Documento vazado dos EUA afirma que Sérvia concordou em armar Ucrânia
Documento vazado dos EUA afirma que Sérvia concordou em armar Ucrânia
Reuters
12/04/2023
Atualizada em 12/04/2023
Por Jonathan Landay e Aleksandar Vasovic
WASHINGTON/BELGRADO (Reuters) - A Sérvia, único país da Europa que se recusou a sancionar a Rússia pela invasão da Ucrânia, concordou em fornecer armas a Kiev ou já as enviou, de acordo com um documento confidencial do Pentágono.
O documento, um resumo das respostas dos governos europeus aos pedidos da Ucrânia de treinamento militar e 'ajuda letal' ou armas, está entre dezenas de documentos sigilosos publicados online nas últimas semanas no que pode ser o vazamento mais sério de segredos dos EUA em anos.
O ministro da Defesa da Sérvia, Milos Vucevic, descartou a informação como 'falsa' em um comunicado nesta quarta-feira.
'A Sérvia não vendeu, nem venderá armas para o lado ucraniano ou russo, nem para os países vizinhos desse conflito', disse Vucevic.
Intitulado 'Europa | Resposta ao conflito em curso Rússia-Ucrânia', o documento do Pentágono em forma de gráfico lista as 'posições avaliadas' de 38 governos europeus em resposta aos pedidos de assistência militar da Ucrânia.
O gráfico mostrou que a Sérvia se recusou a fornecer treinamento às forças ucranianas, mas se comprometeu a enviar ajuda letal ou já a forneceu. Também informa que a Sérvia tinha vontade política e capacidade militar para fornecer armas à Ucrânia no futuro.
O documento está marcado como 'Secret' e 'NOFORN', proibindo sua distribuição para serviços de inteligência e militares estrangeiros. É datado de 2 de março e gravado com o selo do escritório do Estado-Maior Conjunto.
A Reuters não pôde verificar de forma independente a autenticidade do documento.
Em nota, o ministro da Defesa sérvio disse que havia a possibilidade de que armas e munições fabricadas na Sérvia pudessem 'aparecer magicamente' no conflito, mas 'isso não tem absolutamente nada a ver com a Sérvia'.
'Esta é a pergunta para os países que não respeitam as normas internacionais, cláusulas contratuais e práticas comerciais', disse ele, descartando o documento de inteligência.
'Alguém claramente quer arrastar a Sérvia para esse conflito, mas estamos mantendo diligentemente nossas políticas.'
O gabinete do presidente Aleksandar Vucic e a embaixada ucraniana não responderam imediatamente a um pedido de comentário da Reuters.
O Pentágono também não respondeu imediatamente às perguntas da Reuters sobre a referência do documento à Sérvia e anteriormente se recusou a comentar sobre qualquer um dos documentos vazados.
LAÇOS COM RÚSSIA
O governo de Vucic declarou neutralidade na guerra da Ucrânia, apesar dos profundos laços históricos, econômicos e culturais do país com a Rússia.
'Se este documento for preciso, ou mostra a duplicidade de Vucic em relação à Rússia ou ele está sob enorme pressão de Washington para entregar armas à Ucrânia', disse Janusz Bugajski, especialista do Leste Europeu da Jamestown Foundation, um instituto de política externa.
O Departamento de Justiça está investigando o vazamento, enquanto o Pentágono avalia os danos causados à segurança nacional dos EUA.
O gráfico do Pentágono dividiu as respostas aos pedidos de ajuda da Ucrânia em quatro categorias: países que se comprometeram a fornecer treinamento e ajuda letal; países que já forneceram treinamento, ajuda letal ou ambos; países com capacidade militar e vontade política 'para fornecer futura ajuda letal'.
Áustria e Malta foram os únicos dois países marcados como 'Não' em todas as quatro categorias.
A divulgação do gráfico ocorre pouco mais de um mês depois que documentos publicados em um canal pró-Rússia no aplicativo de mensagens Telegram supostamente mostraram o envio de foguetes terra-terra Grad de 122 mm para Kiev por um fabricante de armas sérvio em novembro.
Reuters

