Combates no Golfo Pérsico são retomados, com EUA e Arábia Saudita atacando aliados do Irã no Iraque
Combates no Golfo Pérsico são retomados, com EUA e Arábia Saudita atacando aliados do Irã no Iraque
Reuters
29/07/2026
Por Parisa Hafezi e Ahmed Tolba e Ahmed Elimam
DUBAI/CAIRO, 29 Jul (Reuters) - Os Estados Unidos e a Arábia Saudita realizaram, nesta quarta-feira, ataques conjuntos contra grupos armados apoiados pelo Irã no Iraque. Esses foram os primeiros ataques aéreos dos EUA no Oriente Médio desde que o presidente norte-americano, Donald Trump, suspendeu a campanha de bombardeios dos EUA contra o Irã na semana passada.
O Irã, por sua vez, rejeitou uma proposta de Omã para administrar conjuntamente o Estreito de Ormuz e afirmou ter disparado contra navios no estreito e contra bases norte-americanas na Jordânia.
A retomada dos combates e os reveses diplomáticos fizeram os preços do petróleo subirem pela primeira vez desde a semana passada, indicando que não haverá um fim rápido para a guerra que os Estados Unidos e Israel iniciaram em fevereiro.
Homens iraquianos gritavam slogans sectários xiitas e “Morte à América!” enquanto carregavam os corpos de combatentes mortos em sacos mortuários para fora de um hospital em Mossul, no norte do Iraque, como mostraram imagens da emissora iraquiana Al-Ahad.
Washington e Riad afirmaram ter atacado conjuntamente os grupos armados apoiados pelo Irã no Iraque, em retaliação aos ataques com drones contra alvos petrolíferos sauditas lançados a partir do Iraque.
As Forças de Mobilização Popular do Iraque, poderosos grupos paramilitares apoiados pelo Irã e incorporados às forças de segurança oficiais iraquianas, afirmaram que pelo menos 20 membros foram mortos e 32 ficaram feridos nos ataques conjuntos dos EUA e da Arábia Saudita contra várias bases em todo o Iraque.
Foi a primeira grande ação militar dos EUA no Oriente Médio desde a última sexta-feira, quando Trump suspendeu abruptamente uma intensa campanha de bombardeios após 13 dias, após ter sido informado pelos comandantes de que a estratégia havia chegado ao limite.
Foi também a primeira vez durante a guerra que a Arábia Saudita declarou publicamente sua participação em ataques conjuntos ao lado dos Estados Unidos. Os ataques conjuntos podem ampliar o conflito ao envolver a Arábia Saudita, de maioria muçulmana sunita, em combate contra forças aliadas xiitas do Irã em uma nova frente.
O governo iraquiano, liderado por xiitas, um dos poucos no mundo a manter laços militares e diplomáticos estreitos tanto com Teerã quanto com Washington, convocou uma reunião de emergência.
Washington há muito tempo vem pedindo ao governo de Bagdá que reprima os grupos paramilitares apoiados pelo Irã, mas as tentativas de fazê-lo no passado provocaram agitação interna.
Os laços profundos entre o Irã e o Iraque, os dois maiores países de maioria xiita, ficaram evidentes nesta semana, quando centenas de milhares de peregrinos iranianos visitaram santuários no Iraque para um feriado anual, cruzando a fronteira por via terrestre. Alguns carregavam retratos do líder supremo iraniano assassinado, o aiatolá Ali Khamenei, reverenciado como um clérigo de alto escalão em ambos os países.
A Arábia Saudita também foi arrastada para o conflito em outra frente, com o movimento houthi, alinhado ao Irã, no Iêmen, anunciando na semana passada um bloqueio às exportações de petróleo sauditas no Mar Vermelho e disparando contra navios e instalações petrolíferas.
Horas antes de lançar os ataques conjuntos com a Arábia Saudita contra o Iraque, as Forças Armadas dos EUA informaram que suas defesas aéreas haviam evitado um ataque surpresa iraniano contra tropas norte-americanas na região.
As Forças Armadas da Jordânia informaram que suas defesas aéreas interceptaram e abateram cinco mísseis iranianos. Três dos quatro militares norte-americanos mortos neste mês morreram na Jordânia, onde as bases norte-americanas se tornaram alvos principais do Irã.
A Guarda Revolucionária do Irã afirmou ter disparado vários mísseis balísticos contra instalações militares dos EUA na Jordânia e ter atingido três petroleiros que tentavam atravessar o Estreito de Ormuz por uma rota não autorizada.
TEERÃ REJEITA PROPOSTA DE OMÃ
Os combates foram retomados neste mês depois que um acordo entre os EUA e o Irã, firmado em junho sobre uma estrutura para pôr fim à guerra, fracassou devido à questão do estreito — a rota de transporte de energia mais importante do mundo —, que o Irã afirma controlar e onde pretende cobrar taxas.
Omã propôs, nesta semana, um plano para o controle regional conjunto do estreito, com o apoio dos países do Golfo Pérsico, que permitiria o pagamento de taxas de serviço voluntárias. Mas uma alta autoridade iraniana disse à Reuters na quarta-feira que o Irã havia rejeitado a proposta de Omã por considerá-la “irracional”.
A autoridade afirmou que um acordo de controle conjunto 50-50 com Omã não atenderia aos interesses do Irã, embora Teerã considere Omã um vizinho valioso. O Irã deseja o controle exclusivo sobre a rota de entrada e o controle parcial sobre a rota de saída.
Os Estados Unidos têm orientado os navios a utilizarem uma rota próxima à costa de Omã, em vez de navegarem perto do Irã. A Marinha da Guarda Revolucionária iraniana afirmou em comunicado que continua a manter controle total sobre o estreito e que responderia à “interferência militar ilegal dos EUA”.
A retomada dos combates fez com que os preços do petróleo subissem 4,6%, com os contratos futuros do petróleo Brent sendo negociados a quase US$88 o barril às 7h30 (horário de Brasília). O preço, que havia atingido brevemente mais de US$100 na semana passada pela primeira vez desde maio, havia caído para a faixa dos US$85 nesta semana, depois que se soube no fim de semana que Trump havia cancelado o bombardeio.
(Reportagem de Timour Azhari, Parisa Hafezi, Doina Chiacu, Ahmed Tolba, Kanishka Singh e das Redações da Reuters)
Reuters

