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Datagro vê salto no déficit do mercado de milho no Brasil em 26/27 com demanda do setor de etanol

Datagro vê salto no déficit do mercado de milho no Brasil em 26/27 com demanda do setor de etanol

Reuters

20/08/2026

Placeholder - loading - Uma colheitadeira é vista colhendo milho em uma fazenda próxima a Brasília, no Brasil, em 22 de agosto de 2023. REUTERS/Adriano Machado
Uma colheitadeira é vista colhendo milho em uma fazenda próxima a Brasília, no Brasil, em 22 de agosto de 2023. REUTERS/Adriano Machado

Por Roberto Samora

SÃO PAULO, 20 Ago (Reuters) - O ​déficit no mercado de milho do Brasil deverá saltar para 7,2 milhões de toneladas no ciclo 2026/27, ante 2,7 milhões na temporada anterior, impulsionado principalmente pela maior demanda das usinas de etanol, estimou nesta quinta-feira a consultoria Datagro.

Em uma visão preliminar para o mercado de milho do Brasil em 2026/27, uma vez que o grosso da colheita brasileira do cereal é obtido apenas em 2027, a Datagro manteve sua projeção de produção em 147,5 milhões de toneladas, alta de 1,5% ante temporada anterior, mas revelou ⁠uma ⁠demanda total crescendo 4,5%, para 154,7 milhões ​de ‌toneladas.

O crescimento menor da produção no Brasil, terceiro produtor global após Estados Unidos e China, acontece em um momento em que produtores de grãos lidam com margens mais apertadas, enquanto o crédito fica mais escasso e caro, com ⁠parte do setor lidando com dificuldades financeiras, incluindo pedidos de recuperação ​judicial. Há ainda preocupações climáticas relacionadas ao fenômeno El Niño.

Da demanda total em ​2026/27, a Datagro projeta que o setor de ‌ração animal vai absorver ​64,2 ⁠milhões de toneladas, alta anual de quase 4%, enquanto a indústria de etanol vai tomar 32,49 milhões de toneladas, avanço de mais de 14%.

'O déficit é muito puxado pelo incremento ​das usinas de etanol', disse o analista Gabriel Bastos, durante Abertura de Safra Soja, Milho e Algodão, realizada pela Datagro em Goiás.

Ele destacou que já são 33 usinas de etanol em operação, enquanto esse número deve mais do que dobrar ​nos próximos seis anos, considerando fábricas em construção e projetos.

As exportações de milho do Brasil, que vêm aparecendo nos últimos anos como segundo exportador mundial, atrás dos Estados Unidos, deverão ficar estáveis em 2026/27, em 45 milhões de toneladas.

No mesmo evento, o head de Grãos da Datagro, Flávio França Júnior, disse que o cenário de mercado pode significar uma melhora para os preços pagos aos produtores.

'Quando fala que tem possível ​melhora do preço é um alento, também destacando a preocupação com o El Niño... cenário ‌nervoso... pelo menos em termos de ⁠preços tem um cenário de preços um pouco melhor', disse ele.

Com o déficit, o Brasil tem consumido estoques nos últimos anos.

Para 2026/27, a Datagro estima estoques ⁠finais (em 31 de janeiro) em 8,9 milhões de toneladas, ⁠versus 16,1 milhões registrados em 2024/25.

A demanda ⁠total prevista pela ⁠Datagro ​considera ainda usos para sementes, consumo humano e industrial.

(Por Roberto Samora; edição de Marta Nogueira)

Reuters

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