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Deputados mexicanos aprovam emenda que permite anular eleições por interferência estrangeira

Deputados mexicanos aprovam emenda que permite anular eleições por interferência estrangeira

Reuters

28/05/2026

Placeholder - loading - A presidente do México, Claudia Sheinbaum 21 de maio de 2026 REUTERS/Henry Romero
A presidente do México, Claudia Sheinbaum 21 de maio de 2026 REUTERS/Henry Romero

CIDADE DO MÉXICO, 28 Mai (Reuters) - A ​Câmara dos Deputados do México aprovou nesta quinta-feira uma emenda constitucional que permite a anulação de eleições caso sejam encontradas evidências de interferência estrangeira, medida que, para críticos, pode enfraquecer o processo eleitoral e facilitar a reversão dos resultados por parte dos perdedores.

Aprovada pela Câmara dos Deputados com 307 votos a favor, 128 contra e 1 abstenção, a emenda ainda precisa da aprovação do Senado.

A proposta altera um ⁠artigo ⁠da Constituição e define interferência ​estrangeira como “financiamento ‌ilícito, propaganda, disseminação sistemática de desinformação, manipulação digital e intervenção de governos ou agências estrangeiras”.

Abrange também atos de pressão política, econômica, diplomática ou midiática destinados a influenciar a opinião ⁠pública.

A votação da proposta de emenda constitucional ocorre em meio ​à crescente inquietação dentro do partido governista -- o Morena -- sobre o ​que considera intervenção estrangeira nos assuntos ‌mexicanos.

No início deste ​mês, Isabel ⁠Díaz Ayuso, política conservadora espanhola que representa a cidade de Madri, visitou o México e criticou o governo Sheinbaum, comparando-o ao regime comunista ​de Cuba. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçou repetidamente interferir nos esforços do México de combate ao narcotráfico.

'Pode haver risco de interferência estrangeira nas eleições mexicanas', disse a presidente Claudia ​Sheinbaum durante sua coletiva de imprensa diária após a decisão do Congresso. Ela também reconheceu que já houve casos de financiamento estrangeiro para candidatos e organizações locais no México.

'É importante proteger nosso território de qualquer interferência', acrescentou, enfatizando a necessidade de a lei ser específica e clara.

Parlamentares da oposição resistiram à emenda, argumentando que os partidos no ​poder poderiam usá-la como ferramenta política após uma derrota eleitoral.

“Rejeitamos qualquer intervenção ‌estrangeira. O problema é que ⁠estamos num debate que confunde intervenção com intromissão, que são coisas diferentes”, disse Ruben Moreira, deputado do partido da oposição PRI.

Um ⁠segundo projeto de lei presidencial, que modifica ⁠a legislação eleitoral para impedir ⁠a candidatura de ⁠pessoas ​vinculadas ao crime organizado, também foi aprovado.

(Reportagem de Raul Cortes e Aida Pelaez-Fernandez)

Reuters

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