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Lula se encaminha para confirmar Mello e Cavalcanti no BC, apesar de resistência do mercado

Lula se encaminha para confirmar Mello e Cavalcanti no BC, apesar de resistência do mercado

Reuters

03/02/2026

Placeholder - loading - Ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e presidente Luiz Inácio Lula da Silva em cerimônia no Palácio do Planalto, em Brasília 13/08/2025 REUTERS/Adriano Machado
Ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e presidente Luiz Inácio Lula da Silva em cerimônia no Palácio do Planalto, em Brasília 13/08/2025 REUTERS/Adriano Machado

Por Lisandra Paraguassu e Marcela Ayres e Bernardo ⁠Caram

BRASÍLIA, 3 Fev (Reuters) - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva se encaminha para confirmar a indicação dos nomes dos economistas Guilherme Mello e Tiago Cavalcanti, apresentados pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad, para diretorias do Banco Central, disseram à Reuters duas fontes que acompanham as negociações.

Mello, atual secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, seria indicado para a Diretoria de Política Econômica do BC, enquanto Cavalcanti, professor da Fundação Getulio Vargas e da Universidade de Cambridge (Reino Unido), ficaria com a Diretoria de Organização do Sistema Financeiro e de Resolução.

Não há ainda uma data para o anúncio oficial das nomeações, que ​precisarão ser aprovadas pelo Senado, mas o próprio Haddad disse, ⁠em entrevista ⁠à TV BandNews nesta terça-feira, que apresentou os nomes a Lula. A revelação foi feita pelo ministro depois de o nome de Mello ter vazado na imprensa e atraído críticas do mercado financeiro, e após Haddad ter conversado com Lula e acertado que citaria os nomes publicamente.

Na entrevista, Haddad disse ter indicado os nomes a Lula há ‌três meses e que, desde então, o presidente não voltou a tratar do assunto com ele. ​O ministro deve deixar o cargo no final de ‌fevereiro, segundo já anunciou.

Professor ​da Unicamp ​e filiado ao PT, Mello trabalhou no plano econômico de Lula para as eleições de 2022, mas é considerado um 'independente' dentro do partido, hoje muito mais próximo a Haddad. O economista também tem a ​simpatia do próprio Lula, com quem desenvolveu uma relação no governo.

Sua inclinação à esquerda e a associação com o PT causaram apreensão no mercado financeiro, o que refletiu nas taxas de juros de longo prazo, que tiveram alta na segunda-feira.

Mello também enfrenta resistência dentro do próprio Banco Central, segundo duas fontes com conhecimento do assunto, que afirmaram que o nome não foi previamente acordado com a autoridade monetária.

A diretoria de Política Econômica, que seria assumida pelo atual secretário de Haddad, é responsável por desenvolver e calibrar os modelos macroeconômicos usados pela autarquia e por preparar os insumos técnicos que embasam as decisões do Comitê de Política Monetária (Copom) sobre a taxa de juros.

Uma destas fontes afirmou que é desejável que ocupantes do cargo tenham experiência no mercado, por exemplo com passagens como ⁠economistas-chefes de instituições financeiras, e não apenas comprovado conhecimento acadêmico.

Uma terceira fonte ouvida pela Reuters, no entanto, diz ‌que não há por que temer a ⁠atuação do secretário, que é 'correto, competente e sério' e sempre foi uma voz ponderada dentro do ministério, nunca tendo proposto uma guinada na política econômica ou medidas heterodoxas.

'Esses movimentos do mercado ‍são esperados. Servem até como um aviso ao indicado, uma forma de pressão', disse uma das fontes.

Completamente avesso a se guiar por movimentos ​do ‌mercado financeiro, o presidente Lula não deve ser influenciado pelo mau humor dos operadores, completou a fonte.

Reuters

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