, contra a 'ameaça fascista' representada, segundo ele, pela candidatura de Jair Bolsonaro (PSL).

    Lula abre mais uma das cartas escritas de Curitiba, onde está preso há seis meses, afirmando que o país chega ao final das eleições sob o risco de um enorme retrocesso, e diz que é o momento de “unir o povo, os democratas, todos e todas' em torno da candidatura de Haddad e defender a democracia.

    “Neste momento em que uma ameaça fascista paira sobre o Brasil, quero chamar todos e todas que defendem a democracia a se juntar ao nosso povo mais sofrido, aos trabalhadores da cidade e do campo, à sociedade civil organizada, para defender o Estado Democrático de Direito”, escreveu o ex-presidente.

    “Neste momento, acima de tudo está o futuro do país, da democracia e do nosso povo. É hora de votar em Fernando Haddad, que representa a sobrevivência do pacto democrático, sem medo e sem vacilações”.

    Segundo Lula, as divergências políticas devem ser decididas por meio de debate, dos argumentos e do voto, mas o país não tem o direito de abandonar o pacto social da Constituição de 1988, que marcou a volta da democracia.

    “Não podemos deixar que o desespero leve o Brasil na direção de uma aventura fascista, como já vimos acontecer em outros países ao longo da história”, afirmou.

    Lula está preso desde 7 de abril em Curitiba, depois de ter sido condenado em segunda instância por lavagem de dinheiro e corrupção passiva no âmbito da operação Lava Jato. O ex-presidente nega ter cometido qualquer crime.

    Na carta, Lula se defende mais uma vez das acusações, defende seu legado e diz saber que seu governo contrariou interesses e por isso tentam “reescrever a história” e destruir a imagem do PT, mas que a população ainda confia no projeto do partido.

    Lula pretendia ser o candidato do PT nessas eleições e aparecia em primeiro lugar em todas as pesquisas de intenção de voto, mas teve seu registro negado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) por ter sido enquadrado na Lei da Ficha Limpa, e foi então substituído por Haddad.

    De acordo com pesquisa Ibope divulgada na terça-feira, Haddad tem 43 por cento dos votos válidos para o segundo turno de domingo, enquanto Bolsonaro lidera as intenções de voto com 57 por cento.

    (Por Lisandra Paraguassu)

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    de tudo o que acontece nos bastidores do mundo da música, desde lançamentos, shows, homenagens, parcerias e curiosidades sobre o seu artista favorito. A vinda de artistas ao Brasil, cantores e bandas confirmadas no Lollapalooza e no Rock in Rio, ações beneficentes, novos álbuns, singles e clipes. Além disso, você acompanha conosco a cobertura das principais premiações do mundo como o Oscar, Grammy Awards, BRIT Awards, American Music Awards e Billboard Music Awards. Leia as novidades sobre Phil Collins, Coldplay, U2, Jamiroquai, Tears for Fears, Céline Dion, Ed Sheeran, A-ha, Shania Twain, Culture Club, Spice Girls, entre outros. Aproveite também e ouça esses e outros artistas no aplicativo da Rádio Antena 1, baixe na Apple Store ou Google Play e fique sintonizado.

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