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Alckmin diz que nova tarifa de 10% anunciada por Trump não afeta competitividade do Brasil

Alckmin diz que nova tarifa de 10% anunciada por Trump não afeta competitividade do Brasil

Reuters

20/02/2026

Placeholder - loading - Vice-presidente Geraldo Alckmin em entrevista à imprensa na Cidade do México, México 28/08/2025 REUTERS/ Henry Romero
Vice-presidente Geraldo Alckmin em entrevista à imprensa na Cidade do México, México 28/08/2025 REUTERS/ Henry Romero

Atualizada em  20/02/2026

Por Victor Borges

BRASÍLIA, 20 Fev (Reuters) - A decisão da ​Suprema Corte dos EUA de rejeitar as tarifas globais impostas pelo presidente Donald Trump com base em lei destinada a ser usada em emergências nacionais é 'muito importante' para o Brasil, disse nesta sexta-feira o vice-presidente Geraldo Alckmin, ressaltando que 22% das exportações brasileiras ainda são sujeitas ao 'tarifaço' norte-americano.

Segundo Alckmin, que é ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, a nova tarifa global temporária de 10% anunciada nesta tarde por Trump como medida para compensar a decisão judicial não afetará a competitividade do Brasil uma vez que será imposta ⁠a ⁠todos os países que exportam para os ​EUA.

Atualmente, parte ‌dos produtos brasileiros sofre uma taxação de 40% dos EUA, adicional a uma tarifa global de 10%.

'O que estava acontecendo é que o Brasil estava com uma tarifa de mais 40% que ninguém tinha. Esse é que era ⁠o problema, você efetivamente perdia competitividade', disse o vice-presidente a jornalistas.

Entre os ​setores que serão beneficiados com a derrubada das tarifas, Alckmin citou máquinas, rodoviárias ​e agrícolas, e armamentos -- destacando a fabricante de armas ‌de fogo Taurus --, ​além de ⁠motores, madeira, café solúvel, pedras ornamentais e alguns tipos de frutas.

Um levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI) apontou que a suspensão das tarifas determinada pela Justiça pode impactar o equivalente ​a US$21,6 bilhões em exportações brasileiras para os EUA.

Já a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) disse que exportadores precisam ter cautela em relação à decisão, pois produtos brasileiros podem ser atingidos por novas taxas antes mesmo de concorrentes internacionais. ​Isso porque o Brasil já está sob investigação dos EUA desde julho do ano passado, enquanto seus concorrentes internacionais terão processos de investigação começando a partir dos anúncios desta sexta-feira.

Alckmin disse acreditar que as negociações podem fortalecer a relação comercial entre os dois países.

'A disposição do Brasil sempre foi do diálogo, tanto é que, independentemente dessa decisão, está pré-agendado para o mês de março um encontro entre o presidente Trump e o presidente ​Lula', disse o vice-presidente.

'O presidente Lula sempre defendeu o diálogo e a negociação, e isso continua', ‌afirmou. 'Vamos avançar ainda mais, inclusive com ⁠outros temas não-tarifários.'

Entre esses temas, ele citou o programa Redata, que estabelece incentivos para a construção de data centers no Brasil, e discussões sobre minerais críticos e ⁠terras raras.

Alckmin afirmou ainda que a pasta pode elaborar estimativas ⁠comerciais sobre os impactos da suspensão, ⁠mas destacou que a ⁠discussão ​sobre um eventual ressarcimento do governo Trump pelas tarifas já pagas é uma questão empresarial.

Reuters

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