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    Estamos perto de ver o topo da inflação, diz Campos Neto

    Placeholder - loading - Presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, fala em cerimônia no Palácio do Planalto 24/02/2021 REUTERS/Ueslei Marcelino
    Presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, fala em cerimônia no Palácio do Planalto 24/02/2021 REUTERS/Ueslei Marcelino

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    Por Marcela Ayres

    BRASÍLIA (Reuters) - O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, afirmou nesta sexta-feira que o pico da inflação está próximo, após o BC ter errado em seus prognósticos de que isso aconteceria em setembro, pontuando que haverá melhora a partir do ano que vem.

    Ao participar de evento virtual com empresas do mercado imobiliário promovido pelo Secovi-SP, ele afirmou que o BC imaginava 'em algum momento' que o auge da inflação ocorreria em setembro, mas isso não ocorreu em função dos 'choques de energia (que) vieram de forma consecutiva, surpreendendo a todos' e do aumento da gasolina subindo na bomba puxado pelo etanol.

    'A gente acabou tendo elemento de energia ... surpreendendo mais e espalhando mais nas cadeias', disse.

    'A gente acha que a gente está perto, olhando 12 meses, de ver o topo (da inflação) e a gente entende que a partir do ano que vem a gente vai ver uma melhora', complementou.

    Na quinta-feira, o IBGE divulgou que o IPCA-15, prévia da inflação oficial, subiu 1,17% em novembro, acumulando alta de 10,73% em 12 meses, bem acima do teto da meta oficial --3,75%, com margem de 1,5 ponto percentual para mais ou menos, medida pelo IPCA.

    Em 12 meses, o IPCA acelerou a 10,67% em outubro, resultado mais forte desde janeiro de 2016 (+10,71%).

    Durante sua participação, Campos Neto também indicou que o BC deve piorar sua projeção para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2022, mas não na magnitude apontada pelo mercado em suas últimas estimativas.

    A última conta do BC, de alta de 2,1%, será provavelmente revista para baixo, disse, 'mas não tão baixo' como a mediana em expectativas de agentes do mercado.

    No último boletim Focus, a perspectiva do mercado era de crescimento de apenas 0,7% para a economia brasileira no ano que vem.

    REANCORAGEM

    Campos Neto voltou a ponderar que os banqueiros centrais podem cometer dois erros: subir excessivamente os juros básicos, com efeito negativo para a atividade, ou fazer isso de forma lenta demais, o que acarreta desancoragem da inflação e processo de indexação mais rápido.

    'E depois, o processo de reancoragem, nós vivemos isso algumas vezes, é um processo muito mais duro porque é uma taxa de juros muito mais alta, por um período muito mais longo, e provavelmente não será feita sem colocar o país numa recessão maior', disse ele.

    O presidente do BC defendeu que a resposta de política monetária no caso brasileiro precisa ser diferente da de outros países pela existência de memória de inflação 'logo ali', em referência aos anos de 2015 e 2016, quando houve percepção de descontrole sobre o avanço de preços na economia.

    O BC já elevou os juros básicos em 5,75 pontos este ano, tirando a Selic da mínima histórica de 2% ao ano que vigorou até março para o patamar atual de 7,75% ao ano.

    A perspectiva é de novo ajuste para cima na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) em 7 e 8 de dezembro, sendo que BC sinalizou em outubro que antevia nova alta de 1,5 ponto na taxa básica.

    'A gente entende que a gente tem o instrumento que dá para fazer o trabalho num horizonte relativamente não muito longo e depois a gente consegue voltar a uma normalidade com credibilidade', disse Campos Neto.

    POUPANÇA

    Questionado sobre o tema da poupança, o presidente do BC afirmou que a autarquia tem estudado o tema e tem 'obviamente' vontade de fazer mudanças, mas pontuou que isso tem que acontecer de forma faseada e bastante lenta para não criar ruptura no financiamento.

    Campos Neto disse concordar que em algum momento seria preciso pensar em fórmula de poupança que fosse mais 'hedgeável' e casada com destinação dos recursos.

    'É coisa que a gente tem olhado', afirmou ele, ressalvando que o tema provavelmente demandará a realização de consulta pública.

    Ainda sobre o assunto, Campos Neto esclareceu que quando o BC comunicou preocupação com o 'lower bound' --em referência à existência de um limite mínimo para os juros-- se referia à fuga de recursos para a poupança com a Selic em patamares baixos.

    'Nosso debate sobre o lower bound não era sobre política monetária, a gente estava preocupado com migração muito excessiva para poupança e engarrafamento que isso podia causar', disse ele.

    Agora, num quadro de subida dos juros básicos, a preocupação é com a migração contrária, destacou ele, acrescentando que o BC irá discutir o impacto dos juros altos para o crédito imobiliário em reunião com CEOs de bancos nesta sexta.

    De qualquer forma, Campos Neto afirmou acreditar que, para esse setor, o efeito 'não será tão grande', apesar de algum impacto na margem.

    Escrito por Reuters

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