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Equipe de Trump testa mensagem anticomunista para eleições de meio de mandato

Equipe de Trump testa mensagem anticomunista para eleições de meio de mandato

Reuters

08/07/2026

Placeholder - loading - Pessoa usa roupa com a inscrição “Patriota Anti Comunista” em  evento eleitoral em West Palm Beach, Flórida, EUA, 5 de novembro de 2024. REUTERS/Callaghan O'hare
Pessoa usa roupa com a inscrição “Patriota Anti Comunista” em evento eleitoral em West Palm Beach, Flórida, EUA, 5 de novembro de 2024. REUTERS/Callaghan O'hare

Por Nandita Bose

WASHINGTON, 8 Jul (Reuters) - O presidente dos EUA, Donald Trump, intensificou ​drasticamente suas advertências sobre uma tomada de poder comunista no Partido Democrata às vésperas das eleições de meio de mandato de novembro, enquanto sua equipe política avalia se a mensagem pode ter repercussão além de seus eleitores mais fiéis.

Conclusões preliminares dos grupos focais de sua equipe sugerem que a mensagem mobiliza fortemente a base de Trump e poderia aumentar a participação eleitoral entre eleitores republicanos que votam esporadicamente, segundo duas pessoas a par do assunto. Mas ela parece menos eficaz entre os independentes — muitas vezes decisivos em disputas acirradas — e entre eleitores mais jovens que não viveram a Guerra Fria.

O sucesso de socialistas democráticos e outros candidatos progressistas nas primárias democratas no Colorado, Kentucky, Nova York, Ohio, Texas e em outros lugares deu a Trump e seus pares republicanos uma nova linha de ataque: retratar os democratas como extremistas, em vez de defender o histórico de Trump no ⁠combate ao alto custo ⁠de vida.

Uma análise da Reuters dos comentários públicos de Trump ​entre 23 ‌de junho e 6 de julho — quando uma série de candidatos democratas de esquerda venceu as primárias de seu partido em Nova York — revelou que ele invocou o comunismo 81 vezes, inclusive chamando alguns dos candidatos vitoriosos de “comunistas radicais e sem Deus”.

Muitos dos candidatos progressistas argumentam que combater a falta de acessibilidade significa tributar os ricos, cortar gastos militares, opor-se ao financiamento dos EUA a Israel, ampliar ⁠programas financiados pelo governo e abolir a Agência de Imigração e Alfândega dos EUA (ICE).

Trump — conhecido por seu estilo ​político direto — não hesitou em rotular os defensores dessas propostas como comunistas. Muitos dos candidatos, no entanto, se identificam como socialistas democráticos que ​defendem a adoção de políticas progressistas por meio de eleições, enquanto o comunismo ‌busca abolir a propriedade privada e ​criar uma ⁠sociedade sem classes.

Olivia Wales, porta-voz da Casa Branca, afirmou que “a adesão dos democratas ao socialismo e ao comunismo” é uma “ameaça existencial ao nosso país” e que Trump “continuará denunciando o radicalismo deles e traçando um contraste nítido com sua agenda baseada no bom senso e no ‘America First’”.'

COMUNISMO X SOCIALISMO

Em seu discurso de ​4 de julho aos norte-americanos, marcando o 250º aniversário da Declaração de Independência do país da Reino Unido, Trump alertou contra a ascensão do comunismo, comparando-o a um câncer que precisa ser removido.

“É preciso extirpá-lo, e é preciso fazê-lo rapidamente”, disse ele em um comício no National Mall, em Washington.

Ao retratar os democratas como socialistas e comunistas, Trump ressuscitou uma das armas mais antigas da política norte-americana. Os republicanos Richard Nixon e Ronald Reagan utilizaram essa ​linha de ataque durante a Guerra Fria. Mas a decisão de Trump de usar uma celebração do Dia da Independência, tradicionalmente apartidária, para atacar adversários políticos marcou um cenário incomum para a mensagem.

Nos bastidores, assessores de Trump estão testando a nova mensagem com grupos focais, enquanto os republicanos se preparam para a reta final mais acirrada rumo às eleições de novembro, que decidirão o controle do Congresso dos EUA.

As conclusões preliminares indicam que o termo “comunismo” pode ser mais eficaz do que “socialismo” em algumas disputas eleitorais, enquanto o “socialismo” pode ter um apelo mais amplo em anúncios pagos e mensagens direcionadas a distritos eleitorais, disse uma das duas pessoas familiarizadas com os grupos focais.

Os republicanos veem a mensagem repercutindo especialmente entre os eleitores hispânicos ​na Flórida — onde apelos antissocialistas há muito tempo encontram aceitação entre eleitores cujas famílias fugiram de governos de esquerda na América Latina — e no Texas.

Uma pesquisa de ‌opinião de 2025 realizada pela Gallup revelou que os norte-americanos ainda ⁠viam o socialismo de forma mais negativa do que positiva, com 57% tendo uma visão negativa e 39% uma positiva, embora os democratas fossem mais favoráveis ao socialismo do que ao capitalismo.

Amy Koch, estrategista republicana, disse duvidar que o rótulo de comunista amplie o apelo do partido ⁠entre os eleitores mais jovens ou independentes. “Simplesmente não acho que o comunismo tenha o mesmo ⁠significado para quem tem menos de 55 anos”, afirmou ela.

A deputada federal ⁠Suzan DelBene, que preside o ⁠comitê ​de campanha democrata da Câmara, disse em um comunicado que os republicanos estavam “recorrendo a ataques desesperados que, na verdade, não têm a ver com questões econômicas”.

Reuters

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