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Conflito no Irã aumenta chances de Banco do Japão adiar aumento dos juros em março, dizem fontes

Conflito no Irã aumenta chances de Banco do Japão adiar aumento dos juros em março, dizem fontes

Reuters

03/03/2026

Placeholder - loading - Prédio do Banco do Japão em Tóquio 23/01/2024 REUTERS/Kim Kyung-Hoon
Prédio do Banco do Japão em Tóquio 23/01/2024 REUTERS/Kim Kyung-Hoon

Por Leika Kihara

TÓQUIO, 3 Mar (Reuters) - A recente volatilidade do mercado ​provocada pelo conflito no Oriente Médio aumentou a chance de o Banco do Japão adiar o aumento dos juros em março, segundo fontes, já que os formuladores de política monetária precisam de mais tempo para avaliar o impacto sobre a economia.

O único fator que poderia levar o Banco do Japão a aumentar as taxas em sua reunião de 18 e 19 de março seria uma queda acentuada do iene, que já foi afetado pelos ataques dos Estados Unidos ao Irã, aproximando-se da marca importante de 160 devido ao forte apetite dos investidores pelo dólar como moeda segura.

Mas o limiar para um aumento dos juros em março aumentou depois que o agravamento do conflito ⁠no Oriente Médio ⁠abalou os mercados financeiros e impulsionou os preços ​do petróleo, ‌colocando em dúvida as perspectivas de recuperação de uma economia fortemente dependente do combustível importado.

'Ficou difícil para o Banco do Japão aumentar os juros', disseram três fontes familiarizadas com o pensamento do banco central japonês, que delibera sobre as implicações da nova crise geopolítica na política monetária.

O Banco do Japão ⁠precisaria de tempo para analisar como seus aumentos de juros anteriores e o conflito no ​Oriente Médio afetam a economia e os preços, disseram duas outras fontes, acrescentando que o impacto será ​ditado pela duração da guerra.

Embora o aumento dos preços do ‌petróleo possa elevar a inflação ​subjacente, ele ⁠poderia prejudicar a economia e justificar um adiamento dos aumentos dos juros se o conflito persistir, disse uma das fontes. As fontes comentaram sob condição de anonimato, pois não estão autorizadas a falar publicamente.

Os mercados também reduziram as apostas ​em um aumento dos juros em março, depois que o vice-presidente do Banco do Japão, Ryozo Himino, se absteve de dar indícios claros de uma mudança iminente na política monetária na segunda-feira.

Embora o presidente do BC japonês, Kazuo Ueda, tenha deixado em aberto a possibilidade de um aumento em março ou abril em uma entrevista ​ao jornal Yomiuri publicada em 26 de fevereiro, ele enfatizou que qualquer decisão dependerá dos dados disponíveis na época.

A ausência de comentários favoráveis à alta de juros por parte dos membros do Banco do Japão contrasta com episódios anteriores de aperto monetário, em que eles deram pistas antecipadas sobre a possibilidade de um aumento dos juros para evitar surpreender os mercados.

'Himino teria dado algumas dicas se o Banco do Japão estivesse contemplando um aumento em março. O fato de ele não ter feito isso me convenceu de que não haverá aumento neste mês', ​disse Katsutoshi Inadome, estrategista sênior da Sumitomo Mitsui Trust Asset Management.

'Vejo abril como o momento mais provável para o próximo ‌aumento das taxas, especialmente se o iene continuar ⁠enfraquecendo', disse ele.

As apostas do mercado em um aumento dos juros em março caíram de 10% para cerca de 5% após as declarações de Himino, enquanto cerca de 60% veem a possibilidade de um aumento ⁠dos juros na reunião seguinte, em 27 e 28 de abril.

A maioria ⁠dos economistas consultados pela Reuters espera que o Banco ⁠do Japão aumente as ⁠taxas ​para 1% até o final de junho.

(Reportagem de Leika Kihara; Reportagem adicional de Takahiko Wada, Takaya Yamaguchi e Tamiyuki Kihara)

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