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Conservador Orbán é derrotado pela oposição de centro-direita na Hungria

Conservador Orbán é derrotado pela oposição de centro-direita na Hungria

Reuters

13/04/2026

Placeholder - loading - Pessoas comemoram após resultados parciais no dia da eleição parlamentar húngara em Budapeste, Hungria 13 de abril de 2026. REUTERS/Bernadett Szabo
Pessoas comemoram após resultados parciais no dia da eleição parlamentar húngara em Budapeste, Hungria 13 de abril de 2026. REUTERS/Bernadett Szabo

Atualizada em  13/04/2026

Por Krisztina Than e Anita Komuves

BUDAPESTE, 13 Abr (Reuters) - O ​líder nacionalista da Hungria, Viktor Orbán, perdeu o poder para o novo partido de centro-direita Tisza nas eleições nacionais de domingo, após 16 anos no cargo.

Orbán, de 62 anos, era celebrado pelos conservadores de toda a Europa e dos Estados Unidos como o mentor do modelo 'iliberal' de democracia, mas perdeu apoio em seu país dos eleitores que se cansaram da estagnação econômica, do isolamento internacional e do acúmulo de riqueza pelos oligarcas.

Sua derrota esmagadora deu a Peter Magyar, 45, do Tisza, uma confortável maioria na assembleia legislativa de 199 assentos da Hungria, abrindo a porta para reformas significativas de um sistema que, segundo os críticos da União Europeia, subverteu ⁠as normas democráticas.

Com ⁠quase todas as cédulas contabilizadas, o Tisza ​estava a ‌caminho de conquistar 138 assentos, mais do que a maioria de dois terços que Magyar precisaria para desfazer a reforma constitucional de Orbán e combater a corrupção.

O comparecimento recorde às urnas no domingo ressaltou que muitos húngaros consideraram a eleição como um momento decisivo para seu país.

'Nós conseguimos. O ⁠Tisza e a Hungria venceram essa eleição', disse Magyar a dezenas de milhares de ​apoiadores que dançaram e aplaudiram às margens do rio Danúbio, no centro de Budapeste.

Muitos seguravam velas enquanto ​alto-falantes tocavam 'My Way', de Frank Sinatra, conforme Magyar caminhava em ‌direção ao palco. 'Juntos, substituímos o ​sistema ⁠de Orbán e juntos libertamos a Hungria, recuperamos nosso país', afirmou ele.

Magyar havia apresentado a eleição como uma escolha entre 'Ocidente e Oriente', alertando os eleitores de que Orbán e sua postura de confronto com Bruxelas levariam o país ​ainda mais para longe da corrente principal europeia. Orbán rebateu, afirmando que o Tisza arrastaria a Hungria para uma guerra indesejada com a Rússia, acusação que Magyar negou.

'O resultado da eleição é doloroso para nós, mas claro', disse Orbán nos escritórios de campanha do Fidesz. Alguns de seus apoiadores que se reuniram do ​lado de fora choraram enquanto assistiam ao seu discurso em telões.

IMPACTO NA UE E ALÉM

O fim dos 16 anos de governo de Orbán terá implicações significativas não apenas para a Hungria, mas também para a União Europeia, a Ucrânia e outros países.

Muitos líderes europeus esperam o fim do papel de adversário da Hungria dentro da UE, o que possivelmente abriria caminho para um empréstimo de 90 bilhões de euros para a Ucrânia, devastada pela guerra, que foi bloqueado por Orbán.

Mujtaba Rahman, diretor-gerente do Eurasia Group, afirmou que Magyar conseguirá cumprir suas ​promessas de erradicar a corrupção e remover aliados do Fidesz de posições-chave.

'Em relação à Ucrânia, Magyar concordará em facilitar ‌o repasse de 90 bilhões de euros. ⁠Ele foi extremamente cauteloso antes das eleições, mas, sem a necessidade de tentar apaziguar os eleitores do Fidesz, acreditamos que a Hungria se aproximará, com cautela, da corrente principal europeia na maioria dos assuntos.'

Alguns diplomatas ⁠em Bruxelas alertaram que questões como a imigração podem continuar sendo ⁠espinhosas. 'A Hungria continuará sendo um parceiro desafiador, mas um ⁠parceiro com quem os ⁠outros ​Estados membros podem trabalhar', disse um deles.

(Reportagem adicional de Krisztina Than, Anita Komuves, Lili Bayer, Thomas Holdstock, Judith Langowski)

Reuters

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