Corte Internacional ordena que Venezuela se abstenha de agir em disputa de fronteira com Guiana
Corte Internacional ordena que Venezuela se abstenha de agir em disputa de fronteira com Guiana
Reuters
01/12/2023
Atualizada em 01/12/2023
HAIA (Reuters) - Juízes da Corte Internacional de Justiça ordenaram nesta sexta-feira que a Venezuela se abstenha de tomar qualquer medida que altere a situação atual em Essequibo, um território potencialmente rico em petróleo que é objeto de uma disputa de fronteira com a Guiana, que controla o local.
O tribunal não proibiu expressamente a Venezuela de realizar o referendo planejado para 3 de dezembro sobre os seus direitos à região em torno do rio Essequibo, como a Guiana solicitou.
Contudo, os juízes deixaram claro que qualquer ação concreta para alterar o status quo deve ser interrompida.
'A corte observa que a situação que prevalece atualmente no território em disputa é que a Guiana administra e exerce controle sobre essa área', disse a presidente do tribunal, Joan Donoghue.
'A Venezuela tem de se abster de tomar qualquer medida que possa modificar essa situação', acrescentou.
A Venezuela não reagiu imediatamente à decisão do tribunal.
Os venezuelanos votarão no domingo em um referendo de cinco perguntas apoiado pelo governo do presidente Nicolás Maduro, que, segundo analistas, deve ser aprovado.
O referendo pergunta aos venezuelanos, entre outros pontos, se eles concordam com um plano para incorporar a região e criar um Estado chamado Guiana Essequiba.
O presidente da Guiana, Irfaan Ali, saudou a decisão do tribunal em uma declaração.
'Como o tribunal deixou claro, a Venezuela está proibida de anexar ou invadir o território guianense ou de tomar qualquer outra medida -- independentemente do resultado do referendo de 3 de dezembro -- que altere o status quo no qual a Guiana administra e controla a região de Essequibo', disse o comunicado.
A corte afirmou em abril que tinha jurisdição sobre a questão, embora uma decisão final possa demorar anos. A Venezuela tem sustentado que o caso deve ser resolvido pelos dois países.
O território de 160.000 quilômetros quadrados ao redor do rio Essequibo é, em sua maior parte, uma selva impenetrável.
A Venezuela reativou sua reivindicação sobre a área nos últimos anos após a descoberta de petróleo e gás em alto-mar. No mês passado, a Guiana anunciou outra descoberta significativa em áreas offshore.
(Por Stephanie van den Berg e Bart Meijer)
Reuters

