Demanda por soja no spot sustenta cotações no Brasil apesar da colheita, aponta Cepea
Demanda por soja no spot sustenta cotações no Brasil apesar da colheita, aponta Cepea
Reuters
13/02/2026
SÃO PAULO, 13 Fev (Reuters) - Os preços da soja no Brasil ficaram firmes no comparativo semanal, com a procura para entrega imediata aquecendo o mercado spot, ainda que o país esteja em fase de colheita de uma safra recorde, apontou nesta sexta-feira análise do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea).
A demanda também elevou os prêmios de exportação, sobretudo para embarques de curto prazo, acrescentou o Cepea, da Esalq/USP.
Por outro lado, produtores seguiram 'cautelosos nas vendas, atentos às irregularidades climáticas em parte do país', disse o Cepea. Na véspera, a Emater do Rio Grande do Sul afirmou que a safra de soja do Estado deverá ser impactada 'negativamente' pelas condições climáticas recentes.
No mercado spot nacional, entre 5 e 12 de fevereiro, os indicadores de preços Cepea/Esalq Paraná e Paranaguá subiram 0,4% e 0,5%, respectivamente, fechando na quinta-feira a R$120,38/saca de 60 kg e a R$126,20/saca.
O centro de estudos da USP citou ainda que a valorização do real frente ao dólar -- que reduz a competitividade do produto brasileiro em relação ao norte-americano -- ajudou a limitar a alta de preços.
Segundo o Cepea, o clima segue no radar do setor.
'O déficit hídrico em áreas do Sul e do Nordeste mantém os produtores atentos e mais resistentes a negociar. No Sudeste, por sua vez, o excesso de chuvas interrompeu a colheita e limitou a disponibilidade da oleaginosa', disse o Cepea.
O movimento de firmeza dos preços no mercado interno se deu ainda com os contratos futuros da soja negociados em Chicago subindo para máximas de dois meses na quinta-feira, com a esperança de que um possível descongelamento nas relações comerciais dos EUA com a China possa estimular novas compras da oleaginosa pelos chineses, segundo analistas.
MILHO TAMBÉM FIRME
O movimento de alta nos valores do milho no mercado interno, iniciado no começo deste mês em algumas regiões paulistas, estendeu-se nesta semana para outras praças acompanhadas pelo Cepea no Brasil, conforme a análise.
'O suporte veio sobretudo da retração de produtores, que, focados nos trabalhos de campo, limitam as ofertas do cereal no spot nacional', afirmou.
Os produtores estão em trabalhos de colheita da safra de verão e plantio de milho na segunda safra, em várias regiões do país.
O indicador Esalq/BM&FBovespa (região de Campinas - SP) subiu 1,8% entre 5 e 12 de fevereiro, fechando a R$67,67/saca de 60 kg. Na média das regiões acompanhadas pelo Cepea, as cotações subiram 0,2% no mercado de balcão (preço pago ao produtor) e 0,7% no de lotes (negociação entre empresas).
(Por Roberto Samora)
Reuters

