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    Corrida por açúcar do Brasil em meio a pandemia gera enormes filas no Porto de Santos

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    Navios aguardam para carregar no Porto de Santos (SP) 01/06/2020 REUTERS/Amanda Perobelli

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    Por Marcelo Teixeira e Roberto Samora e Mayank Bhardwaj

    NOVA YORK/SÃO PAULO/NOVA DÉLHI (Reuters) - Mais de 70 navios estão na fila no Porto de Santos (SP) para carregar açúcar para exportação, em um engarrafamento que pode levar mais de um mês para ser reduzido, à medida que compradores ao redor do mundo correram para se antecipar a eventuais problemas de oferta que possam ser causados pela pandemia de coronavírus.

    Boa parte do comércio global de açúcar voltou-se então para o Brasil, que deverá ter produção recorde na safra atual, principalmente após colheitas fracas na Índia e na Tailândia. Mas o país tem agora o segundo maior número de casos de Covid-19 no mundo, com mais de 610 mil registros.

    Três grandes navios tiveram operações de carregamento suspensas nas últimas semanas e precisaram enfrentar quarentenas de 14 dias em Santos, maior porto da América Latina, após membros da tripulação terem testado positivo para Covid-19. Uma embarcação no porto de Paranaguá (PR) teve o mesmo problema.

    'A situação tem se complicado devido ao vírus. Todos estão nervosos sobre o que poderia acontecer se navios não puderem serem atracados ou carregados rapidamente', disse Stephen Geldart, o chefe de análises da Czarnikow Group.

    Em Santos, as embarcações aguardam para levar mais de 3 milhões de toneladas de açúcar para refinarias pelo mundo. No mesmo período do ano passado, eram apenas 15 barcos, que esperavam para carregar 700 mil toneladas, segundo dados da agência marítima Williams.

    O tempo médio de espera está agora em torno de 29 dias contra quatro ou cinco dias no ano passado.

    Dois operadores do mercado de açúcar disseram à Reuters que é improvável que compradores cancelem contratos porque correriam riscos de não encontrar fornecedores alternativos.

    'A Índia seria uma alternativa, mas eles também estão tendo problemas nos portos devido ao coronavírus, disse o chefe de negociações com açúcar da SCA Trading, no Brasil, Cheng Gonk Vin.

    Ele disse que operadores enfrentarão custos adicionais com 'demurrage', uma taxa cobrada por donos de navios quando eles precisam aguardar por mais tempo que o esperado nos portos. Essa taxa fica ao redor de 20 mil dólares por dia de espera.

    'Está um caos em Santos', disse um segundo operador, ao descrever a briga de comerciantes para achar espaço. De acordo com a fonte, alguns operadores de mercado têm negociado com usinas a postergação de embarques.

    Compradores de contratos futuros do açúcar para maio adquiriram um total de 2,26 milhões de toneladas para entregas desse contrato, um recorde mensal. Esse açúcar precisa ser entregue em Nova York ao final de julho, o que aumentou o congestionamento em Santos.

    A trading de commodities chinesa Cofco International e a Wilmar International foram as responsáveis pelas entregas e precisarão pagar a 'demurrage'.

    Cofco e Wilmar não responderam pedidos de comentário.

    'Muitos países, particularmente na Ásia, estão temendo problemas na cadeia de suprimento devido ao coronavírus e decidiram garantir a oferta para formar estoques estratégicos', disse o chefe de um grande grupo de açúcar no Brasil, sob a condição de anonimato.

    Algumas usinas optaram por enviar o açúcar para outros portos para evitar atrasos. A Alta Mogiana, no centro-sul, disse que pela primeira vez decidiu enviar seu açúcar para dois portos que não o de Santos.

    Tradicionalmente um grupo mais açucareiro do que alcooleiro, a Usina Coruripe optou por maximizar o 'mix' para açúcar na temporada 2020/21, destinando 80% da cana para o adoçante, diante das melhores condições de mercado na comparação com o etanol.

    Ao se planejar para isso logo no início do ano, a empresa controlada pelo grupo Tércio Wanderley buscou escalonar suas exportações ao longo do ano, programando embarques de açúcar todos os meses, uma forma de minimizar problemas de congestionamentos, disse à Reuters o diretor comercial da Usina Coruripe, Francisco Vital.

    'Entrego açúcar de abril a março, os 12 meses vou entregando açúcar... Vou falar de problema bom, hoje tem uma fila boa de açúcar', acrescentou ele, comentando que o planejamento evita que o Coruripe seja afetado negativamente pelo congestionamento de navios.

    Ele ressaltou que o setor se preparou para enfrentar a pandemia e prevenir o contágio, e acredita que o país conseguirá embarcar os volumes demandados, apesar da demora maior nos portos.

    Para Douglas de Oliveira, diretor comercial Usina Santa Fé, uma vez que o Brasil tem oferta e melhores condições econômicas para atender o mercado global, o problema logístico é algo 'natural'.

    'O que for possível produzir, está sendo embarcado. Estamos no terceiro mês de safra e meu barracão está vazio', disse ele, ressaltando que a empresa embarca o que é produzido rapidamente.

    Contudo, apesar do 'cenário adverso' no que diz respeito à logística, ele considera que setor ainda pode ter um bom ano, à medida que o país saia do 'isolamento' para combater o coronavírus e o mercado de etanol possa reagir mais.

    RIVAIS

    Operadores do mercado de açúcar afirmam que, apesar de uma menor safra nesta temporada, a Índia pode se beneficiar dos problemas de logística no Brasil.

    'Usinas indianas vão ganhar com qualquer redução na oferta de açúcar do Brasil devido à longa fila de navios por lá', disse o diretor-geral da MEIR Commodities India, Rahil Shaikh.

    A Índia ainda tem 1,5 milhão de toneladas de açúcar a ser exportado com ajuda de subsídios governamentais, acrescentou Shaikh, o que pode tornar a produção da Índia competitiva.

    É menos provável que a Tailândia se beneficie porque sua safra sofreu com uma seca, disse o vice-secretário geral do Conselho de Açúcar e Cana do país, Virit Viseshsinth.

    A Tailândia tem menos de 6 milhões de toneladas de açúcar para exportações após a safra deste ano, significativamente abaixo do nível dos anos anteriores, e a maior parte do volume já está comprometida.

    (Por Marcelo Teixeira e Roberto Samora; reportagem adicional de Patpicha Tanakasempipat e Panarat Thepgumpanat em Bangkok e de Mayank Bhardwaj em Nova Délhi)

    Escrito por Reuters

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