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ESTÍMULOS ELÉTRICOS NO OUVIDO ENTRAM NA PESQUISA CONTRA PRESSÃO ALTA

Ensaio clínico apontou que a técnica é segura e pode ser usada em casa

Bruna Valle

27/10/2026

Placeholder - loading - Aparelho que estimula nervos do ouvido é investigado como alternativa para controlar a hipertensão
Aparelho que estimula nervos do ouvido é investigado como alternativa para controlar a hipertensão

Um pequeno aparelho colocado na orelha pode ajudar, no futuro, pessoas que têm dificuldade para controlar a pressão arterial. A tecnologia está sendo investigada por cientistas da Universidade Queen Mary de Londres, no Reino Unido, e utiliza estímulos elétricos suaves para influenciar os nervos envolvidos na regulação de funções do organismo.

A proposta foi avaliada em um ensaio clínico com 63 participantes que continuavam com pressão alta mesmo tomando medicamentos. Embora o dispositivo tenha apresentado resultados favoráveis em relação à segurança e à tolerância, o estudo não comprovou que ele seja mais eficaz do que um aparelho placebo para reduzir a pressão arterial no conjunto dos voluntários.

Dispositivo aplica estímulos elétricos na orelha para investigar possíveis efeitos sobre a pressão arterial

Como funciona o aparelho?

O equipamento utiliza uma técnica chamada neuromodulação autonômica transcutânea. Em termos simples, ela busca influenciar a atividade do sistema nervoso autônomo, responsável por regular funções involuntárias, como os batimentos cardíacos e a pressão arterial.

Para realizar a estimulação, o aparelho utiliza dois pequenos clipes posicionados no trago, a parte de cartilagem localizada na entrada do canal auditivo. Por meio deles, são enviados impulsos elétricos suaves aos nervos da região, com o objetivo de interferir nos mecanismos que participam do controle da pressão.

Uma das características da tecnologia é que ela não exige cirurgia. Durante o estudo, os próprios participantes conseguiram utilizar o equipamento em casa, sem precisar comparecer diariamente a uma clínica.

O que o estudo descobriu?

O ensaio, chamado SCRATCH-HTN, dividiu os participantes entre aqueles que receberam a estimulação elétrica ativa e aqueles que utilizaram um aparelho semelhante, mas sem o tratamento efetivo. Esse segundo grupo serviu como comparação para que os pesquisadores avaliassem se os resultados poderiam ser atribuídos à técnica.

Nas duas primeiras semanas, os voluntários utilizaram o dispositivo por 30 minutos diariamente. Nas dez semanas seguintes, as sessões passaram a ser realizadas uma vez por semana.

Ao final do acompanhamento, os pesquisadores não identificaram uma diferença estatisticamente significativa na redução da pressão arterial entre os grupos. Isso significa que, considerando todos os participantes, não foi possível demonstrar que a estimulação ofereceu um benefício superior ao placebo.

Por outro lado, o procedimento foi considerado seguro e bem tolerado durante o período avaliado, e os participantes conseguiram seguir a rotina de uso. Esse resultado é importante para determinar se a tecnologia pode ser investigada em estudos mais amplos.

Pessoas com pressão mais difícil de controlar tiveram resultados diferentes

Embora o resultado geral não tenha demonstrado eficácia superior ao placebo, uma análise planejada pelos pesquisadores identificou uma resposta mais favorável entre participantes que começaram o estudo com níveis mais elevados de pressão arterial.

Esse achado sugere que a técnica talvez tenha maior potencial para determinados grupos de pacientes, especialmente aqueles cuja hipertensão permanece mais difícil de controlar mesmo com medicamentos.

Ainda assim, novas pesquisas serão necessárias para confirmar se o efeito se repete e quais pessoas poderiam se beneficiar. O estudo foi publicado na revista científica Hypertension, ligada à Associação Americana do Coração.

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