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Crise de transporte marítimo no Golfo se agrava com navios paralisados pelo 5º dia

Crise de transporte marítimo no Golfo se agrava com navios paralisados pelo 5º dia

Reuters

04/03/2026

Placeholder - loading - Navios-tanque na costa de Fujairah, nos Emirados Árabes Unidos  3 de março de 2026 REUTERS/Amr Alfiky
Navios-tanque na costa de Fujairah, nos Emirados Árabes Unidos 3 de março de 2026 REUTERS/Amr Alfiky

Por Jonathan Saul e Anna Hirtenstein e Yousef Saba

4 Mar (Reuters) - A guerra ​entre os Estados Unidos, Israel e o Irã se ampliou nesta quarta-feira, após ataque norte-americano atingir um navio de guerra iraniano ao largo do Sri Lanka, aprofundando uma crise que paralisou o transporte marítimo pelo Estreito de Ormuz pelo quinto dia consecutivo e interrompeu o fluxo vital de petróleo e gás do Oriente Médio.

O ataque do submarino norte-americano ao navio iraniano ocorreu em um momento em que o presidente dos EUA, Donald Trump, promete fornecer seguro e escolta naval aos navios que exportam petróleo e gás do Oriente Médio, em uma tentativa de conter a alta dos preços no setor energético.

Pelo menos 200 navios, incluindo petroleiros e navios-tanque de gás natural liquefeito, assim como navios de carga, permaneceram ancorados em águas abertas ao largo da costa dos principais produtores do Golfo como Iraque, Arábia Saudita e Catar, segundo estimativas da Reuters baseadas em dados de rastreamento ⁠de navios da plataforma ⁠MarineTraffic.

Centenas de outras embarcações permaneceram fora de Ormuz, sem ​conseguir chegar ‌aos portos, mostraram dados de navegação. A passagem é uma artéria fundamental para cerca de um quinto do abastecimento mundial de petróleo e GNL.

Pelo menos oito embarcações foram impactadas na área desde o início do conflito com o Irã, no sábado. Nesta quarta-feira, o navio porta-contêiner Safeen Prestige, com bandeira de Malta, foi danificado por um projétil enquanto navegava em direção ao extremo norte do ⁠Estreito de Ormuz, levando a tripulação a abandonar o navio, informou a agência naval britânica UKMTO.

O petroleiro Libra ​Trader, das Ilhas Marshall, e o graneleiro Gold Oak, com bandeira do Panamá, também sofreram danos menores a cerca de 7 ​a 10 milhas náuticas do porto de Fujairah, nos Emirados Árabes Unidos, na madrugada ‌desta quarta-feira, informou a UKMTO ​posteriormente.

O Libra ⁠Trader sofreu uma forte explosão e foi atingido por detritos de um projétil desconhecido, enquanto o Gold Oak foi atingido por um projétil, embora nenhum dos navios tenha registrado danos graves ou ferimentos na tripulação, acrescentou a agência.

O Catar vai interromper totalmente a liquefação de gás nesta quarta-feira e não ​deve retornar à produção e às exportações normais por pelo menos um mês, disseram à Reuters duas fontes familiarizadas com o assunto. A gigante do gás QatarEnergy declarou força maior nos embarques de GNL após ataques às suas instalações de produção.

O Iraque reduziu sua produção de petróleo, já que o país ficou sem espaço de armazenamento, incapaz de carregá-lo em petroleiros. A Arábia Saudita, os Emirados Árabes Unidos e o Kuweit ​também enfrentavam dificuldades para carregar petróleo, mas ainda não está claro se eles reduziram a produção.

Apesar do impasse, uma viagem rara ocorreu na terça-feira, quando o petroleiro Suezmax Pola navegou pelo Estreito de Ormuz até os Emirados Árabes Unidos para carregar petróleo bruto, de acordo com fontes do setor e dados de rastreamento de navios da LSEG.

O Pola desligou seu transponder AIS no final do dia 2 de março, ao se aproximar do estreito, e reapareceu no dia seguinte ao largo de Abu Dhabi.

Trump disse na terça-feira que instruiu a Corporação Financeira Internacional de Desenvolvimento dos EUA a fornecer seguro contra riscos políticos e garantias financeiras para o comércio marítimo no Golfo.

'Não importa o que aconteça, os Estados ​Unidos garantirão o livre fluxo de energia para o mundo', escreveu Trump nas redes sociais.

Os custos do seguro contra riscos comerciais de guerra aumentaram pelo ‌menos cinco vezes nos últimos dias.

'As taxas aumentaram em relação ⁠aos níveis aos quais os proprietários e fretadores estão acostumados', disse Angus Blayney, da corretora de seguros Gallagher.

Os preços do petróleo caíram nesta quarta-feira, mas subiram 12% desde o início da guerra, no sábado, quando os ataques dos EUA e de Israel ao Irã interromperam o ⁠abastecimento do Oriente Médio.

'Oferecer proteção a todos os petroleiros que operam em áreas atualmente ameaçadas ⁠pelo Irã não é realista, pois isso exigiria um número muito ⁠alto de navios de guerra ⁠e ​outros recursos militares', disse Jakob Larsen, diretor de segurança e proteção da associação de transporte marítimo Bimco.

(Reportagem de Jonathan Saul; Reportagem adicional de Renee Maltezou)

Reuters

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