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Empresa de supercomputadores dobra produção para impulsionar ambições da Europa em IA

Empresa de supercomputadores dobra produção para impulsionar ambições da Europa em IA

Reuters

02/10/2026

Placeholder - loading - Lançamento oficial do Jupiter, computador de alto desempenho com chips Nvidia, em Jülich, 2025. REUTERS/Jana Rodenbusch
Lançamento oficial do Jupiter, computador de alto desempenho com chips Nvidia, em Jülich, 2025. REUTERS/Jana Rodenbusch

Por Leo Marchandon

1 Out (Reuters) - A Bull, fabricante estatal francesa dos ​supercomputadores mais rápidos da Europa, reinaugurou nesta quinta-feira uma fábrica ampliada para dobrar sua capacidade de produção, segundo informaram executivos à Reuters, em um momento em que a Europa reforça sua capacidade computacional em inteligência artificial.

A União Europeia destinou 7 bilhões de euros para o período de 2021 a 2027 a uma rede de supercomputadores, com o objetivo de diminuir a vantagem computacional em relação aos Estados Unidos e à China. A fábrica da Bull em Angers, na França, é a única na Europa dedicada à construção dessas máquinas, e sua ampliação visa apoiar essa meta.

O presidente-executiv, Emmanuel Le Roux, afirmou que a Bull recebeu mais pedidos este ano do que nunca e venceu 15 das 18 licitações lançadas pela EuroHPC, o órgão da ⁠UE que cofinancia ⁠a rede europeia de supercomputadores junto aos Estados-membros, ​competindo contra empresas ‌como a Hewlett Packard Enterprise.

A Airbus inaugurou este ano supercomputadores fabricados pela Bull em Toulouse e Hamburgo, no âmbito de um contrato de cinco anos que, segundo a mídia, teria um valor próximo a 100 milhões de euros e triplicou a capacidade de simulação da fabricante de aeronaves.

A Bull informou à Reuters que o ⁠valor do contrato divulgado não estava correto, mas se recusou a revelar o valor exato.

A operadora ​de computação em nuvem OVHcloud e a Domyn, apoiada pela Comissão Europeia, estão ambas tentando treinar modelos de IA ​de ponta no supercomputador JUPITER da Bull, juntamente com outras empresas que ‌a Bull se recusou a ​nomear.

PRODUÇÃO PODE ⁠CRESCER EM 2027

A expansão em Angers custou 80 milhões de euros, afirmaram executivos da Bull. A produção já dobrou, passando de seis racks por mês anteriormente para 12 atualmente, e a fábrica pode aumentar a produção para 24 no próximo ano, atendendo à ​demanda que deve continuar crescendo.

O pedido da França à Bull, um supercomputador que leva o nome da cientista da computação Alice Recoque, totaliza 94 racks e está sendo montado em paralelo com o LUMI-AI, o sistema finlandês de 388 milhões de euros e o maior contrato já assinado pela Bull. Os dois pedidos não poderiam ter sido produzidos simultaneamente antes ​da expansão, afirmaram os executivos.

A França concluiu a aquisição da Bull do grupo de TI Atos, que enfrentava graves problemas financeiros, em 31 de março, avaliando a empresa em até 404 milhões de euros. O motivo original foi estratégico, disse Le Roux. Na década de 1980, depois que os EUA pararam de enviar supercomputadores para a CEA, a agência nuclear da França, o país recorreu à Bull para construir as máquinas que eram usadas para simular testes nucleares.

A Bull construiu o JUPITER, a primeira máquina exascale da Europa, a classe mais rápida de supercomputadores, que atualmente opera no centro de ​Jülich, na Alemanha. O Alice Recoque, encomendado para a CEA, deve ser entregue em etapas a partir do final deste ano, a ‌um custo de 554 milhões de euros para ⁠o governo francês e a União Europeia.

A fábrica de Angers monta sistemas utilizando processadores de Nvidia, AMD e Intel, ou componentes europeus, dependendo das demandas dos clientes. Os componentes fabricados na Europa representam 70% das máquinas que estão sendo ⁠construídas, um aumento em relação aos 20% a 30% registrados há cinco anos.

Por ⁠meio de uma parceria firmada em junho, a Bull ⁠e a taiuanesa Foxconn <2317. TW> ⁠também ​fabricarão os sistemas NVL da Nvidia em uma fábrica na República Tcheca, com a montagem final realizada na fábrica de Angers.

Reuters

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