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Crise em Ceuta alimenta extrema-direita da UE, apesar da queda na chegada de imigrantes, diz comissário

Crise em Ceuta alimenta extrema-direita da UE, apesar da queda na chegada de imigrantes, diz comissário

Reuters

18/09/2026

Placeholder - loading - Imigrantes fazem fila para receber alimentos da Cruz Vermelha na Praia de Trampolin, após travessias em massa de imigrantes vindos de Marrocos em Ceuta, na Espanha 11 de setembro de 2026 REUTERS/Ana B
Imigrantes fazem fila para receber alimentos da Cruz Vermelha na Praia de Trampolin, após travessias em massa de imigrantes vindos de Marrocos em Ceuta, na Espanha 11 de setembro de 2026 REUTERS/Ana B

Por Amina Ismail

BRUXELAS, 18 Set (Reuters) - Imagens de ​imigrantes cruzando a fronteira para o enclave espanhol de Ceuta, no Norte da África, têm alimentado o apoio a partidos de extrema-direita, apesar de uma queda acentuada nas chegadas irregulares à Europa em decorrência de políticas de imigração mais rígidas, afirmou nesta sexta-feira o comissário da UE para a Imigração, Magnus Brunner.

Mais de 72 mil pessoas entraram no enclave vindas de Marrocos no final de julho, embora a maioria tenha partido posteriormente. A Espanha estima que 12 mil migrantes permaneçam no pequeno território, incluindo ⁠menores de ⁠idade.

“Temos os números em queda, mas ​as imagens ‌de Ceuta, é claro, ofuscam os sucessos reais e os fatos e números concretos”, disse Brunner à Reuters em uma entrevista.

Ele disse que essas imagens “alimentam a extrema-direita”, e é por isso que “é tão importante repatriar essas pessoas ⁠o mais rápido possível para mostrar que temos o controle”.

Questionado sobre a ​proposta apresentada na quarta-feira pela presidente da Comissão Europeia, Ursula von der ​Leyen, de um quadro de emergência para impedir ‌movimentos em massa de ​imigrantes “orquestrados e ⁠instrumentalizados”, Brunner disse que os detalhes serão discutidos na próxima reunião do Conselho da UE com os Estados-membros. Mas “antes de tudo, temos que implementar o sistema que já acordamos”, ​acrescentou.

O sentimento anti-imigração tem permanecido uma força política potente em toda a Europa desde que mais de 1 milhão de pessoas, muitas delas sírias fugindo da guerra, chegaram ao bloco em 2015. Esse aumento ajudou a impulsionar o apoio a ​partidos nacionalistas e de extrema-direita e levou muitos governos a adotar políticas de imigração mais rígidas, focadas na dissuasão e nos retornos.

Brunner também defendeu a decisão da Comissão Europeia de facilitar as negociações entre os Estados-membros da UE e autoridades do Taliban, à medida que os governos buscam maneiras de repatriar afegãos condenados por crimes na Europa. Grupos de direitos humanos criticaram a medida, alegando que ela conferia legitimidade aos ​governantes islâmicos do Afeganistão, colocava os afegãos em risco e minava os valores fundamentais ‌da UE.

“Eles são assassinos; são criminosos. ⁠E acho que é do interesse da União Europeia e do povo europeu, é claro, repatriá-los”, disse Brunner quando questionado sobre como o bloco poderia garantir que ⁠os deportados enviados ao Afeganistão não enfrentassem perseguição ⁠ou danos.

“Acho que, antes de tudo, trata-se ⁠da segurança europeia ⁠e ​da segurança dos cidadãos europeus.”

(Reportagem de Amina Ismail; Reportagem adicional de Victoria Waldersee, em Madri)

Reuters

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