China alerta Filipinas a não 'brincar com fogo' após comentários do presidente sobre Taiwan
China alerta Filipinas a não 'brincar com fogo' após comentários do presidente sobre Taiwan
Reuters
16/01/2024
PEQUIM/MANILA (Reuters) - A China convocou o embaixador das Filipinas na terça-feira e advertiu o país a 'não brincar com fogo' depois que o presidente Ferdinand Marcos Jr parabenizou o presidente eleito de Taiwan, Lai Ching-te, por sua vitória eleitoral.
A China ficou 'fortemente insatisfeita e se opõe resolutamente a essas falas', disse a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, referindo-se ao fato de Marcos ter parabenizado Lai na segunda-feira por ter vencido a eleição de Taiwan e ter se referido a ele como seu próximo presidente.
'Os comentários do presidente Marcos constituem uma grave violação do princípio de uma só China e (...) uma grave violação dos compromissos políticos assumidos pelas Filipinas com o lado chinês, e uma interferência grosseira nos assuntos internos da China', afirmou a porta-voz Mao Ning.
'A China apresentou um forte protesto às Filipinas' e convocou seu embaixador 'para dar à China uma explicação responsável', disse Mao.
'Sugerimos que o presidente Marcos leia mais livros para compreender adequadamente os meandros da questão de Taiwan, de modo a tirar as conclusões corretas.'
O Ministério das Relações Exteriores das Filipinas reafirmou em um comunicado na terça-feira a 'política de uma só China' do país e disse que a mensagem de Marcos pretendia reconhecer os 'interesses mútuos' das Filipinas e de Taiwan, incluindo 200.000 trabalhadores filipinos na ilha democraticamente governada.
Solicitado pela Reuters a comentar sobre a convocação do enviado filipino por Pequim e a repreensão da China, o gabinete de Marcos reiterou a declaração anterior sobre a 'política de uma só China'.
A fúria de Pequim em relação às falas é a mais recente em uma sucessão de confrontos entre as Filipinas e a China, que ocorrem no momento em que Manila reforça os laços com os Estados Unidos, incluindo a expansão de um acordo sobre o uso de suas bases militares por Washington.
(Reportagem de Mikhail Flores em Manila e Andrew Hayley em Pequim)
Reuters

