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Corte automático de geração solar remota será testada até fim do ano, diz ONS

Corte automático de geração solar remota será testada até fim do ano, diz ONS

Reuters

20/08/2026

Placeholder - loading - Trabalhadores limpam painéis em um parque solar 19 de outubro de 2022 REUTERS/Sunil Kataria
Trabalhadores limpam painéis em um parque solar 19 de outubro de 2022 REUTERS/Sunil Kataria

Por Leticia Fucuchima

SÃO PAULO, 20 Ago (Reuters) - O ​Operador Nacional de Sistema Elétrico (ONS) começará a testar até o fim deste ano os cortes automáticos de geração distribuída solar remota, mecanismo que adicionará uma nova camada de proteção contra apagões no setor elétrico nacional, disse nesta quinta-feira o diretor de planejamento da instituição, Alexandre Zucarato.

A proposta em estudo, segundo Zucarato, prevê cortes de até 3 gigawatts (GW) de energia injetada no sistema nacional por pequenas usinas de geração solar remota, popularmente conhecidas como 'fazendas solares', que produzem energia para empresas que oferecem 'energia solar ⁠por ⁠assinatura' a consumidores.

A Órigo Energia e a ​Cemig ‌SIM estão entre as empresas que ofertam essa energia solar.

'É uma coisa para ser usada pontualmente, em um curtíssimo instante de tempo, como um sistema de proteção... Naquele instante não cabe mais energia no sistema, tudo ⁠que podia ser feito do ponto de vista manual foi feito, e ​vai ter um sistema automático que vai dar conta', explicou Zucarato a ​jornalistas, após participar de evento da MegaWhat.

Esse mecanismo ‌atuará de forma similar ​ao 'esquema ⁠regional de alívio de carga' (Erac), já amplamente utilizado pelo ONS para interromper o fornecimento de energia em determinados pontos da rede quando algum desequilíbrio ameaça causar problemas maiores, ​como um apagão em grande escala.

A ideia é mobilizar o corte automático da solar remota quando o ONS não tiver mais ferramentas para controlar o sistema e evitar apagões, já tendo diminuído toda a geração possível de grandes usinas hidrelétricas, ​renováveis e termelétricas, por exemplo.

'A gente quer fazer um piloto até o final do ano, e as coisas ocorrendo mais ou menos como esperado, fazer o 'rollout' ao longo de 2027', disse Zucarato, acrescentando que o piloto deverá envolver testes em uma distribuidora, ainda não escolhida.

O Brasil tem enfrentado cada vez mais dificuldades para lidar com a enorme quantidade de energia solar injetada na rede por pequenas usinas e ​telhados solares, cuja produção não é controlável centralizadamente pelo ONS. O excesso de geração ‌causa distúrbios na frequência do sistema ⁠elétrico e pode, no limite, levar a um colapso do fornecimento aos consumidores.

O ONS implementou no ano passado um plano emergencial de corte de excedentes ⁠da geração distribuída em um determinado conjunto de usinas, ⁠chamadas 'tipo III'. Nesse plano, o ONS ⁠avisa com dias de ⁠antecedência ​as distribuidoras de energia, que operacionalizam os cortes.

(Por Letícia Fucuchima; edição de Roberto Samora)

Reuters

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