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Lula chama de 'nova ONU' proposta de Trump e diz que norte-americano seria 'dono' da organização

Lula chama de 'nova ONU' proposta de Trump e diz que norte-americano seria 'dono' da organização

Reuters

23/01/2026

Placeholder - loading - Presidente Luiz Inácio Lula da Silva 18/12/2025 REUTERS/Adriano Machado
Presidente Luiz Inácio Lula da Silva 18/12/2025 REUTERS/Adriano Machado

Atualizada em  23/01/2026

23 Jan (Reuters) - O presidente Luiz Inácio ⁠Lula da Silva afirmou nesta sexta-feira que o multilateralismo está sendo jogado fora e apontou para a iniciativa do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de criar o que Lula chamou de 'nova ONU', a ser comandada pelo norte-americano.

Em encontro do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) em Salvador, Lula reconheceu a larga superioridade bélica dos EUA e a precariedade das Forças Armadas brasileiras, mas rebateu, dizendo que o país ​não tem armas mas tem dignidade ⁠e não ⁠vai 'abaixar a cabeça' para ninguém.

'O multilateralismo está sendo jogado fora pelo unilateralismo', disse Lula.

'A carta da ONU está sendo rasgada', disse. 'E ao invés de a gente corrigir a ONU -- que a gente reivindica desde que eu fui presidente em 2003, ‌reforma da ONU, com a entrada de novos países -- ... o ​que está acontecendo? O presidente Trump está ‌fazendo uma proposta ​de criar ​uma nova ONU em que ele, sozinho, é o dono da ONU', disse Lula à plateia de apoiadores.

Lula relatou que passou a semana ​conversando com diversos chefes de Estado na tentativa de resgatar o multilateralismo e evitar que prevaleça 'a lei do mais forte'. Dentre os interlocutores citados por ele, estão o presidente russo, Vladimir Putin, o presidente da China, Xi Jinping, o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, e a presidente do México, Claudia Sheinbaum.

No discurso desta sexta, Lula afirmou que o país não tem 'preferência' e deseja manter relações com diversos países, mas não aceita ser submetido à condição de 'colônia' para que receba ordens.

'Não queremos mais guerra fria. Nós não queremos mais Gaza', declarou ⁠o presidente.

'A gente não quer guerra... A gente não tem arma. Mas ‌a gente tem caráter, dignidade, ⁠e a gente não vai abaixar a cabeça para ninguém, quem quer que seja. A gente vai conversar, olho no olho, de ‍cabeça em pé, respeitando o povo brasileiro e a nossa soberania. Isso vale para todos ​os ‌países do mundo.'

(Reportagem de Maria Carolina Marcello, em BrasíliaEdição de Alexandre Caverni)

Reuters

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