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    Chanceler conversa com ministro chinês e diz que país é parceiro do Brasil contra Covid

    Placeholder - loading - Bandeiras do Brasil e da China em cerimônia em Pequim por ocasião de visita do presidente Jair Bolsonaro 25/10/2019 REUTERS/Jason Lee
    Bandeiras do Brasil e da China em cerimônia em Pequim por ocasião de visita do presidente Jair Bolsonaro 25/10/2019 REUTERS/Jason Lee

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    Por Maria Carolina Marcello

    BRASÍLIA (Reuters) - O ministro das Relações Exteriores, Carlos Alberto França, afirmou nesta quarta-feira que a China é um parceiro-chave do Brasil para o combate à Covid-19 e relatou ter pedido apoio ao chanceler chinês em conversa telefônica, após declarações do ministro da Economia, Paulo Guedes, com críticas ao país asiático.

    A relação entre Brasil e China sofreu mais um choque na terça-feira, quando Guedes afirmou em reunião, sem saber que estava sendo transmitida, que o coronavírus havia sido inventado pelos chineses e que a vacina do país asiático seria menos efetiva que a dos Estados Unidos. O ministro depois admitiu ter usado uma 'imagem infeliz'.

    Em audiência pública na Comissão de Relações Exteriores da Câmara, o chanceler França disse ter conversado com seu equivalente chinês e ressaltou a importância da parceria com o país asiático no combate à Covid-19.

    'A China é, ninguém ignora, outro parceiro-chave nessa matéria. Em conversa telefônica com o ministro dos Negócios Estrangeiros, Wang Yi, fiz dois pedidos: que apoiasse a aquisição pelo Brasil de 30 milhões de doses da vacina da Sinopharm, para entrega ainda no segundo trimestre deste ano; e que nos auxiliasse no fornecimento de IFAs com vistas à produção no Brasil de um total de 60 milhões de doses da vacina Oxford-AstraZeneca', relatou.

    O chanceler, que se disse 'engajado' na implementação de uma 'diplomacia da saúde', anunciou que entre maio e junho a China deve aumentar sua produção de insumo farmacêutico ativo (IFA).

    'Nosso diálogo foi muito positivo. O ministro Wang comprometeu-se a fazer todo o possível para cooperar. Reservará e fornecerá ao Brasil, o quanto antes, quota maior de IFAs para a produção da vacina Oxford-AstraZeneca. Ressaltou, na ocasião, que abril seria mês crítico na China, e que precisam acelerar a vacinação interna. Mas afiançou que, em maio e junho, haverá grande aumento da produção de IFAs.'

    França acrescentou que o Itamaraty segue monitorando a situação, e que a embaixada em Pequim 'acompanha praticamente em tempo real cada processo de autorização de exportação de IFAs'.

    O ministro também telefonou para o embaixador da China no Brasil, Yang Wanming, nesta quarta-feira. Pelo Twitter, o embaixador afirmou que ele e França concordaram 'em reforçar ainda mais a confiança política mútua num ambiente sadio e amigável, implementar os consensos entre os chanceleres, e continuar a nossa parceira de vacinas'.

    O chanceler relatou ainda que o Brasil mantém conversas com Índia, Estados Unidos, Israel e Rússia na intenção de aumentar o aporte de vacinas ao país. O ministro manifestou a expectativa de resolução das pendências para a aprovação da vacina Sputnik V pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

    'Esperamos que as questões pendentes para aprovação da vacina possam ser oportunamente solucionadas de modo satisfatório para a Anvisa, de modo a podermos eventualmente contar, no médio prazo, com o aporte de mais uma vacina em nosso esforço nacional de imunização e superação da pandemia.'

    (Reportagem adicional de Ricardo Brito e Lisandra Paraguassu)

    Escrito por Reuters

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