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Combates no Golfo Pérsico são retomados, com EUA e Arábia Saudita atacando aliados do Irã no Iraque

Combates no Golfo Pérsico são retomados, com EUA e Arábia Saudita atacando aliados do Irã no Iraque

Reuters

29/07/2026

Placeholder - loading - Pessoas passam perto de um outdoor contra os EUA em um prédio em Teerã 16 de abril de 2026 REUTERS/Thaier Al-Sudani
Pessoas passam perto de um outdoor contra os EUA em um prédio em Teerã 16 de abril de 2026 REUTERS/Thaier Al-Sudani

Por Parisa Hafezi e Ahmed Tolba e Ahmed Elimam

DUBAI/CAIRO, 29 Jul (Reuters) - Os Estados Unidos e ​a Arábia Saudita realizaram, nesta quarta-feira, ataques conjuntos contra grupos armados apoiados pelo Irã no Iraque. Esses foram os primeiros ataques aéreos dos EUA no Oriente Médio desde que o presidente norte-americano, Donald Trump, suspendeu a campanha de bombardeios dos EUA contra o Irã na semana passada.

O Irã, por sua vez, rejeitou uma proposta de Omã para administrar conjuntamente o Estreito de Ormuz e afirmou ter disparado contra navios no estreito e contra bases norte-americanas na Jordânia.

A retomada dos combates e os reveses diplomáticos fizeram os preços do petróleo subirem pela primeira vez desde a semana passada, indicando que não haverá um fim rápido para a guerra que os Estados Unidos e Israel iniciaram em fevereiro.

Homens iraquianos gritavam slogans sectários xiitas e “Morte à América!” enquanto carregavam os corpos de combatentes mortos em sacos mortuários para fora de um hospital em Mossul, no norte do Iraque, como mostraram imagens da emissora iraquiana Al-Ahad.

Washington e Riad afirmaram ter atacado conjuntamente os grupos armados apoiados pelo Irã no Iraque, em retaliação aos ataques com drones contra alvos petrolíferos sauditas lançados a partir do Iraque.

As Forças de Mobilização Popular do Iraque, poderosos ⁠grupos paramilitares apoiados pelo Irã e ⁠incorporados às forças de segurança oficiais iraquianas, afirmaram que pelo menos ​20 membros foram mortos ‌e 32 ficaram feridos nos ataques conjuntos dos EUA e da Arábia Saudita contra várias bases em todo o Iraque.

Foi a primeira grande ação militar dos EUA no Oriente Médio desde a última sexta-feira, quando Trump suspendeu abruptamente uma intensa campanha de bombardeios após 13 dias, após ter sido informado pelos comandantes de que a estratégia havia chegado ao limite.

Foi também a primeira vez durante a guerra que a Arábia Saudita declarou publicamente sua participação em ataques conjuntos ao lado dos Estados Unidos. Os ataques ⁠conjuntos podem ampliar o conflito ao envolver a Arábia Saudita, de maioria muçulmana sunita, em combate contra forças aliadas xiitas do Irã em ​uma nova frente.

O governo iraquiano, liderado por xiitas, um dos poucos no mundo a manter laços militares e diplomáticos estreitos tanto com Teerã quanto com Washington, convocou uma reunião ​de emergência.

Washington há muito tempo vem pedindo ao governo de Bagdá que reprima os grupos paramilitares apoiados ‌pelo Irã, mas as tentativas de fazê-lo no ​passado ⁠provocaram agitação interna.

Os laços profundos entre o Irã e o Iraque, os dois maiores países de maioria xiita, ficaram evidentes nesta semana, quando centenas de milhares de peregrinos iranianos visitaram santuários no Iraque para um feriado anual, cruzando a fronteira por via terrestre. Alguns carregavam retratos do líder supremo iraniano assassinado, o aiatolá Ali Khamenei, reverenciado como um clérigo de alto escalão em ambos os países.

A ​Arábia Saudita também foi arrastada para o conflito em outra frente, com o movimento houthi, alinhado ao Irã, no Iêmen, anunciando na semana passada um bloqueio às exportações de petróleo sauditas no Mar Vermelho e disparando contra navios e instalações petrolíferas.

Horas antes de lançar os ataques conjuntos com a Arábia Saudita contra o Iraque, as Forças Armadas dos EUA informaram que suas defesas aéreas haviam evitado um ataque surpresa iraniano contra tropas norte-americanas na região.

As Forças Armadas da Jordânia informaram que suas defesas aéreas interceptaram e abateram cinco mísseis iranianos. Três dos quatro militares ​norte-americanos mortos neste mês morreram na Jordânia, onde as bases norte-americanas se tornaram alvos principais do Irã.

A Guarda Revolucionária do Irã afirmou ter disparado vários mísseis balísticos contra instalações militares dos EUA na Jordânia e ter atingido três petroleiros que tentavam atravessar o Estreito de Ormuz por uma rota não autorizada.

TEERÃ REJEITA PROPOSTA DE OMÃ

Os combates foram retomados neste mês depois que um acordo entre os EUA e o Irã, firmado em junho sobre uma estrutura para pôr fim à guerra, fracassou devido à questão do estreito — a rota de transporte de energia mais importante do mundo —, que o Irã afirma controlar e onde pretende cobrar taxas.

Omã propôs, nesta semana, um plano para o controle regional conjunto do estreito, com o apoio dos países do Golfo Pérsico, que permitiria o pagamento de taxas de serviço voluntárias. Mas uma alta autoridade iraniana disse à Reuters na quarta-feira que o Irã havia rejeitado a proposta de Omã ​por considerá-la “irracional”.

A autoridade afirmou que um acordo de controle conjunto 50-50 com Omã não atenderia aos interesses do Irã, embora Teerã considere Omã um vizinho valioso. O Irã deseja o controle exclusivo ‌sobre a rota de entrada e o controle parcial sobre a rota de ⁠saída.

Os Estados Unidos têm orientado os navios a utilizarem uma rota próxima à costa de Omã, em vez de navegarem perto do Irã. A Marinha da Guarda Revolucionária iraniana afirmou em comunicado que continua a manter controle total sobre o estreito e que responderia à “interferência militar ilegal dos EUA”.

A retomada dos combates fez com que os preços do petróleo subissem ⁠4,6%, com os contratos futuros do petróleo Brent sendo negociados a quase US$88 o barril às 7h30 (horário de Brasília). O ⁠preço, que havia atingido brevemente mais de US$100 na semana passada pela primeira vez desde ⁠maio, havia caído para a faixa ⁠dos ​US$85 nesta semana, depois que se soube no fim de semana que Trump havia cancelado o bombardeio.

(Reportagem de Timour Azhari, Parisa Hafezi, Doina Chiacu, Ahmed Tolba, Kanishka Singh e das Redações da Reuters)

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